Comentários da Lição da Escola Sabatina

O DOM DE PROFECIA

Quarto Trimestre de 2026


Lição 2 – O chamado de um profeta

Destaques do Pastor Eber Nunes #lesadv

• O hebraico tem três palavras para identificar a palavra “profeta”: “chozeh”, que significa profeta, vidente, ligado àquele que vê ou tem uma visão. A segunda palavra é “nabi”, que é mais frequentemente usada para “profeta”, e significa: “aquele que fala com Deus”. A terceira palavra é “foeh”, que também é traduzida como vidente, ou aquele que sabe discernir a vontade de Deus, aquele que recebe visões para guiar a nação. A palavra no NT grego é “prophetes”, que significa “aquele que prediz”;

• Profeta é para prever o futuro? Há profetas na Bíblia que não predisseram praticamente nada, o ministério desses profetas estava focado no presente;

• Ser profeta é falar como representante de Deus. Deus quer nos mostrar como termos a salvação, quer nos mostrar o Seu amor. A principal preocupação de Deus não é só dizer o que acontecerá ano que vem ou amanhã. O profeta fala do amanhã, sim, se necessário;

• Comparando o ofício dos sacerdotes e profetas, podemos afirmar que os sacerdotes representavam o povo diante de Deus, enquanto os profetas representavam a Deus diante do povo. Os sacerdotes recebiam o sacerdócio por hereditariedade, mas os profetas eram chamados especificamente para exercer seu ministério. Essa independência lhes garantia a liberdade de entregar sua mensagem e falar com toda clareza, assinalando os pecados do povo e de seus líderes e chamando-os ao arrependimento;

• Um verdadeiro profeta nunca irá contradizer a Palavra revelada de Deus, ele dirá como o profeta Micaías, pouco antes de seu fatídico confronto com Acabe: “Tão certo como vive o Senhor, o que meu Deus me disser, isso falarei” (2Cr 18:13);

• O profeta aponta para Deus mesmo quando o coração do povo aponta para os ídolos;

• A voz dos profetas não só exprimia os desígnios do Senhor, mas também desafiava as equivocadas decisões reais, os falsos conselhos dos sacerdotes e ainda repreendia o povo e os falsos profetas.

A vocação profética não era para todos. Aceitar tamanho compromisso com uma missão nem sempre simpática não era atraente. Ser profeta nos tempos bíblicos era uma missão marcada por rejeição, solidão e perseguição constante por parte de líderes e do próprio povo:

• Os profetas enfrentavam forte resistência de reis, sacerdotes e da sociedade quando confrontavam o pecado, a injustiça social e a idolatria;

• O ser humano quer ouvir o que gosta e não o que precisa;

• O ministério do profeta era constantemente investigado por críticos que tentavam descredibilizar a mensagem ou acusá-lo de rebeldia ou falsidade;

• Anunciar juízos divinos iminentes gerava angústia profunda no próprio mensageiro, que muitas vezes sofria ao ver o sofrimento do seu povo ou a dureza dos corações diante dos apelos de Deus;

• Havia concorrência de vozes populares que diziam falar em nome de Deus, mas transmitiam mensagens agradáveis ou falsas para satisfazer os poderosos, enquanto o verdadeiro profeta trazia uma mensagem impopular de correção e verdade;

• Ao longo de toda a monarquia, aproximadamente 120 profetas tiveram a ousadia de repreender, em nome do Senhor, a 40 reis.

Abraão, guardião da aliança

Juntamente com a sentença que Deus pronunciou sobre a humanidade por causa do pecado, veio também a promessa de que um Salvador haveria de vir e restaurar-nos ao nosso devido lugar no Universo (Gn 3:15). Por não suportar a presença direta de Deus, a comunicação divina com o ser humano não mais seria face a face, mas por meio de Cristo, Seus anjos, Seu Espírito e por Seus servos. Abraão foi o primeiro a ser mencionado pela Bíblia como profeta, mas o ministério profético começou bem antes dele, Abel (Lc 11:46 a 52), Enoque (Jd 14 e 15) e Noé (2Pe 2:5), também profetizaram.

