Lição 6 – Dons espirituais
Destaques do Pastor Eber Nunes #?lesadv
• “A maior causa de nossa fraqueza espiritual como povo é a falta de fé genuína nos dons espirituais” (Review and Herald, 14 de janeiro de 1846);
• No NT, a palavra grega normalmente traduzida como “dom” é “charisma”, que aparece 17 vezes e é um termo usado quase que exclusivamente pelo apóstolo Paulo (1Pe 4:10 e 11 é uma das exceções). Paulo discute esse assunto em três passagens principais: Romanos 12:4-8, 1ª Coríntios 12–14 e Efésios 4:7-16. Nessas 3 passagens, ele destaca a importância do amor como base para o uso dos dons;
• Em relação ao tema dos dons espirituais, existem alguns sinceros questionamentos: O que são os dons espirituais? Qual a relação entre dons espirituais e dons naturais? Os dons espirituais só tiveram duração até o período dos apóstolos? Dons espirituais são reservados para apenas alguns super cristãos ou são para todos os crentes? Como descubro meus dons e qual é o propósito deles?
Diversidade de dons
“A respeito dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes” (1Co 12:1).
• Ignorante é alguém que não conhece, que ignora, que não sabe. Ninguém gosta de ser chamado de ignorante, mas todos somos em muitos assuntos. Nunca houve alguém que soubesse tudo de tudo e nunca haverá. Paulo disse que em um assunto nós não podemos ser ignorantes, e esse assunto é: dons espirituais.
“Os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade nos serviços, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade nas realizações, mas o mesmo Deus é quem opera tudo em todos” (1Co 12:1-4).
• O assunto dos dons é tão importante que a trindade está envolvida:
o O verso 4 fala do Espírito Santo;
o O verso 5 fala do Senhor (Jesus);
o O verso 6 fala de Deus (o Pai).
O que é um dom espiritual?
• É uma capacidade que Deus dá para fazermos bem alguma coisa, mas sempre com um objetivo espiritual. Sempre que usamos um dom espiritual é para o avanço da obra de Deus para o cumprimento da missão da igreja;
• Enquanto o dom natural é dado para todas as pessoas independentemente de sua fé, o dom espiritual é dado somente para quem aceitou a Jesus.
O que é um dom natural?
• É uma capacidade que Deus dá para fazer bem alguma coisa. Quem tem um dom natural consegue fazer com facilidade e até se divertindo, o que aquele que não tem não consegue fazer nem com muito esforço;
• Dom natural não tem nada a ver com vida espiritual. Assim como Deus dá o sol e a chuva para pessoas boas e pessoas más (Mt 5), Deus dá dons naturais para as pessoas independentemente da relação espiritual de cada um.
O que é um ministério?
• É o lugar onde usamos juntos nossos dons, a geografia. Imagine que três pessoas têm o mesmo dom, o ensino. A primeira pessoa ensina adultos, a segunda tem o mesmo dom, mas para os adolescentes e a terceira pessoa tem o dom de ensinar crianças do jardim da infância. Os três têm o mesmo dom, mas eles têm ministérios diferentes;
• O ministério de alguns é trabalhar com a classe A e B da sociedade, o ministério de outro é para trabalhar com os mais pobres. Um trabalha com universitários, outro com pessoas doentes ou com alguma deficiência.
O propósito dos dons espirituais:
• “E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo” (Ef 4:8-12);
• Corretamente entendidos, todos os dons do Espírito servem a dois propósitos essenciais: nutrir ou fortalecer o corpo de Cristo e cumprir a missão de alcançar o mundo com o evangelho;
• Os dons são para promover a unidade da igreja e para edificá-la (Ef 4:12-16). Eles são concedidos para levar adiante o ministério que o Senhor comissionou à igreja (Ef 4:11, 12) e são dados para glorificar a Deus (1Pe 4:10, 11);
• Como os dons são para a edificação da igreja, eles só deixarão de existir quando a igreja deixar de existir (Ef 4).
