Comentários da Lição da Escola Sabatina

1 E 2 Coríntios

Terceiro Trimestre de 2026


Lição 1 – Ministério de Paulo em Corinto

Destaques do Pastor Eber Nunes #?lesadv

Deus não é um líder distante. Ao contrário, Ele deseja estar perto do Seu povo. Esse princípio é visto em toda a Bíblia: Êxodo 25:8: “E Me farão um santuário, para que Eu possa habitar no meio deles”. João 1:14: “E o Verbo Se fez carne e habitou entre nós”. Paulo, como imitador de Cristo, desenvolveu esse mesmo princípio em seu ministério. Em diferentes cartas, ele expressa seu profundo desejo de estar com as igrejas que pastoreava. Aos cristãos de Roma escreveu: “Porque desejo muito vê-los” (Rm 1:11). Aos tessalonicenses declarou: “Oramos noite e dia, com máximo empenho, para que possamos ir vê-los pessoalmente” (1Ts 3:10). Aos filipenses confessou: “Deus é testemunha da saudade que tenho de todos vocês” (Fp 1:8). Embora fossem cidades diferentes, igrejas diferentes e circunstâncias diferentes, o desejo de Paulo era sempre o mesmo: estar presente. Quando isso não era possível, ele encontrava outra maneira de diminuir a distância. Suas cartas não eram apenas respostas a problemas doutrinários ou morais; eram uma extensão de sua presença pastoral. Quando a presença física não é possível, o amor encontra outros caminhos para se fazer presente. Cada carta comunicava ensino, correção, encorajamento e, acima de tudo, demonstrava que aqueles irmãos não haviam sido esquecidos. “A ausência de Paulo das igrejas sob seus cuidados era parcialmente suprida por correspondências cheias de palavra poderosas e impactantes, que costumavam ser recebidas como a Palavra de Deus [...]. Essas epístolas eram lidas nas igrejas” (A Vida de Paulo, 76).

As cartas do NT também nos mostram que nunca houve uma época em que a igreja foi perfeita. Essas cartas foram escritas justamente porque as igrejas enfrentavam desafios reais, muitos deles extremamente sérios, tanto de natureza moral quanto doutrinária. Desde o início do cristianismo, a igreja foi composta por pessoas em processo de transformação, e não por pessoas perfeitas. Hoje, uma ligação telefônica, uma mensagem ou uma videoconferência resolveriam rapidamente a maioria dessas questões. No mundo antigo, porém, isso era impossível. É nesse contexto que surgem as cartas aos Coríntios, documentos inspirados que continuam extremamente relevantes para a igreja de hoje.

Paulo, apóstolo de Jesus, chamado por Deus

“Paulo, chamado pela vontade de Deus para ser apóstolo de Jesus Cristo” (1 Co 1:1).

• A palavra grega “apóstolos” (?p?st????) aparece cerca de 79 vezes no texto grego do NT. Esse é um termo específico do contexto do NT, não aparecendo no AT;

• Paulo se apresenta como apóstolo em 9 das suas cartas (Rm 1:1; 1Co 1:1; 2Co 1:1; Gl 1:1; Ef 1:1; Cl 1:1; 1Tm 1:1; 2Tm 1:1; (Tt 1:1);

• O verbo grego “apostellein”, “enviar”, subjacente ao substantivo apóstolos, surpreendentemente, é raramente usado na literatura grega fora do NT. O uso de uma palavra relativamente incomum para identificar um ministério crucial na igreja cristã apostólica pode ter sido uma tentativa consciente de comunicar a importância fundamental do ministério dos apóstolos, bem como a função única daqueles que foram enviados.

Provas de um verdadeiro apóstolo?

1- Ter visto a Jesus (1Co 9:1; At 1:21,22). Um apóstolo era uma testemunha da ressurreição de Cristo (At 2:32; 3:15; 5:32; 10:39-43). Paulo viu o Jesus ressurreto na estrada de Damasco. Ele mesmo afirma à igreja de Corinto: “Depois de todos, foi visto também por mim, como por um nascido fora de tempo” (1Co 15:8);

2- Ter realizado sinais. “Pois as credenciais do apostolado foram apresentadas no meio de vós, com toda a persistência, por sinais, prodígios e poderes miraculosos” (2Co 12.12).