Abraão foi um dos homens mais influentes que já existiram. Ele não governou nenhum império, não comandou nenhum exército, nem mesmo se envolveu em qualquer ato impressionante de heroísmo, não realizou milagres, não anunciou profecias nem arrebanhou multidões. No entanto, hoje, mais de cinco bilhões de pessoas sobre a Terra, de alguma forma se identificam como seus herdeiros. Ele é o pai das três maiores religiões monoteístas do mundo (islamismo, judaísmo e cristianismo);

• Abraão é a primeira pessoa a quem o autor de Gênesis dedicou bastante tempo, aproximadamente um quarto do livro;

• Abraa~o e´ citado 234 vezes em todo o AT. No NT, seu nome e´ citado 74 vezes;

• Ao lado de Moise´s ele e´ a figura do AT mais recordada no NT.

“Agora, pois, restitui a mulher a seu marido, pois ele é profeta” (Gn 20:7).

• Deus disse a Abimeleque que devolvesse a esposa Sara a Abraão porque ele era profeta;

• Abraão ouvia a voz de Deus, recebia orientações divinas diretas e firmava alianças com o Criador;

• Jesus afirmou que Abraão viu o seu dia com alegria (Jo 8:56), tendo uma compreensão espiritual profunda dos planos futuros de Deus e da vinda do Messias;

• Abraão orientava sua casa e seus descendentes a seguirem os caminhos do Senhor, praticando a justiça e o juízo.

O chamado de Deus a Abraão demonstrou uma nova estratégia na comunicação com Suas criaturas caídas. Ele não somente chamou um homem, mas deu-lhe também a promessa de que teria uma descendência e deu-lhe a esperança de que seria o pai de uma grande nação. Essa nova nação deveria evangelizar as pessoas e manter vivos os propósitos de Deus no mundo. Não seria apenas mais um líder ou uma pessoa que seria chamada para ser o porta-voz de Deus, mas uma nação inteira deveria atender ao Seu convite (Gn 12:1-3). Dessa forma, Deus demonstrou qual era a Sua vontade para com todas as pessoas, especialmente aquelas que deveriam ser uma bênção no mundo, no lugar onde estivessem (Gn 12:2).

A história de Abraão nos ensina que o verdadeiro profeta:

1- Está disposto ao sacrifício. “Toma teu filho, teu único filho, Isaque, a quem amas, … oferece-o ali em holocausto” (Gn 22:2);

2- Está pronto para obedecer à vontade de Deus. “Levantou-se, pois, Abraão de madrugada” (Gn 22:3). Deus revelou à noite e de madrugada ele já saiu. Se Deus está nos mostrando que algo precisa ser feito, o momento é agora;

3- Tem certeza de que os planos de Deus vão se cumprir. “Tinha Abraão cem anos, quando lhe nasceu Isaque, seu filho” Gn 21:5.

A mensagem de Elias

“Então, Elias se chegou a todo o povo e disse: Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o; se é Baal, segui-o” (1Rs 18:19-39).

• Elias foi um profeta que surgiu em cena na história profética de forma inesperada e repentina. Muito pouco é mencionado a seu respeito (1Rs 17:1). Ele surge em um momento de grande apostasia espiritual, durante o reinado do ímpio Acabe e sua esposa Jezabel. Sob influência da rainha idólatra, Acabe havia levado o reino à completa apostasia em relação a Jeová. Baal estava agora presente nos templos e nos locais de culto, antes consagrados ao Deus de Israel. Como consequência de sua rebelião, uma forte seca havia sido determinada sobre Israel, através dos lábios do valente profeta Elias. Deus o estava utilizando para reconduzir o povo à adoração verdadeira;

• O Monte Carmelo foi escolhido para ser o palco da batalha entre Jeová e Baal, através dos seus respectivos representantes humanos;

• Os 300 de Gideão eram um para cada 450 midianitas; Elias estava sozinho contra 850 falsos profetas (1Rs 18:19). Elias sabia que um com Deus é maioria;

