Comentários da Lição da Escola Sabatina

1 E 2 Coríntios

Terceiro Trimestre de 2026


Lição 12 – Lidando com falsos mestres

Destaques do Pastor Eber Nunes #?lesadv

• Entramos na parte final da 2ª Carta aos Coríntios, onde Paulo muda completa e drasticamente seu estilo. Alguns estudiosos chegam até a pensar que essa última parte da carta seja a carta dolorosa que Paulo escreveu à igreja;

• Há alguns que defendem que nos nove primeiros capítulos de 2ª Coríntios, Paulo escreveu para a maioria da congregação que o amava e o apreciava, nos quatro últimos capítulos, dirigiu-se a um pequeno grupo que o atacava duramente.

Como Paulo foi atacado?

• Os opositores de Paulo o acusavam de ser inconsistente em seu caráter, difuso em sua conduta, dúbio em sua postura e desprovido de autoridade. Acusavam Paulo de ser grave e forte nas cartas, mas fraco em pessoa e desprezível nas palavras. Acusavam Paulo de não ter coragem de dizer pessoalmente a eles o que escrevia em suas cartas. Taxavam Paulo como homem de duas caras.

“E eu mesmo, Paulo, vos rogo, pela mansidão e benignidade de Cristo, eu que, na verdade, quando presente entre vós, sou humilde; mas, quando ausente, ousado para convosco” (2Co 10:1).

• Os capítulos 10-13 não são simplesmente a defesa pessoal de um homem ofendido. Paulo está defendendo seu ministério apostólico porque esse ministério estava inseparavelmente ligado ao evangelho de Cristo;

• Atacar Paulo era também atacar o evangelho que ele havia levado a Corinto;

• Paulo é forte na sua defesa, mas também é manso;

• As pessoas mais enérgicas e ousadas não são aquelas que dominam os outros pela força, mas as que dominam a si mesmas pela mansidão. Mansidão não é moleza nem complacência com o pecado. Cristo foi manso quando, cheio de compaixão, recebeu pecadores, sem, contudo, minimizar seus pecados. É à luz dessa mansidão afetuosa que Paulo roga à igreja.

Luta espiritual

“Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas, anulando nós sofismas e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência” (2Co 10:4 e 5).

• Paulo responde a seus opositores que, embora viva na carne; ou seja, está sujeito à fraqueza da natureza humana, não milita segundo a carne. “Andar na carne” significa participar da existência humana normal com todas as suas limitações. “Não militar segundo a carne” significa não desempenhar o ministério cristão com meros recursos humanos, isento do poder de Deus, com a tendência concomitante a empregar meios duvidosos (2Co 1:17;4:2;12:16-18);

• Paulo emprega inúmeras imagens bélicas, armas, milícia, destruição de fortalezas, destruição de altivez;

• A vida cristã não é um parque de diversões, mas um campo de guerra;

• O conflito entre as forças de Deus e as de Satanás é espiritual e precisa ser travado com armas espirituais;

• As armas espirituais que usamos anulam as estratégias do inimigo. Essas armas anulam enganos;

• Paulo usava sua autoridade para fortalecer a igreja, enquanto seus acusadores usavam a igreja para fortalecer a autoridade deles;

• O problema dos falsos mestres é que eles achavam que Cristo lhes pertencia, e não que eles pertenciam a Cristo.

Paulo chamou a atenção a assuntos espirituais a respeito dos quais devemos estar atentos:

1. Nossa batalha não é deste mundo;

2. Nossas armas têm poder divino para destruir as fortalezas do mal;

3. Nessa guerra, nosso Comandante é Cristo. Ele nos conduz de vitória em vitória.

Gloriar-se no Senhor

“Aquele, porém, que se gloria, glorie-se no Senhor. Porque não é aprovado quem a si mesmo se louva, e sim aquele a quem o Senhor louva” (2Co 10:17 e 18).