Considerações:
• O NT traz algumas listas de dons, e nenhuma delas é completa. Essas listas mencionam os dons que eram mais evidentes, mais utilizados no 1º século naquela região. A lista de dons para os crentes da Ásia não seria a mesma para os crentes da Palestina;
• Um dom espiritual não é um dom natural consagrado a Deus, não é um dom natural aperfeiçoado. Às vezes é na mesma área, mas também pode não ser. Alguns são bons oradores no trabalho, mas quando se convertem não se tornam bons pregadores;
• O Espírito de Deus tem nesse mundo uma obra muito grande e diversificada para fazer, mas uma dessas atividades é conceder ao povo de Deus, dons espirituais, e nessa obra o Espírito Santo não esquece de ninguém. Ninguém pode dizer: “O Espírito se esqueceu de mim, eu não sei fazer nada”. Também ninguém pode dizer: “Eu sou tão talentoso, tão competente, tão capaz que sozinho eu posso fazer tudo”;
• Os cristãos devem evitar cometer dois erros comuns: (1) serem orgulhosos de suas habilidades (prepotência) ou (2) pensar que não tem nada a contribuir ao corpo de crentes (negligência);
• “Nem todos os homens recebem os mesmos dons, porém a cada servo do Mestre é prometido algum dom do Espírito” (PJ, 173);
• Por que todos nós, não temos os mesmos dons? Para que possamos aprender a depender uns dos outros;
• Sempre que recebemos um dom, não é para nosso engrandecimento, para aparecer, para um proveito pessoal. É para abençoar a comunidade, a igreja;
• O Espírito Santo não dá os dons segundo o que queremos ou pedimos, mas segundo o que Lhe agrada;
• É verdade que no início da igreja cristã pelo menos um dom foi dado por atacado para toda a igreja, porque precisavam se dispersar e pregar a outros povos, foi o dom de idiomas, o dom de línguas, que se repetiu algumas poucas vezes depois, mas o normal é dar individualmente;
• Deus deu para cada um de nós, dons naturais e espirituais, nossa tarefa é descobrir quais são nossos dons espirituais e encontrar os meios de usá-los para o avanço do reino de Deus na comunidade;
• Embora o fruto do Espírito e os dons do Espírito tenham o mesmo autor, eles são diferentes. O fruto tem que ver com o que somos, os dons com o que fazemos;
• Há dons que brilham no palco, outros no camarim;
• Os dons espirituais não são aferidores de espiritualidade. Você não mede a espiritualidade de uma igreja pela presença dos dons espirituais;
• O dom sempre está se desdobrando em trabalho, ação, e realização em benefício de alguém. A finalidade do dom é a realização de alguma obra, uma ajuda concreta.
Nosso dom é um presente de Deus para nós, o que fazemos com ele é o nosso presente de volta para Ele.
Unidade por meio da diversidade
“Assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, constituem um só corpo, assim também com respeito a Cristo” (1Co 12:12).
• A igreja é comparada a uma família, a um exército, a um templo e até a uma noiva, porém, a figura predileta de Paulo para descrever a igreja é o corpo;
• Um corpo humano tem cabeça, olhos, ouvidos, dedos, língua, dentes, pés, órgãos e articulações diferentes, todos esses membros têm tamanhos diferentes, funções diferentes, formatos diferentes, mas todos estão unidos e fazem parte de um corpo apenas e todos eles são necessários;
• Se você tivesse que perder uma parte do seu corpo, qual escolheria?
• Algumas partes do corpo chamam mais a atenção que outras, mas imagine-se sem cotovelos?
• Num caso de mutilação, uma perna pode fazer mais falta que um dedo do mesmo membro. No entanto, se perguntarmos a alguém que perdeu um dedo, logo ouviremos o depoimento de que a vida não é mais a mesma sem aquele pequeno membro. Uma vez que esse membro tem uma função que somente ele pode desempenhar, sua falta é prontamente sentida. De igual modo, os irmãos e irmãs que desempenham as funções mais simples na igreja são absolutamente necessários, e, certamente, a igreja não seria a mesma sem eles;
• Alguns órgãos são vitais, sem eles o corpo não vive. Alguns de nós são membros com funções vitais: alguns são o coração, o fígado, o estômago, outro é a pele, e assim por diante. Pode um corpo viver sem a pele? Ela é um órgão vital de proteção das impurezas do ambiente externo, de sustentação de outros órgãos, de interação entre o interior e o exterior, e de estética. Quanta coisa a pele faz! Já viu alguém andar por aí sem pele? Contudo, um corpo não funciona só com órgãos vitais. Existem os não vitais, e sem eles o corpo não funciona 100%. Se numa igreja todos só soubessem ir à frente e pregar muito bem, algo estaria errado nessa igreja. Os membros do corpo são variados e se ajudam mutuamente, têm função diferente, mas estão sempre unidos. Essa unidade não é só na dor, mas na glória, nas alegrias também.