• Elias propõe uma prova na qual apenas o verdadeiro Deus poderia sair vitorioso;

Após reunir o povo, Elias fez um apelo que deve servir como exemplo para os púlpitos de hoje: “Até quando coxeareis entre dois pensamentos?” (1Rs 18:21);

“Elias restaurou o altar do SENHOR, que estava em ruínas” (1Rs 18:30);

• Restaurar o Altar de Deus é o maior de todos os empreendimentos, seja no campo pessoal, familiar ou institucional;

• O povo teve a oportunidade de ver o quanto é ridículo adorar a um deus falso. Puderam lembrar-se da beleza da adoração no santuário, do sacerdócio levítico e de como Deus Se fazia presente no meio do Seu povo;

• O convite de Elias representou o convite de Deus: “cheguem-se a Mim” (1Rs 18:30);

• Para mostrar ao povo que Deus não necessita de ajuda humana, 12 cântaros de água foram jogados sobre o sacrifício de Elias;

• Em um período de extrema seca, Elias solicitou um “desperdício” tão grande de água. Mas isto também fazia parte da lição que Deus queria ensinar-lhes;

• Ao contrário da ladainha proferida durante todo o dia pelos profetas de Baal, Elias inicia uma oração humilde e sincera, provinda de um coração que sabia que somente o poder e a misericórdia de Deus é que poderia tirar o povo daquele estado de apostasia;

• Após umas poucas palavras de oração do profeta, o fogo desce veloz do céu;

• Todos puderam comprovar que Jeová ainda estava vivo.

Isaías, o profeta do evangelho

Os quatro evangelhos mencionam o chamado de Isaías (Mt 13:14; Mc 4:10; Lc 8:10; Jo 12:40). Diante de toda a majestade de Deus, o profeta Isaías se sentiu humilhado.

“Então, disse eu: ai de mim! Estou perdido!” (Is 6:5-7).

• Isaías estava perdido, mas Deus o achou;

• Antes de ganharmos pecadores precisamos entender que somos pecadores.

“Então, um dos serafins voou para mim, trazendo na mão uma brasa viva” (Is 6:5-7).

• Brasas vivas eram levadas para dentro do Lugar Santíssimo no Dia da Expiação (Lv 16:12) quando era oferecido sacrifício para expiação dos pecados.

“Com a brasa tocou a minha boca e disse: Eis que ela tocou os teus lábios” (Is 6:5-7).

• O lábio foi tocado porque era a parte a ser usada pelo profeta. Seus lábios representavam sua fala e sua identidade. Como o profeta Isaías realizaria, literalmente, a obra de um porta-voz, isto significa que ele seria, em certo sentido, a boca de Deus para os homens.

“Ela tocou os teus lábios; a tua iniquidade foi tirada, e perdoado, o teu pecado” (Is 6:7).

• Antes de sermos enviados, necessitamos ser perdoados;

• A contemplação começa revelando quem você é, mas termina mostrando o que Deus pode fazer.

“Depois disto, ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Disse eu: eis-me aqui, envia-me a mim” (Is 6:8).

• Os quatro evangelhos mencionam o chamado de Isaías (Mt 13; Mc 4; Lc 8; Jo 12; At 28:26);

• A prontidão do profeta em se oferecer à obra missionária, sem mais hesitação, deve ser um exemplo para milhares de crentes que, tendo o privilégio de frequentar a igreja com regularidade, de estudar livremente a Bíblia, sem perseguições, nunca permitem que um conceito de dedicação, de vocação, de missão, venha a demovê-los de seu egoísmo comodista e irresponsável;

• Todo aquele que recebeu o milagre do perdão aceitará com alegria o desafio da missão;

• O impacto do perdão é seguido pelo impacto da proclamação!

• ‘Eis-me Aqui’, sempre será a melhor resposta para um chamado de Deus.

• Esse chamado é para pregar o Servo Sofredor vitorioso apresentado no capítulo 53.