• Um método popular usado pelos falsos mestres a fim de atrair discípulos, nos dias de Paulo, era comparar-se a si mesmos com outros mestres. Os falsos mestres em Corinto procuravam aparência física imponente e eloquência arrebatadora (2Co 10:1,10; 11:20,21), cobravam uma taxa sobre cada sermão pregado (2Co 11:7-11), exibiam ascendência judaica impecável (2Co 11:21), experiências espirituais impressionantes (2Co 12:1-6), realização de sinais apostólicos (2Co 12:12) e outra exibição de autoridade e poder (2Co 11:19,20) a fim de comprovar que Cristo estava falando por meio deles (2Co 13:3);

• Nas perspectivas desses falsos mestres, não havia espaço para expressões de fraqueza, sofrimento, perseguição e prisão que, com frequência, constituíam a porção de Paulo, e que o próprio Jesus afirmara ser a experiência de todos quantos o seguissem;

• Os falsos mestres também legitimavam seu próprio apostolado.

Paulo havia sido o primeiro a chegar em Corinto com o evangelho (1Co 3:6). Ele lançou o fundamento e se tornou o pai espiritual dos coríntios no evangelho (1Co 4:15).

• Normalmente os hereges são destruidores, eles não dizimam, não ofertam, não plantam igrejas, não sofrem com a igreja, eles só estão juntos para criticar, destruir;

• Paulo tinha um ministério aprovado. Os crentes de Corinto eram seus filhos na fé, e eles mesmos eram sua carta de recomendação. Paulo estava cônscio de que o crescimento espiritual dos coríntios destacava seu ministério e abria-lhe portas para conquistar horizontes mais largos. Apesar de tudo isso, Paulo não se envaidecia do seu trabalho. Ele não buscava glória para si mesmo. Ele tinha consciência de que tudo vem de Deus, por meio de Deus e para Deus. A glória de Paulo estava em Cristo, e não nos resultados otimistas do seu trabalho. Paulo tinha consciência de que haveria de prestar conta do seu ministério (1Co 4:5; 10:18).

Reflexão:

• A igreja de Laodiceia exaltou-se dando nota máxima a si mesma em todas as áreas. Mas Cristo a reprovou em todos os itens. A Bíblia diz: “Seja outro o que te louve, e não a tua boca” (Pv 27:2). Deus detesta o louvor próprio. Jesus explicitou essa verdade na parábola do fariseu e do publicano. Aquele que se exaltou foi humilhado, mas o que se humilhou, desceu para sua casa justificado. É insensatez escolher a si mesmo, aprovar a si mesmo e elogiar a si mesmo. É uma consumada loucura bater palmas e aclamar a si mesmo e cantar: “Quão grande és tu”, diante do espelho;

• O nosso ministério também não deve ser fundamentado em elogios de homens;

• Também é importante aceitar a esfera do trabalho que Deus nos confiou (1Co 10:12-16).

Perguntas para reflexão:

1. Estou onde Deus quer que eu esteja?

2. Deus está sendo glorificado pelo que faço?

3. Estou buscando a aprovação de Deus ou a minha própria promoção?

Isso resume de maneira muito forte o contraste entre Paulo e os falsos mestres.

Falsos mestres identificados

“Se, na verdade, vindo alguém, prega outro Jesus que não temos pregado, ou se aceitais espírito diferente que não tendes recebido, ou evangelho diferente que não tendes abraçado, a esse, de boa mente, o tolerais” (2Co 11:4).

• A Bíblia não fornece os nomes dos acusadores de Paulo, mas pelo que ele diz, é possível reconstruir um perfil bastante claro deles;

• Ao que tudo indica eles eram mestres cristãos itinerantes, provavelmente de origem judaica, que chegaram a Corinto depois do trabalho de Paulo e procuraram conquistar influência sobre a igreja. “São hebreus? Eu também. São israelitas? Eu também. São descendentes de Abraão? Eu também” (2Co 11:22);

• Quanto ao talento, eram oradores profissionais;

• Quanto ao desempenho, gabavam-se de feitos miraculosos;

• Quanto à personalidade, eram arrogantes;

• Quanto à integridade, eram impostores, avarentos e aproveitadores do rebanho, buscando o dinheiro do povo, e não o seu bem-estar espiritual.