A identidade missionária de Paulo está enraizada em 3 aspectos:

(1) A experiência de seu chamado, na qual viu o Senhor ressurreto (1Co 15:8; Gl 1:15);

(2) A sua comissão recebida de Deus para proclamar o evangelho (Gl 1:1; At 9:15);

(3) Os frutos de seu ministério apostólico, representados pelos conversos e pelas novas igrejas (1Co 9:2).

Atos apresenta vários testemunhos de Paulo que recontam seu chamado, sua comissão e seus frutos, ressaltando a importância desses elementos para o seu ministério. Embora reconheça sua excelente formação aos pés de mestres renomados e sua filiação à rigorosa seita dos fariseus, sua identidade não está fundamentada no prestígio ou nas realizações, mas em seu encontro com Jesus Cristo.

• Com a morte de Judas Iscariotes, Matias foi escolhido para substituí-lo (At 1). Mais tarde, o próprio Jesus apareceu a Saulo, e o comissionou para ser apóstolo junto aos gentios;

• Alguns crentes da igreja de Corinto questionavam a autenticidade do apostolado de Paulo. Alguns o consideravam um impostor;

• Paulo fala sobre seu chamado e apostolado como cumprimento da vontade de Deus. Ele está seguro de que sua vocação não vem de homens, mas de Deus (Gl 1:1);

• Cristo não é apenas o centro do apostolado de Paulo; é o centro de sua vida. Seus pensamentos e afeições estavam cheios da presença de Cristo. Prova disso é que ele menciona Jesus repetidamente nas seções introdutórias de 1 Coríntios (saudação e ação de graças) – 9 vezes em 9 versos (1Co 1:1-9);

• Paulo fala muito de muitos temas: Fé (pistis) 142 vezes; Espírito (pneuma) referente ao Espírito Santo, 115 vezes; Cruz (stauros) 110 vezes; Graça (charis) 105 vezes; Lei (nomos) 95 vezes; Igreja (eklesia) 52 vezes; Cristo (Jesus, Cristo, Jesus Cristo, Senhor Jesus Cristo) 396 vezes. De fato, Jesus era o centro da vida de Paulo.

De Atenas a Corinto

Em Bereia, a reação inicial à pregação de Paulo foi muito positiva (At 17:11, 12). A disposição dos bereanos de avaliar pelas Escrituras a mensagem de Paulo é digna de louvor e imitação, mas nem isso importa se essa atitude não for acompanhada da decisão de aceitar a graça de Deus. Ao saber do grande êxito de Paulo, seus inimigos tessalonicenses reagiram imediatamente. Foram a Bereia e usando o mesmo método que tão bom resultado lhes havia dado em sua cidade, alvoroçaram as multidões contra Paulo somente (At 17:13). Não incluíram seus companheiros. “Imediatamente”, diz Lucas, “os irmãos enviaram Paulo para o litoral, mas Silas e Timóteo permaneceram em Bereia” (At 17:14). Os bereanos, nobres em seu trato com a verdade que Paulo lhes transmitia, foram também nobres para com ele. Acompanharam-no até Atenas (At 17:15-16).

Atenas era o nome da cidade, dado em homenagem à deusa Atena (deusa da sabedoria, da guerra, das ciências e das artes. “Atenas era a metrópole do paganismo. Ali Paulo não se encontrou com uma população crédula e ignorante, como em Listra, mas com um povo famoso por sua inteligência e cultura. Em todos os lugares estavam à vista estátuas de seus deuses e de heróis divinizados da história e da Poesia, enquanto magnificentes arquiteturas e pinturas representavam a glória nacional e o culto popular de deidades pagãs. O senso do povo estava empolgado com o esplendor e a beleza da arte. De todos os lados, santuários, altares e templos representando enorme despesa, exibiam suas formas maciças. Vitórias das armas e feitos de homens célebres eram comemorados pela escultura, relicários e placas. Tudo isto fez de Atenas uma vasta galeria de arte” (AA, 233 e 234).