“Quem creu em nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do SENHOR?” (Is 53:1).

• Este capítulo (Is 53), escrito pelo profeta Isaías sete séculos antes do nascimento de Cristo, até parece ter sido escrito por uma testemunha da crucificação;

• Esta é a passagem que o etíope estava lendo que lhe desvendou o mistério do Messias, graças ao oportuno estudo bíblico feito por Filipe (At 8:26-40);

• Foi sobre essa passagem que Jesus fez perguntas aos rabinos com a tenra idade de 12 anos. Foi a meditação sobre Isaías 53 que trouxe a Ele a primeira luz da Sua missão como substituto para a humanidade pecadora;

• Este é o capítulo que mais do que qualquer outro tem sido usado por Deus para trazer o povo judeu a Si mesmo. Ele tem a ver com a essência da missão de Jesus e Sua morte substitutiva na cruz pela humanidade;

• O NT cita esta parte mais do que qualquer outra do AT (Mc 15:17, Jo 10:11; 12:37, Rm 3:25 a 4:25, 2Co 5:21; Fp 2:9);

• Sete citações deste capítulo são feitas no NT à pessoa de Jesus. Declara-se oito vezes, neste capítulo, a doutrina da expiação vicária (substituta 2Co 5:21);

• Policarpo, o pai da igreja do se´culo II e disci´pulo do apo´stolo Joa~o, referiu-se a Isaías 53 como “o texto a´ureo sobre a paixa~o de Cristo no AT”;

• Agostinho chamou o livro todo de Isai´as de “o quinto Evangelho”, e esse ti´tulo aplica-se, particularmente, ao capi´tulo 53;

• Martinho Lutero declarou que todo crista~o deveria memorizar a histo´ria de Isai´as 52:13–53:12;

• O famoso comentarista do Antigo Testamento do se´culo XIX, Franz Delitzsch, escreveu: “Esse texto ja´ derreteu a dureza do corac¸a~o de inu´meros israelitas! Parece que foi escrito a` sombra da cruz”.

“Quem creu em nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do SENHOR?” (Is 53:1).

• Os seres humanos rejeitaram o Filho de Deus porque Ele não apresentava a beleza de um príncipe. Os seres humanos não deveriam ser atraídos a Cristo por meio de demonstração de glória sobrenatural, mas pela beleza de uma vida justa (DTN, 23, 27, 43). Ele não era o tipo de Messias em que os judeus estavam interessados;

• Ellen G. White escreveu: “Vendo através dos séculos as cenas do sacrifício expiatório do Salvador, o profeta Isaías testificara que o Cordeiro de Deus ‘derramou a Sua alma na morte; foi contado com os transgressores; contudo, levou sobre Si o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu’ (Is 53:12). O Salvador profetizado viria, não como um rei deste mundo, para livrar a nação judaica de opressores terrestres, mas como um Homem entre homens, para viver uma vida de pobreza e humildade e ser por fim desprezado, rejeitado e morto. O Salvador predito nas Escrituras do Antigo Testamento Se ofereceria como sacrifício em favor da raça decaída, cumprindo assim cada requisito da lei quebrantada. Nele, os tipos sacrificais encontrariam seu antítipo, e Sua morte na cruz daria significado a todo o sistema judaico” (AA, 227, 228);

• Jesus foi desprezado e rejeitado ao longo de toda a Sua vida, não apenas durante o Seu julgamento e crucificação. Ele realmente está familiarizado com a tristeza e o pesar. Quando sentimos que o mundo está contra nós, não devemos esquecer que ele também estava contra Jesus. Por experiência própria, Ele certamente se identifica com nossos sentimentos.

“Todavia, ao SENHOR agradou moê-lo” (Is 53:10-12).

• Aqui temos a explicação da cruz do ponto de vista de Deus;

• O Senhor não Se alegrou com o sofrimento de Seu Servo, o Messias. Em vista do bem-estar eterno do ser humano e da segurança do universo, Ele teve de sofrer. A frase “ao Senhor agradou” indica que isso “foi da vontade do Senhor”. Só assim o plano de salvação poderia ter êxito.