“Não podem os olhos dizer à mão: Não precisamos de ti; nem ainda a cabeça, aos pés: Não preciso de vós. Pelo contrário, os membros do corpo que parecem ser mais fracos são necessários; e os que nos parecem menos dignos no corpo, a estes damos muito maior honra; também os que em nós não são decorosos revestimos de especial honra” (1Co 12:21-23). Isso pode ser dito de outra forma: imagine se a pessoa responsável por abrir a igreja não viesse ao culto, nem culto teríamos! Ou, na melhor das hipóteses, teríamos um culto improvisado do lado de fora do templo! Nesse sentido, as pessoas que trabalham nos bastidores talvez sejam as que mais contribuem para o bem-estar da igreja.
A igreja não é uma organização, mas um organismo, vivo, composto de muitos membros, os quais trabalham sob o mesmo propósito, dirigidos pela Cabeça, que é Cristo.
“Em todas as realizações do Senhor, nada há tão lindo quanto Seu plano de conceder diversidades de dons aos homens e mulheres” (Ev, 98).
A diversidade é obra do Espírito. A uniformidade é obra dos perfeccionistas. A conformidade é obra do Inimigo.
• O Espírito Santo distribui (1Co 12:11), dispõe (1Co 12:18), coordena (1Co 12:24) e estabelece (1Co 12:28). Do começo ao fim, Deus coordena o assunto dos dons;
Um caminho ainda mais excelente
Do capítulo 12 ao 14 de 1ª Coríntios, o assunto é: dons espirituais. O capítulo 12 fala sobre os dons de uma maneira geral e o 14 faz uma comparação entre o dom de profecia e o dom de línguas, mostrando que profecia é mais proveitosa que línguas. 1ª Coríntios 13 parece estar perdido entre esses dois capítulos tratando de dons espirituais. Mas isso não foi um cochilo do apóstolo Paulo. Ele colocou esse texto sobre o amor “sanduichado” entre dois capítulos que tratam de dons espirituais. Paulo está dizendo que todos os dons mais dramáticos e mais maravilhosos que podemos imaginar são inúteis, se não houver amor.
• A motivação para usar os dons deve ser o amor;
• 1ª Coríntios 13 apresenta o amor como o elemento que confere significado e valor a todos os dons;
• “O amor não é um dom entre muitos. É o meio pelo qual todos os dons alcançam seu propósito” (Comentário Bíblico Andrews, vol. 4: “Romanos a Apocalipse”, 194);
• Paulo argumenta que, sem amor, mesmo os dons mais espetaculares são inúteis (1 Co 13:1-3);
• As divisões na igreja de Corinto evidenciam a falta de amor entre os membros. O amor é descrito como paciente, bondoso, não inveja, não se vangloria, não maltrata, não procura os próprios interesses, nem se ira facilmente, nem guarda rancor etc. contrastando com o comportamento descrito nos primeiros capítulos, como orgulho, disputas e favoritismo;
• O amor está vinculado à maturidade espiritual. Paulo descreve o amor como eterno, contrastando com todos os outros dons, que são temporários (1Co 13: 8-13). Isso ecoa o chamado à maturidade no capítulo 3, onde ele repreende os coríntios pela imaturidade e carnalidade;
• O amor transcende religiosidade, cultura e época. Ele é a essência do que significa ser verdadeiramente humano. Num mundo marcado por egocentrismo, divisões e vazio existencial, o amor é o único capaz de restaurar relações, dar sentido à vida e apontar para algo maior que nós mesmos;
• Paulo não apresenta o amor como um dom, mas como um caminho;
• Alguns cristãos de Corinto achavam que os possuidores de certos dons fossem pessoas extremamente importantes, mas Paulo afirmou que, mesmo que eles tivessem os mais altos dons, e no máximo grau, se lhes faltasse amor, seriam insignificantes. Na verdade, não seriam nada. Podemos ter sucesso e obter bons resultados, podemos ser admirados, apreciados e aplaudidos, mas, sob o ponto de vista de Deus e da eternidade, se nos faltar amor, nada seremos.