• Paulo se mostrou tão inconformado com o paganismo reinante que decidiu manter 2 pontos de pregação: aos sábados, na sinagoga local, e nos demais dias em praça pública;

• “Não demorou que os grandes homens de Atenas ouvissem a respeito da presença em sua cidade de mestre tão singular, que estava apresentando perante o povo doutrinas novas e estranhas. Alguns desses homens procuraram Paulo e entraram em conversação com ele. Logo uma multidão de ouvintes se lhes reuniu em torno” (AA, 235);

• “A experiência do apóstolo Paulo ao defrontar-se com os filósofos de Atenas encerra uma lição para nós. Ao apresentar o evangelho no Areópago, Paulo enfrentou a lógica com a lógica, ciência com ciência, filosofia com filosofia. Os mais sábios de seus ouvintes ficaram atônitos e emudecidos. Suas palavras não podiam ser controvertidas. Pouco fruto, porém, produziu seu esforço. Poucos foram levados a aceitar o evangelho. Daí em diante Paulo adotou uma diversa maneira de trabalhar. Evitava os argumentos elaborados e as discussões de teorias e, em simplicidade, encaminhava homens e mulheres a Cristo como o Salvador dos pecadores” (AA, 234).

Paulo fez um convite ao arrependimento aos atenienses e o fez de maneira indireta, para não ofendê-los, mas dando-lhes, de todas as formas, a oportunidade de arrepender-se. “Ora, não levou Deus em conta os tempos da ignorância; agora, porém, notifica aos homens que todos, em toda parte, se arrependam” (At 17:30).

As respostas ao apelo de Paulo em Atenas foram variadas:

(1) “Uns escarneceram” (At 17:32);

(2) “A respeito disso te ouviremos noutra ocasião” (At 17:32);

(3) “Alguns homens... creram” (At 17:34).

A cidade de Corinto

“Depois disto, deixando Paulo Atenas, partiu para Corinto” (At 18:1).

• Paulo foi o primeiro cristão a entrar em Corinto. Lá ele permaneceu por 1 ano e 6 meses e fundou uma igreja.

A cidade de Corinto:

• Corinto era uma das principais rotas de comércio do mundo. William Barclay diz que todo o tráfego da Grécia passava por esta cidade, que recebia gente de várias partes do mundo todos os dias;

• Corinto era a capital da Acaia e era a principal cidade da Grécia;

• Corinto tinha sido destruída pelos romanos em 146 a.C. e foi reconstruída em 44 a.C. por Júlio César como uma colônia romana. Logo se tornou um importante centro político e econômico, estrategicamente localizada na parte oriental do Império Romano. Seus 2 portos, Cencreia, a leste, e Lequeu, a oeste, ofereciam uma ligação terrestre segura entre os mares Egeu e Jônico. O controle de Corinto sobre esses 2 portos e sobre a estrada que cruzava o istmo de 6 quilômetros de largura permitia à cidade cobrar impostos tanto do comércio norte-sul quanto do leste-oeste;

• O próspero comércio de Corinto permitiu que Paulo se mantivesse fabricando e vendendo tendas enquanto anunciava o evangelho (At 18:2, 3);

• Corinto se destacava nos esportes com seus jogos ístmicos, realizados a cada 2 anos. Competidores de todo o mundo eram atraídos por esse torneio, somente superado pelas olimpíadas atenienses;

• Em Corinto a juventude fervilhava e a cidade pulsava vida;

• Em Corinto havia uma universidade;

• Estando perto de Atenas, capital intelectual do mundo de então, Corinto também transpirava cultura;

• Corinto era uma cidade altamente intelectual. O principal costume da cidade era ir para as praças e ouvir os grandes filósofos e pensadores exporem suas ideias. Era uma cidade que transpirava cultura e conhecimento;

• As estimativas indicam que a população de Corinto no tempo de Paulo era de 600.000 habitantes, número grande para aquele tempo;

• A população de Corinto era bem diversificada, por Corinto passavam gregos, romanos e judeus;

• Por ser uma cidade relativamente jovem, Corinto também era menos controlada por antigas tradições e mais aberta a novas ideias. A psicologia da religião sinaliza que uma igreja numa cidade nova e florescente tem mais probabilidade de crescimento do que em uma cidade antiga.