Há muitos debates entre os estudiosos sobre a identificação do Servo no cântico dos capítulos 52 e 53. Os estudiosos judeus desde a antiguidade se dividem na identificação do Servo com o Messias ou com o próprio povo de Israel, mas se seguirmos a interpretação inspirada, não há dúvida de que esse Servo sofredor é Cristo (Rm 10:16).

Daniel, o profeta fiel

• Daniel 2 é a história do mundo em 49 versos;

• Esse capítulo é sem dúvida, o capítulo profético mais conhecido de toda a Bíblia;

• Em Daniel 2 aparece, pela primeira vez, a sucessão dos reinos do mundo até a chegada do reino eterno de Deus.

Nabucodonosor estava se consolidando no poder e para que isso acontecesse mais rápido, ele se envolveu em várias campanhas militares. Era o segundo ano de seu reinado (603 a.C.) e ele ainda estava no período de transic¸ão. Essa era a época mais prova´vel de surgirem rebelio~es e revoltas. Certa noite, ao se deitar, ele começou a pensar nas implicações de suas conquistas. Ele subjugara reinos e destes trouxera cativos de alta estirpe a Babilônia. Certamente, muitos o odiavam. E se surgisse um poder mais forte que fizesse com ele e seu império o que ele havia feito com aquelas nações? E se os cativos, alguns dos quais eram parte de sua própria corte, promovessem um levante para tirá-lo do trono? (Dn 2:28). Apreensivo, o rei finalmente adormeceu e teve um sonho terrível, que parecia confirmar-lhe os temores. O sonho lhe ocorreu, pelo menos, duas vezes (Dn 2:1 e 2).

• Na Babilônia de 2.600 anos atrás, acreditava-se que os sonhos eram dados pelos deuses. Os sonhos eram uma forma de comunicação entre o mundo sobrenatural e o mundo dos humanos. Os sonhos poderiam prever desastres, conspirações e ate´ assassinatos de reis;

• Nabucodonosor viu uma estátua que era uma representação dos seus próprios deuses, afinal, Daniel 5 informa que os deuses de Babilônia eram de ouro, prata, bronze, ferro, madeira e pedra (v. 3), quase a mesma sequência de materiais que compunham a estátua vista no sonho do rei;

• Cria-se naquele tempo que quando uma nação conquistava outra, os deuses da nação conquistadora eram mais poderosos que os deuses da nação conquistada. Se o sonho mostrava que uma pedra destruiria a representação dos deuses babilônicos, então, na mente do rei, era certa a existência de um poder superior ao da própria Babilônia, e que por fim aniquilaria o seu domínio. Daí o desespero do rei;

• Babilônia também era considerada um monte destruidor (Jr 51:24 e 25), mas, outro poder tomaria o lugar dela e se transformaria numa montanha mundial triunfante;

• A cultura do antigo Oriente Médio com frequência usava a estátua de um ser humano para representar o destino do mundo. Estudiosos dizem que o uso de uma estátua para designar o destino de uma nação era algo natural principalmente no Egito, o que implica que Nabucodonosor já estava familiarizado com esse tipo de informação;

• Deus se aproximou de Nabucodonosor por meio de um sonho porque, evidentemente, esse era o meio mais eficaz de impressionar a mente dele com a importância da mensagem transmitida (CBA, vol. 4, 843).

“Estando tu, ó rei, no teu leito, surgiram-te pensamentos a respeito do que há de ser depois disto” (Dn 2:24-30).