Alguns estudiosos entendem que eram os mesmos judaizantes que atacaram as igrejas da Galácia (Gl 1:6-9). Esses falsos mestres exigiam dos gentios rituais adicionais à fé para ser salvos. Eles negavam a salvação pela graça e impunham sobre o povo pesados fardos da lei. Eram legalistas que pregavam outro evangelho, diferente e oposto ao evangelho de Cristo. Esses falsos mestres pregavam um evangelho sem cruz. A questão não era o legalismo, mas o triunfalismo.

“Zelo por vós com zelo de Deus; visto que vos tenho preparado para vos apresentar como virgem pura a um só esposo, que é Cristo” (2Co 11: 1 e 2).

• Paulo assume aqui a posição de um pai que vela pela pureza da filha até o dia do casamento. Como pai espiritual dos coríntios, Paulo tem zelo por eles e não admite que sejam enganados por falsos amores e falsos amantes.

“Receio que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também seja corrompida a vossa mente e se aparte da simplicidade e pureza devidas a Cristo” (2Co 11:3).

• A arma desses falsos mestres era a mesma da serpente, a astúcia. A sedução da serpente atingiu a mente de Eva. O primeiro ataque de Satanás não é moral, mas teológico. Primeiro, as pessoas se desviam da verdade, depois, elas corrompem-se, moralmente. Primeiro, a mente corrompe-se, depois, o coração endurece. Primeiro, vem a impiedade, depois, a corrupção (Rm 1:18). O pecado começa com os pensamentos. A serpente, primeiro tentou convencer Eva que a Palavra de Deus não era o melhor para ela, que havia mais vantagens em desobedecer a Deus do que obedecê-lo. Satanás sabia que se a mente fosse convencida, as ações seguiriam imediatamente. Paulo sabia que a mente é o principal campo de batalha na guerra espiritual, por essa razão, ele tratou com os falsos mestres de forma tão incisiva.

“Se, na verdade, vindo alguém, prega outro Jesus que não temos pregado, ou se aceitais espírito diferente que não tendes recebido, ou evangelho diferente que não tendes abraçado, a esse, de boa mente, o tolerais” (2Co 11:4).

• A igreja de Corinto estava sendo tolerante com os falsos mestres e intolerante com Paulo. Esses falsos mestres traziam na bagagem três coisas absolutamente diferentes. Eles pregavam um outro Jesus. O Jesus dos falsos apóstolos não era o Jesus da Bíblia. Eles pregavam um Jesus triunfalista, o Jesus dos milagres, das curas, das coisas espetaculares, e não o Jesus crucificado (1Co 1:23) que experimentou fraqueza, humilhação, perseguição, sofrimento e morte. Esse outro Jesus, apenas de glória e poder, parece mais atraente, mas não é o Jesus verdadeiro;

• Eles tinham um outro espírito. O espírito deles era de arrogância, e não de humildade, era autoritário, e não manso (2Co 11:20);

• Eles abraçavam um outro evangelho. Só há um evangelho, é o evangelho da cruz, da graça, do favor imerecido de Deus, do arrependimento do pecado e da fé em Cristo. É o evangelho que glorifica a Deus, exalta a Cristo e exige do homem arrependimento e fé em Cristo para ser salvo.

“Porque suponho em nada ter sido inferior a esses tais apóstolos” (2Co 11:5).

• Com insolente arrogância, os falsos apóstolos se apresentaram à igreja de Corinto não apenas solapando a autoridade apostólica de Paulo, mas também pondo a si mesmos como superiores a ele. Como mestres da retórica grega davam mais ênfase à forma do que ao conteúdo, mais valor à eloquência do que à verdade, mais importância à embalagem do que ao produto. Paulo não está se desqualificando como orador. Temos vários de seus discursos registrados na Bíblia, e, neles, Paulo revela pleno domínio da retórica. Mas Paulo não se apresenta como um erudito da oratória, mas como um mestre da verdade;

• A tendência de falar mal dos outros é uma das maneiras mais aviltantes de autoelogio. Os coríntios avaliavam um orador pela quantidade de dinheiro que ele conseguia arrancar do seu auditório. Um bom orador podia amealhar uma grande quantidade de dinheiro, mas um orador medíocre nada conseguia. Uma vez que Paulo não pedia dinheiro quando pregava, os falsos mestres o taxavam de pregador amador. Eles diziam que Paulo se negava a aceitar dinheiro, porque seu ensino não valia nada;