Corinto era um lugar de oportunidade e de desafios ao evangelho:

• Corinto era sinônimo de imoralidade. Certamente ela foi uma das cidades mais depravadas da história antiga. Estrabão, geógrafo e historiador grego, menciona a existência de 1000 prostitutas “sagradas” que participavam do culto no templo de Afrodite. Embora muitos estudiosos vejam esse número com desconfiança e o relacionem à propaganda ateniense contra Corinto, a prostituição ritual era real no mundo antigo;

• Corinto era caracterizada por gritante pluralismo religioso (1Co 8:5), evidenciado pelos numerosos santuários construídos em homenagem a deuses como Apolo, Atena e Afrodite, entre outros – e até pelo culto de divindades egípcias, como Serápis e Ísis.

Paulo em Corinto:

• Paulo entendeu que se o evangelho pudesse triunfar em Corinto, ele poderia vencer em qualquer outra circunstância;

• Plantar uma igreja em Corinto era abrir janelas de evangelização para o mundo;

• “Uma vez estabelecida em Corinto, a mensagem cristã seria prontamente comunicada a todas as partes do mundo” (A Vida de Paulo, 69).

O ministério de Paulo em Corinto seguiu um padrão conhecido. Ele visitou primeiro a sinagoga no sábado (At 18:4) e concentrou seu ensino, quando fora convidado a ler as leituras semanais da Torá, na vida, morte e ressurreição de Jesus (At 18:5). Ao apresentar a verdadeira interpretação de textos messiânicos bem conhecidos, Paulo conseguiu dialogar com os membros judeus da comunidade em um terreno familiar. No entanto, sua interpretação e pregação frequentemente geravam conflito e tensão durante suas viagens missionárias, o que o levou, em Corinto, a direcionar sua atenção para os “tementes a Deus”.

“Em sua pregação do evangelho em Corinto, o apóstolo seguiu um método diferente do que caracterizara seu trabalho em Atenas [...]. Decidiu evitar discussões e argumentos elaborados e se propôs a nada saber entre os coríntios ‘senão a Jesus Cristo e este crucificado’” (AA, 155).

Muita gente nesta cidade

“Paulo se entregou totalmente à palavra, testemunhando aos judeus que o Cristo é Jesus. Opondo-se eles e blasfemando, sacudiu Paulo as vestes e disse-lhes: Sobre a vossa cabeça, o vosso sangue! Eu dele estou limpo e, desde agora, vou para os gentios... Teve Paulo durante a noite uma visão em que o Senhor lhe disse: Não temas; pelo contrário, fala e não te cales; porquanto eu estou contigo, e ninguém ousará fazer-te mal, pois tenho muito povo nesta cidade” (At 18:4-10).

• Paulo ficou em Corinto mais tempo que em qualquer outra cidade até então (At 18:11);

• Em Corinto Paulo viveu na casa de Áquila e Priscila, judeus expulsos de Roma por determinação de Cláudio (At 18:2);

• Embora Paulo defendesse que os evangelistas vivessem do evangelho, ele trabalhava pelo seu sustento. Naqueles tempos, a igreja ainda não estava organizada para sustentar os pregadores. Enquanto Paulo realizava esse trabalho, Silas e Timóteo, que haviam permanecido em Bereia, chegaram a Corinto para ajudá-lo em sua tarefa (At 18:5). Trouxeram-lhe uma oferta especial enviada pelos macedônios. Com esse auxílio, Paulo pode se dedicar “exclusivamente à pregação” (At 18:5);

• “Os esforços do apóstolo não estavam restringidos à pregação pública; muitos havia que não poderiam ser alcançados desta maneira. Ele despendeu muito tempo no trabalho de casa em casa, prevalecendo-se assim das relações familiares do círculo doméstico. Visitava os enfermos e tristes, confortava os aflitos, animava os oprimidos. Em tudo o que dizia e fazia engrandecia o nome de Jesus. Trabalhava assim "em fraqueza, e em temor, e em grande tremor". I Cor. 2:3. Ele tremia ao pensamento de que seus ensinos pudessem revelar mais o humano que o divino” (AA, 250);