• Deus revelou para Daniel até o que o rei pensava antes de dormir e sonhar;

• No sonho, Deus mostrou uma imagem familiar ao rei. Grandes esta´tuas eram bem conhecidas no mundo antigo, mas geralmente representavam deuses. Ale´m disso, o uso de metais para representar as diferentes e´pocas histo´ricas tambe´m ja´ era conhecido pelo menos um se´culo antes de Nabucodonosor, como vemos nos escritos de Hesi´odo (c. 700 a.C.). Assim, parece que o Senhor usou algumas imagens com as quais o rei ja´ estava familiarizado para transmitir uma mensagem totalmente desconhecida para ele;

• Há duas fases do sonho:

1- A primeira introduz a estátua de proporções gigantescas formada por quatro metais em ordem decrescente de valor, da cabeça de ouro aos pés de ferro e barro;

2- A segunda fase introduz a destruição da estátua por uma pedra cortada, que se torna uma grande montanha, que enche toda a Terra (Dn 2:35).

Essa estranha associação possui três níveis de significado:

1- Será um reino dividido. Realmente, desde a queda de Roma, a região ocupada pelo império não possui unidade, e de fato, jamais terá;

2- Por uma parte o reino será forte por outra será fraco. O ferro indica força e o barro fraqueza. O território do Império Romano é uma coleção de nações forte e fracas, ricas e pobres. O metal que simboliza Roma está misturado com o barro, mas não é um barro simples, é o ‘barro do oleiro’ (Dn 2:41);

3- Misturar-se-ão. A mistura de ferro e barro representa todas as tentativas feitas para restaurar a hegemonia de comando e governo que partiam de Roma, mas sem sucesso. Desde casamentos entre governantes até a União Europeia atual.

Desde 476 d.C., que assinala o fim do Império Romano, já se vão 1.549 anos.

“Como viste que do monte foi cortada uma pedra, sem auxílio de mãos” (Dn 2:44-45).

• A pedra corresponde à segunda parte do sonho; é a parte mais importante da visão e ocupa a maior parte do sonho do rei;

• A visão opõe a pedra à estátua, afinal a pedra é lançada contra a estátua;

• Quando a pedra cumpre seu papel, ela se torna uma grande montanha;

• O novo reino estabelecido pela pedra subsistirá para sempre;

• Deus não precisa de ajuda humana para cumprir Seus propósitos, por isso a pedra vem sem auxílio de mãos humanas.

João Batista, preparando um povo

João Batista é um dos personagens mais fantásticos da Bíblia. Filho do idoso sacerdote Zacarias e primo de Jesus, o menino veio à existência de forma miraculosa. Sua principal missão foi preparar o caminho para o ministério de Cristo. Antes de nascer, um anjo disse a seu respeito: “Será grande aos olhos do Senhor. Ele nunca tomará vinho nem bebida fermentada, e será cheio do Espírito Santo desde antes do seu nascimento” (Lc 1:15).

O Batista viveu na contramão dos padrões humanos. Em vez de habitar em palácios, o jovem cresceu no deserto, acompanhado pelo silêncio e pela solidão. Em vez de frequentar banquetes e festas da alta sociedade, o rapaz vestido de pele de camelo se habituou a comer gafanhotos e mel silvestre. Não poderia ser diferente a história dessa grande personalidade, a maior “entre os que nasceram de mulher” (Lc 7:28)?

Ele cresceu no anonimato, mas sua influência foi tão grande que multidões deixavam os grandes centros para ouvi-lo no palco do deserto. Foi justamente a sua diferença em relação ao mundo que atraiu os pecadores à beleza do evangelho. Sua mensagem tocava desde o simples camponês até os mais poderosos da nação. Ao falar de arrependimento e conversão, o Batista era tão certeiro como um machado afiado junto à raiz de uma árvore.

“Todas estas coisas foram referidas a João pelos seus discípulos. E João, chamando dois deles, enviou-os ao Senhor para perguntar: És tu aquele que estava para vir ou havemos de esperar outro?” (Lc 7:19 e 20).