Paulo está condenando a carnalidade da igreja de Corinto e mostrando que a única saída para uma igreja carnal e imatura é o remédio do amor. Paulo diz que a vida comunitária sem amor não é nada (13.1-3); a seguir, ele descreve o que o amor é, o que o amor não é, e o que o amor faz (13.4-7).
O amor é superior aos dons por duas razões: Pelas suas qualidades e pela sua perenidade. Os dons cessam, o amor não. Os dons são apenas para este mundo. Eles são para a igreja militante. Porém, o amor é eterno. O amor é também para a Igreja triunfante. O amor transcende a História. Ele é eterno.
Paulo menciona cinco dons espirituais que a igreja de Corinto reputava como os mais importantes: línguas, profecia, conhecimento, fé, e contribuição sacrificial (dinheiro e vida). Paulo argumenta com a igreja que esses dons sem amor não têm nenhum valor.
A melhor linguagem do céu ou da terra, sem amor, é apenas barulho.
Jesus disse: “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros” (Jo 13:34 e 35).
O dom de línguas
“A um é dada, mediante o Espírito, a palavra da sabedoria; e a outro, segundo o mesmo Espírito, a palavra do conhecimento; a outro, no mesmo Espírito, a fé; e a outro, no mesmo Espírito, dons de curar; a outro, operações de milagres; a outro, profecia; a outro, discernimento de espíritos; a um, variedade de línguas; e a outro, capacidade para interpretá-las” (1Co 12:8-11).
• Há algumas passagens no NT que se referem ao dom de línguas (Mc 6; At 2; 10 e 19; 1ª Co 12 e 14);
• Estariam 1ª Coríntios 12 e 14 se referindo a algum tipo de fala estática produzida pelo Espírito Santo e ininteligível tanto ao que fala como ao que ouve? Seria uma linguagem angélica? Seria uma linguagem que só Deus entende? Seria uma linguagem usada no passado e que nos desaprendemos? Seria uma linguagem estrangeira que não aprendemos anteriormente?
• A expressão línguas é usada quatro vezes em 1ª Coríntios 12, duas vezes em 1ª Coríntios 13, dezessete vezes em 1ª Coríntios 14. Em todas estas passagens a palavra no grego é ‘glossa’, assim como em Marcos quando Jesus profetiza que falariam novas línguas e em Atos 2 falando das línguas do pentecostes;
• O termo ‘glossa’ designando língua compreensível excede de longe ao uso no grego não bíblico como fala estranha e antiquada. Podemos afirmar que ‘glossa’ não se refere a uma fala estática;
• Em nenhum lugar na Bíblia ‘glossa’ se refere a língua estática ou desconhecida;
• “O dom original no dia de Pentecostes consistia em idiomas humanos perfeitamente falados. A pronúncia de sons que não podem ser identificados com qualquer linguagem humana não é apenas uma perversão, mas uma falsificação do genuíno” (SDA Bible Commentary, vol. 12, 619);
• “Os judeus tinham sido dispersados por quase todos os países, e falavam vários idiomas. ... Esta diversidade de linguagem era um grande obstáculo para o trabalho dos servos de Deus em anunciar a doutrina de Cristo nas partes mais afastadas da Terra. Ter Deus suprido a deficiência dos apóstolos de maneira milagrosa, foi para o povo a mais perfeita confirmação do testemunho desses mensageiros de Cristo” (HR, 242);
• A finalidade do dom de línguas no dia de Pentecostes foi missionária. O dom foi dado para evangelização (Atos 2);
• No início da igreja, havia a necessidade do dom de línguas, ou o domínio de línguas estrangeiras. O evangelho precisava ser comunicado ao mundo, e a maior parte dos cristãos, depois da ascensão, não possuía o domínio de línguas estrangeiras;
• Algumas palavras-chave em 1ª Coríntios 14: Verso 2 (entende); Verso 3 (edificando); Verso 4 (edifica); Verso 6 (por meio de revelação); Verso 9 (compreensível); Verso 12 (edificação); Verso 14 (mentes); Verso 16 (entende); Verso 19 (entendimento); Verso 20 (juízo). O ponto-chave de tudo é não fazer nada que a Igreja não entenda, ou que não edifique. Se ninguém entende o que está sendo dito, ninguém é edificado;
• O dom de línguas só tem valor se a língua puder ser compreendida ou interpretada, para que as pessoas que ouvem sejam edificadas (1Co 14:5);
• O dom de línguas tratado em 1ª Coríntios é, muito provavelmente, a capacidade concedida pelo Espírito Santo de falar idiomas estrangeiros;
• Nas quatro listas de dons do NT o dom de línguas só aparece em duas e sempre em último (1Co 12:10 e 28-30). Seria isso coincidência? Ou Paulo queria colocar o dom de línguas considerado o mais importante em seu devido lugar?