• Os falsos apóstolos usavam a política financeira de Paulo como “prova” de que ele não era um verdadeiro apóstolo. Afinal, diziam eles, se ele fosse mesmo um apóstolo teria aceito ser sustentado por eles. Ainda hoje, há aqueles que pensam que um crente fiel precisa necessariamente ser rico, e que toda ostentação de riqueza é sinal da bênção de Deus. Ledo engano. Há muitos ricos pobres e muitos pobres ricos (Pv 13:7).

Paulo expôs os falsos mestres como agentes de Satanás (2Co 11:1-15), porque:

1. Eles escravizavam seus seguidores;

2. Eles ensinavam uma doutrina legalista contrária ao evangelho da graça;

3. Eles iludiam o povo com uma mensagem triunfalista, porém, mentirosa;

4. Eles se apropriavam gananciosamente de seus bens;

5. Eles estavam interessados no dinheiro dos crentes, e não em suas vidas;

6. Eles abocanhavam tudo o que podiam da igreja;

7. Eles eram arrogantes;

8. Eles valorizavam características que a cultura greco-romana associava a líderes importantes: eloquência, aparência, credenciais, autoconfiança e capacidade de impressionar.

Como identificar falsos mestres (1Tm 6:3; 2Jo 9; 2Tm 4:3-4):

1. Eles contradizem a sã doutrina;

2. Eles promovem imoralidade;

3. Eles diminuem a importância do pecado;

4. Eles transformam o ministério em fonte de lucro porque são gananciosos;

5. Seus ensinos causam divisão. O povo de Cristo se une ao redor da verdade e se divide por conta do erro.

Se o falso mestre aparenta e soa como cristão, então como saberemos se ele é um falso mestre? “Pelos seus frutos os conhecereis” (Mt 7:16). O que eles fazem diz mais sobre quem eles são do que o que dizem.

Falsos mestres fazem muitas promessas e pouca nenhuma obediência.

Sofrimentos por causa do evangelho

“Outra vez digo: ninguém me considere insensato; todavia, se o pensais, recebei-me como insensato, para que também me glorie um pouco. O que falo, não o falo segundo o Senhor, e sim como por loucura, nesta confiança de gloriar-me” (2Co 11:16 e 17).

• O autoelogio já havia sido considerado por Paulo como algo reprovado (2Co 10:18). Mas tendo em vista que os coríntios valorizavam os falsos apóstolos por esse critério e que o que estava em jogo não era sua reputação, mas o evangelho de Cristo, Paulo escreve: Outra vez digo: ninguém me considere insensato; todavia, se o pensais, recebei-me como insensato, para que também me glorie um pouco. O que falo, não o falo segundo o Senhor e sim como por loucura, nesta confiança de gloriar-me. E, posto que muitos se gloriam segundo a carne, também eu me gloriarei. Porque, sendo vós sensatos, de boa mente tolerais os insensatos (11.16-19). Paulo reconhece que não fala segundo o Senhor, e sim como por loucura. Já que os falsos apóstolos batiam no peito e arrotavam suas vantagens pessoais e seus feitos portentosos, Paulo enumera também suas credenciais;

• O propósito do apóstolo é desbancar a arrogância desses obreiros fraudulentos e mostrar à igreja que nesse quesito seus adversários sofrem uma derrota fragorosa quando se comparam com ele;

• Aquilo que os falsos apóstolos consideram uma vergonha, Paulo ostenta como triunfo. Enquanto eles se vangloriam de sua retórica, Paulo se gloria em suas fraquezas. Enquanto eles se ufanam de receber dinheiro da igreja, Paulo era esmagado pela preocupação com todas as igrejas. Enquanto mostram seus troféus, Paulo mostra o catálogo de seus sofrimentos por Cristo;

• A atitude de Paulo em relação aos falsos apóstolos era gritantemente diferente. Enquanto eles se abasteciam das igrejas, Paulo se desgastava por amor a elas, e fazia isso diariamente. Enquanto Paulo usava sua autoridade para fortalecer as igrejas, eles usavam as igrejas para fortalecer sua autoridade;

• Não há vida indolor. É impossível passar pela vida sem sofrer. O sofrimento é inevitável. O sofrimento de Paulo é tanto físico quanto espiritual.