• A rejeição enfrentada pelo apóstolo foi muito forte em Corinto;

• “Opondo-se eles e blasfemando” (At 18:4-10). Quando o verbo grego blasfemeo (“blasfemar”) tem como alvo um ser humano, o sentido é “insultar” ou “difamar”. Em outras palavras, Os coríntios tentaram manchar a reputação de Paulo e impedir seus esforços missionários;

• “Embora Paulo tivesse tido certa medida de êxito em Corinto, a impiedade que viu e ouviu naquela corrupta cidade quase o desanimou. A depravação que testemunhou entre os gentios, e o desdém e insultos recebidos dos judeus, produziram-lhe grande angústia de espírito. Duvidou da sabedoria de procurar estabelecer uma igreja com o material que ali se encontrava” (AA, 133);

• Paulo então lhes disse: “Caia sobre a cabeça de vocês o seu próprio sangue! Estou livre da minha responsabilidade. De agora em diante irei para os gentios” (At 18:6);

• Como estivesse planejando deixar a cidade para ir a um campo mais promissor, e buscasse fervorosamente compreender o seu dever, o Senhor lhe apareceu em visão, e disse: “Não temas, mas fala, e não te cales; porque Eu sou contigo, e ninguém lançará mão de ti para te fazer mal, pois tenho muito povo nesta cidade” (At 18:9 e 10). Paulo compreendeu ser isto uma ordem para permanecer em Corinto e uma garantia de que o Senhor faria germinar a semente lançada. Fortalecido e animado, continuou a trabalhar lá, com zelo e perseverança;

• “Tivesse o apóstolo sido a este tempo compelido a deixar Corinto, e os conversos à fé de Jesus teriam sido colocados em perigosa posição. Os judeus ter-se-iam empenhado em aproveitar a vantagem obtida, até mesmo à exterminação do cristianismo naquela região” (AA, 254).

Felizmente, o trabalho de Paulo naquela sinagoga não foi em vão. Deus conduzia Sua missão e havia prometido: “[Minha palavra] não voltará para Mim vazia” (Is 55:11). Para surpresa de muitos, Crispo, o chefe da sinagoga, e toda a sua família creram em Jesus e foram batizados (At 18:8). E não foram apenas eles: “Muitos dos coríntios, ouvindo, creram e foram batizados” (At 18:8).

As cartas de Paulo aos coríntios

• Paulo estava em Éfeso quando escreveu 1ª Coríntios (1Co 16:5-9), por volta do ano 55 d.C.;

• Paulo se identifica claramente como o autor de 1º Coríntios (1Co 1:1) e, em 1 Coríntios 16:21, inclui uma referência à sua assinatura escrita de próprio punho;

• 1 Coríntios é uma das cartas mais extensas do NT. Assim como Romanos, possui 16 capítulos, totalizando 433 versos. Trata-se de uma carta pastoral dirigida a uma igreja recém-estabelecida que enfrentava sérias questões éticas, teológicas e interpessoais;

• Esta é uma das cartas paulinas mais práticas e aplicáveis à vida da igreja;

• Membros da família de Cloe levaram-lhe a notícia de que as coisas não iam bem em Corinto (1Co 1:11);

• Apesar da abundância de dons espirituais, a igreja de Corinto estava dividida e marcada por inúmeros problemas;

• A expressão “a respeito de” ou “quanto a” (peri de, em grego) introduz novos assuntos, respondendo às perguntas enviadas pela igreja;

• Um de seus grandes ensinos é que a liberdade cristã nunca deve ser confundida com libertinagem.

2º Coríntios:

• Esta carta foi escrita cerca por volta do ano 56 d.C. Ela é composta por 13 capítulos, totalizando 257 versos, e contém muitas informações pessoais sobre o apóstolo Paulo.