• Na época dessa pergunta, João Batista já estava preso havia vários meses. Durante esse tempo ele ouviu falar dos poderosos ensinamentos de Jesus, de seus milagres e de como sua fama se espalhava “por toda a Judeia” (Lc 7:17);

• O fato é que o ministério de Jesus, tão focado em obras de misericórdia, não se encaixava de forma alguma com a mensagem que o próprio João havia proclamado. Essa mensagem, aliás, não era sobre misericórdia, mas sobre julgamento: “Toda árvore que não dá bom fruto é cortada e lançada ao fogo” (Mt 3:10). “Aquele que vem depois de mim os batizará com o Espírito Santo e com fogo” (Mt 3:11). Onde estava o fogo? Em outras palavras, o que Jesus fez e disse, seus sermões e seus milagres, não eram exatamente o que João esperava;

• O que o Senhor disse aos emissários de João Batista? Ele não lhes deu uma resposta imediata. Em vez disso, Ele continuou Sua obra: “Naquele mesmo instante, Jesus curou muitos que sofriam de doenças, enfermidades e espíritos malignos, e deu vista a muitos cegos”. Então, disse aos mensageiros: “Contem a João o que vocês viram e ouviram” (Lc 7:21-22). Em outras palavras: “Contem a João que a profecia messiânica de Isaías está se cumprindo à risca”. Em que sentido? “O Senhor me enviou […] para proclamar boas-novas aos aflitos, para curar os de coração quebrantado, para proclamar libertação aos cativos” (Is 61:1). Digam a João que estou realizando Minha obra, “não com bramido de armas e queda de tronos e reinos, mas falando aos corações” (DTN 194);

• Quando você pensar que Deus o abandonou, ou tiver dúvidas se Ele cumprirá Suas promessas em sua vida, lembre-se de que o plano de Deus se desenrola não de acordo com “nossa agenda”, mas de acordo com Seus propósitos divinos;

• O que entendemos agora, entenderemos mais tarde.

João preparou o caminho para a vinda do Messias e também participou de um momento singular na história da redenção: ele batizou o próprio Salvador da humanidade. Foi lá no rio Jordão que Jesus iniciou Seu ministério de 3,5 anos. A partir de então, todos os holofotes se voltaram para Cristo.

Chamada para o ministério profético

Deus chama profetas em momentos específicos, para propósitos especiais e com as mensagens de que o povo precisa naquele tempo. Nesse contexto, os adventistas do sétimo dia creem que em Ellen White se manifestou, mais recentemente, o dom de profecia, desempenhando papel semelhante ao de um profeta não canônico.

Ellen Harmon (depois White) recebeu seu primeiro chamado em dezembro de 1844. Poucas semanas antes, os crentes mileritas passaram por um dos episódios mais devastadores de sua história, o grande desapontamento. Foi nesse cenário que Deus deu a Ellen Harmon sua primeira visão.

A mensagem principal era animar tanto ela quanto os crentes desapontados, mostrando que Deus ainda estava com eles, apesar de sua interpretação equivocada. A visão mostrava um caminho que ia da Terra à Jerusalém celestial. Nesse caminho, crentes adventistas caminhavam rumo à cidade santa: “Se conservavam o olhar fixo em Jesus, que Se achava precisamente diante deles, guiando-os para a cidade, permaneciam seguros” (PE, 32).

Essa visão era uma boa notícia. Deus começava a suscitar um novo movimento a partir da confusão do desapontamento. Jesus ainda estava com eles. Ele ainda voltaria. Continuava conduzindo-os no caminho da salvação. Tudo o que precisavam fazer era manter o olhar “fixo” Nele. Havia fortes razões para não perder a esperança, mesmo em meio a tanta turbulência e frustração.

Assim, Ellen Harmon, então uma adolescente de 17 anos, foi chamada para o ministério profético. Seu caminho não seria fácil, especialmente no início. Embora esse dom tenha sido gradualmente reconhecido como genuíno, Ellen White tinha receio de ser mensageira de Deus. Ser profeta nunca foi tarefa simples ou prestigiosa. Como, então, ela se submeteria ao chamado divino? Na próxima semana, examinaremos mais de perto a obra especial e os desafios enfrentados pelos profetas do Antigo Testamento – desafios que também se refletem na vida e no ministério de Ellen White.

Louvo a Deus pelas maravilhosas lições que podemos aprender de Sua Palavra e é por isso que sou apaixonado pela Escola Sabatina! #lesadv


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