Espinho na carne:

• “E, para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte” (2Co 12:7).

• Paulo viu o que homem algum viu, ouviu o que língua humana não consegue descrever, mas quando ele desceu do céu, o que ficou marcado não foi o que ele viu lá em cima, foi o que ele sentiu aqui embaixo, um espinho na carne;

• O que seria esse espinho na carne de Paulo?

• A palavra grega “skolops”, “espinho”, só aparece aqui em todo o NT. Trata-se de qualquer objeto pontiagudo. Era a palavra usada para estaca, lasca de madeira ou ponta do anzol;

• Há muitas ideias e nenhuma resposta conclusiva. Calvino acreditava que o espinho de Paulo eram as tentações espirituais e Lutero achava que eram as perseguições;

• A maioria dos estudiosos concorda que esse termo “skolops” deve ser interpretado literalmente; isto é, Paulo suportava dor física. Pessoalmente, sou inclinado a pensar que esse espinho na carne era uma deficiência visual de Paulo (At 9:9; G1 4:15;6:11; Rm 16:22; At 23:5);

• Assim como Jesus orou três vezes no Getsêmani para Deus afastar-lhe o cálice, e o Pai não o atendeu, mas enviou um anjo para o consolar, Paulo orou também três vezes para Deus tirar o espinho de sua carne, porém, a resposta de Deus não foi a suspensão do espinho e sim a força para suportá-lo;

• O espinho na carne impediu que Paulo inchasse ou explodisse de orgulho diante das gloriosas visões e revelações do Senhor. O sofrimento nos põe no nosso devido lugar. Ele quebra nossa altivez e esvazia toda nossa pretensão de glória pessoal. É o próprio Deus quem nos matricula na escola do sofrimento;

• O apóstolo Paulo diz que o espinho na carne era um mensageiro de Satanás;

• O sofrimento levou Paulo à oração.

“A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2Co 12:9).

• A graça de Deus é a provisão dele para tudo que precisamos, quando precisamos. A graça nunca está em falta;

• Não devemos orar por vida fácil. Devemos orar para sermos homens e mulheres capacitados pela graça;

• O poder de Deus se aperfeiçoa na fraqueza. Quando somos fracos, aí é que somos fortes. Esse é o grande paradoxo do cristianismo;

• Paulo pediu para Deus substituição, mas Deus lhe deu transformação. Deus não removeu sua aflição, mas lhe deu capacitação para enfrentá-la vitoriosamente. Deus não deu explicações para Paulo, fez-lhe promessas: “A minha graça te basta”;

• Não vivemos de explicações, vivemos de promessas;

• Nossos sentimentos mudam, mas as promessas de Deus são sempre as mesmas

• O sofrimento é pedagógico (2Co 12:9). A vida é a professora mais implacável: primeiro dá a prova e, depois, a lição. C. S. Lewis disse que: “Deus sussurra em nossos prazeres e grita em nossas dores”. A dor sempre tem um propósito, mais que uma causa. Deus não desperdiça sofrimento na vida de seus filhos;

• Se Deus não remove o espinho é porque ele está trabalhando em nós para, depois, trabalhar por meio de nós.

Há pessoas que são infelizes tendo tudo; há outras que são felizes nada tendo. A felicidade não está fora de nós, mas dentro de nós. Há pessoas que pensam que a felicidade está nas coisas: casa, carro, trabalho, renda. Mas Paulo era feliz mesmo passando por toda sorte de adversidades (2Co 11:24-27). Mesmo passando por todas essas lutas, era capaz de afirmar: “Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte” (2Co 12:10).

O mesmo Paulo comenta na sua carta aos Filipenses: “Aprendi a adaptar-me a toda e qualquer circunstância. Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito ou passando necessidade” (Fp 4.10,11).