• É fato que Paulo sempre enumera línguas como um dom espiritual nunca sendo algo satânico;
• O fato de uma pessoa usar o dom de forma errada não deve nos levar para o outro extremo, o de proibi-lo. A igreja de Corinto usou de forma errada a Santa Ceia; contudo, Paulo não proibiu a igreja de celebrar a Santa Ceia. O importante é corrigir a prática e não proibi-la. Paulo diz que falar em línguas em particular tem o seu valor de autoedificação (1Co 14:2,3,28). Se Deus lhe deu esse dom, usufrua-o para a sua edificação. Se Deus não lhe deu, não tenha complexo de inferioridade.
Conselhos e orientações do apóstolo Paulo sobre o dom de línguas em 1ª Coríntios 14:
1- Se alguém falar noutra língua, que seja feito por dois ou quando muito por três;
2- Estes dois ou três devem falar um após o outro não simultaneamente;
3- Deve haver um intérprete;
4- Se não houver intérprete, deve ficar calado (1Co 14:27 e 28).
Posição da Igreja Adventista do Sétimo Dia sobre o dom de línguas.
1- As línguas faladas em Atos 2, 10 e 19 eram línguas naturais e usadas por algum povo ou nação;
2- Os apóstolos continuaram usando este dom na pregação do evangelho após a dispersão do grupo;
3- Ainda hoje, Deus pode outorgar o dom de línguas a certas pessoas que nunca falaram outro idioma, se Ele achar isso necessário;
4- O dom de línguas é concedido a alguém de forma especial, como um milagre.
A razão pela qual o falar em línguas deve ser acompanhado de interpretação é que as línguas precisam ser compreensíveis (1Co 14:9); do contrário, não há proveito em usar o dom (1Co 14:6). Isso explica por que Paulo deu tanta ênfase à interpretação e ao entendimento.
O culto é para a edificação e não para exibição. Mas a igreja de Corinto estava transformando o culto num palco de exibição em vez de um canal para edificação.
Erros relacionados ao uso do dom de variedade de línguas:
1. Dar mais valor a esse dom do que aos outros;
2. Pensar que o dom de línguas é uma prova de espiritualidade;
3. Pensar que todos os crentes devem ter esse dom (1Co 12:30);
4. Pensar que todos podem falar em línguas ao mesmo tempo em culto público (1Co 14:27);
5. Na Corinto do 1º século, experiências místicas como profecia e fala em êxtase eram comuns nas religiões gregas e romanas. Essas experiências, muitas vezes, estavam associadas à possessão divina aos cultos de mistério e aos oráculos. Nesse estado de êxtase, as pessoas falavam e eram interpretadas pelos sacerdotes e esse tipo de fala, em êxtase, era considerado um sinal do favor divino e de discernimento espiritual, de modo semelhante à forma como alguns coríntios viam o falar em línguas. Essa prática foi importada pela igreja de Corinto e assim, as pessoas se sentiam arrebatadas em espírito e começavam a falar algo que ninguém entendia e de forma descontrolada. Alguns chegavam a entrar em tal estado de êxtase e descontrole que clamavam: Anátema Jesus! Paulo condena esta prática;
6. Pensar que podiam falar em outras línguas no culto público sem interpretação (1Co 14:2,5,9,11,13,16,27, 28,40). No culto deve existir ordem e decência. O culto é racional. Ele apela ao entendimento. Ele precisa ser consistente e coerente. Entremear na oração frases em outra língua (sem interpretação) não é sinal de maturidade, mas de desobediência ao ensino das Escrituras;