• Talvez seja a carta mais pessoal e emocional escrita por Paulo;

• Esta carta é menos sistemática em sua estrutura doutrinária e mais voltada ao testemunho pessoal do apóstolo;

• Esta carta descreve de maneira abrangente a compreensão que o apóstolo tinha de seu ministério apostólico. Alguns utilizaram a expressão em latim apologia pro vita sua, “defesa de sua vida”, como uma designação apropriada do conteúdo e do foco de 2 Coríntios;

• O apóstolo responde a diversas acusações falsas feitas por seus opositores e defende a autenticidade de seu ministério;

• Em 2 Coríntios, percebemos que os cristãos de Corinto eram influenciados pela cultura ao redor. Eles valorizavam a competição, o poder e a riqueza, elementos que também podem desafiar a igreja hoje. Em contrapartida, Paulo procurou formar uma cultura centrada em Cristo, um modo de enxergar o mundo pelas lentes do evangelho;

• A carta termina com a conhecida bênção apostólica: “A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vocês”, uma saudação que ainda hoje encerra muitos cultos cristãos.

A igreja de Corinto estava localizada em um centro urbano dominado pela sensualidade, idolatria e egolatria. Este contexto influenciou profundamente a igreja, a ponto de os membros estarem divididos e com muitas práticas contrárias à Palavra de Deus.

Essa carta tem muito a nos dizer: é “uma das mais ricas, instrutivas e poderosas de todas as suas cartas” (AA, 192).

Alguns temas tratados por Paulo nestas cartas não são temas ligados à nossa realidade e cultura, como a circuncisão, o cobrir a cabeça, alimento oferecido a ídolos, mas mesmo no estudo desses tópicos nós temos muito a aprender, afinal, Paulo trata de uma perspectiva teológica mesmo quando o tema parece periférico.

Mais cartas aos coríntios:

• A Bíblia contém duas cartas a Corinto. Mas Paulo escreveu pelo menos mais uma. Em 1º Coríntios 5:9, ele se refere a instruções dadas numa carta anterior;

• Tudo indica também que 1º Coríntios é uma resposta a algumas perguntas que foram enviadas por correspondência a Paulo (1Co 7:1), talvez em resposta a uma carta anterior que o apóstolo tinha enviado e que já não existisse mais, possivelmente mencionada em 1 Coríntios 5:9;

• É muito provável que tenha havido outras trocas de cartas entre Paulo e a comunidade cristã em Corinto, após essa 1ª, que não estão mais disponíveis para nós;

• Paulo pode ter escrito 3 ou 4 cartas aos coríntios (2Co 10:9). Ele escreveu uma primeira carta antes de 1 Coríntios, mas que se perdeu (1Co 5:9). E, antes de 2 Coríntios, escreveu uma carta referida pelos estudiosos como “carta severa”, também perdida (2Co 2:3, 4, 9; 7:8). Alguns entendem que essa “carta severa” seja 1ª Coríntios; outros sugerem que seu conteúdo esteja preservado em 2 Coríntios, ao menos em parte;

• Assim, sabemos que Paulo escreveu pelo menos 3 cartas a Corinto e eles lhe escreveram pelo menos uma.

Conclusão:

Algumas traduções da Bíblia chamam 1ª e 2ª Coríntios de ‘Epístola’ outras de ‘Carta”.

• Os 2 termos estão corretos, mas há uma pequena diferença de ênfase;

• Carta é o termo mais amplo e comum. Refere-se a uma correspondência enviada de uma pessoa para outra ou para um grupo de pessoas;

• Epístola é um tipo de carta com caráter mais formal, literário, público e didático. No contexto bíblico, “epístola” tornou-se o termo técnico para as cartas inspiradas do NT;

• No caso de 1 e 2 Coríntios, elas são, ao mesmo tempo Cartas, porque foram escritas por Paulo para uma igreja real, em uma situação histórica específica, respondendo a problemas concretos; e Epístolas, porque, além de resolver questões locais, foram preservadas pelo Espírito Santo como Escritura e passaram a instruir toda a igreja ao longo dos séculos.

Louvo a Deus pelas maravilhosas lições que podemos aprender de Sua Palavra, e é por isso que sou apaixonado pela Escola Sabatina!#lesadv


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