O sofrimento deve ser visto à luz da revelação do céu, do paraíso. O sofrimento do tempo presente não é para se comparar com as glórias por vir a serem reveladas em nós (Rm 8:18). A nossa leve e momentânea tribulação produz, para nós, eterno peso de glória (2Co 4:14-16).

Há orações que Deus responde com poder. Mas há outras que Ele responde com graça.

Porque a experiência do céu não o fez melhor que ninguém, o espinho na carne o fez mais humano, mais dependente, mais humilde, mais parecido com Cristo.

Os falsos mestres mostravam a glória, Paulo mostrou o espinho. Paulo tinha motivo para se gloriar, mas preferiu confessar o espinho. Hoje fazemos o contrário: escondemos o espinho e mostramos só a glória.

Paulo queria libertação, Deus lhe deu sustentação.

O milagre pode mudar o que eu tenho. Mas só a graça muda quem eu sou.

“Senhor, não me tire o espinho. Apenas não me tire da Tua graça.”

Quem reconhece a própria dor, trata o outro com misericórdia.

Apelo aos impenitentes

Depois que Paulo expõe suas credenciais, mostra a determinação de fazer sua terceira visita à igreja de Corinto. As duas visitas anteriores foram: a visita missionária pioneira e a visita ‘dolorosa’. A terceira visita planejada por Paulo é mencionada nesse capítulo três vezes (2Co 12:14,20,21), e ela seria para tratar problemas, e a igreja tinha muitos. Em Corinto havia problemas relacionados a:

• Contendas (eris);

• Inveja (zelos);

• Iras (thumoi);

• Porfias, (eritheia) denota aquilo que se faz apenas visando uma recompensa;

• Detrações, (katalaliai) refere-se a um ataque realizado a viva voz, os insultos e acusações lançados em voz alta e em público;

• Intrigas (psithurismoi) trata-se de uma campanha de murmurações e maledicência espalhada de ouvido em ouvido, buscando desacreditar a pessoa;

• Orgulho (phusioseis) é aquela atitude em que o indivíduo magnifica a si mesmo e suas funções;

• Tumultos (akatastasia), refere-se a anarquia;

• Impureza (akatharsia) é um termo genérico para impureza e vida desregrada. É tudo aquilo que impede que um homem tenha comunhão com Deus. É o oposto de pureza;

• Prostituição (porneia), refere-se à promiscuidade no relacionamento sexual;

• Lascívia (aselgeia), indica o desacato deliberado da decência em público.

Qual seria o propósito dessa terceira visita de Paulo a Corinto?

1- Demonstrar que ele buscava o bem espiritual dos crentes, e não o dinheiro deles (2Co 12:14). Os falsos mestres buscavam o dinheiro, não a edificação espiritual dos crentes;

2- Demonstrar sua prontidão em gastar-se em favor dos crentes (2Co 12:15). Paulo era como uma vela; estava pronto a brilhar com a mesma intensidade até o fim. Ele não buscava conforto, mas o bem espiritual dos crentes;

3- Demonstrar que seus cooperadores eram tão íntegros financeiramente como ele (2Co 12:16-18). Os falsos mestres acusavam Paulo de explorar a igreja por meio de seus colaboradores, apropriando-se de parte da coleta levantada para os pobres da Judeia. Mas Paulo os refuta dizendo que seus colaboradores, longe de explorarem a igreja, seguiram em suas mesmas pisadas, pois tinham andado no mesmo espírito.

Conclusão

“Outros homens podem pregar melhor o evangelho do que eu, mas nenhum homem pode pregar um evangelho melhor que o meu” (George Whitefield).

“Muitos conferem às palavras da Bíblia um significado adaptado a suas opiniões, enganando a si mesmos e iludindo outros com suas falsas interpretações da Palavra de Deus. Devemos estudar a Palavra de Deus com coração humilde. Todo egoísmo e todo amor pela originalidade devem ser afastados. Opiniões aceitas por muito tempo não devem ser consideradas infalíveis” (Conselhos aos Escritores, 23).

Louvo a Deus pelas maravilhosas lições que podemos aprender de Sua Palavra e é por isso que sou apaixonado pela Escola Sabatina! #lesadv


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