7. Pensar que a oração em línguas é superior à oração na língua pátria (1Co 14:13).
O dom de profecia
Nas 4 listas de dons do NT o dom de línguas só aparece em duas e sempre em último (1Co 12:10 e 28-30), o dom de profecia aparece nas 4, (1Co 12:10 e 28-30, Rm 12:6, Ef 4:11). Seria isso coincidência?
• Havia um problema em Corinto em se tratando de dons, e a questão parece ser quanto ao ranking dos dons, especialmente profecia e falar em línguas;
• O Apocalipse indica que o dom de profecia é uma característica distintiva da igreja remanescente (Ap 12:17; 19:10);
• Em termos gerais, 4 regras devem ser atendidas na vida de um profeta:
1- Suas predições se cumprem (Dt 18:22; Jr 28:8, 9);
2- Suas mensagens concordam com a dos profetas anteriores (Dt 13:1; Is 8:20);
3- Sua vida diária demonstra compromisso com Cristo (1Jo 4:1-3);
4- Seus frutos são reconhecidos (Mt 7:15-20).
• Se Deus não está sendo glorificado, então, essa profecia não é verdadeira;
• A profecia tem como finalidade a edificação da igreja (1Co 14:3);
• Um profeta verdadeiro se coloca debaixo da instrução e da autoridade das Escrituras. Quando alguém questiona a autoridade das Escrituras, dizendo que Deus fala direto com ele, isso é uma prova de que se trata de um falso profeta.
Duas considerações sobre o entendimento comum das profecias:
• Profecia não é um plano para o futuro, e sim, a descrição, no presente, do que o futuro será. É algo como se desse para viajar para o futuro, ver o que acontece e retornar ao presente;
• Profecia é a história de nosso mundo escrita por Deus antes de acontecer. História é a profecia de Deus escrita pelos homens, depois de acontecer. Há aqueles que estão ansiosos para escrever a história antes de a profecia acontecer. Isso sempre termina em erro.
A Bíblia é única, afinal quase 30% de seu conteúdo corresponde a profecias. Nenhum outro texto religioso de qualquer outra religião do mundo contém profecias, uma vez que a cosmovisão dessas religiões não é a de um Deus transcendente separado da criação, mas sim de deuses que fazem parte da natureza e que, portanto, sempre fizeram parte da criação. A profecia preditiva fornece à Bíblia um mecanismo interno para testar a precisão do seu testemunho.
A profecia pressupõe que:
• Deus é capaz de comunicar eventos futuros que não podem ser conhecidos ou previstos pelos seres humanos;
• O conhecimento de Deus é perfeito com relação aos eventos que ocorrerão no futuro;
• Deus tem um plano derradeiro para o seu povo. “Certamente, o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem primeiro revelar o seu segredo aos seus servos, os profetas” (Am 3:7).
Conclusão:
O mesmo Espírito que concedeu os dons também os revelará a nós, e eis aqui alguns passos para nos ajudar a descobrir os dons que Deus nos deu:
1- Ore pedindo a ajuda de Deus;
2- Esteja disposto a colocar seus dons em prática;
3- Procure conhecer acerca dos dons espirituais;
4- Busque fazer o que lhe dá satisfação;
5- Experimente o máximo que puder;
6- Avalie de maneira honesta os resultados;
7- Busque opinião de outras pessoas, principalmente pessoas espirituais.
O Deus que nos chama para Seu serviço nos equipa para esse serviço.
Louvo a Deus pelas maravilhosas lições que podemos aprender de Sua Palavra e é por isso que sou apaixonado pela Escola Sabatina! #lesadv