Lição 7 – Cidadania celestial
Destaques do Pastor Eber Nunes #?lesadv
“Portanto, meus irmãos, amados e mui saudosos, minha alegria e coroa” (Fp 4:1).
• Paulo está fazendo suas últimas recomendações a igreja de Filipos, igreja que era para Paulo sua “alegria e coroa” (Fl 4:1);
• A igreja de Filipos nasceu num parto de dor, mas trouxe muitas alegrias ao apóstolo, ela associou-se a Paulo desde o início para socorrê-lo em suas necessidades, era uma igreja sempre presente e solidária;
• Na língua grega, há 2 tipos diferentes de coroa: ‘diadema’ significa “coroa real”, e ‘stefanos’, a coroa do atleta que saía vitorioso dos jogos gregos;
• ‘Stefanos’ era uma coroa de louros que o atleta recebia sob os aplausos da multidão que lotava o estádio. Ganhar essa coroa era a ambição suprema do atleta. No entanto, também, ‘stefanos’ era a coroa com a qual se coroavam os hóspedes quando participavam de um banquete nas grandes celebrações. Quando Paulo diz que o Filipenses são sua “coroa”, ele usa a palavra ‘stefanos’;
• É como se Paulo dissesse que os Filipenses são a coroa de todas as suas fadigas, esforços e empenhos. Ele era o atleta de Cristo, e eles, a sua coroa. É como se dissesse que, no banquete final de Deus, os Filipenses seriam a sua coroa festiva.
Modelos de conduta
“Sede imitadores meus e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (Fp 3:17).
• A palavra grega traduzida como “modelo (symmimetes)”, neste texto, aparece apenas uma vez no NT, o que sugere que Paulo a havia escolhido deliberadamente para transmitir uma mensagem muito específica e única;
• Uma tradução bem literal significa “co-imitador” [“companheiro imitador”], ou seja, alguém que se une a outros como imitador;
• Paulo cunhou esse termo para enfatizar seu desejo de que houvesse um esforço comunitário em seguir seu exemplo;
• Essa noção é semelhante ao que ele mesmo diz em 1 Coríntios 11:1: “Sejam meus imitadores, como também eu sou de Cristo”. Em última instância, Cristo é o modelo perfeito para os cristãos. Em Cristo, os crentes podem se tornar bons modelos para os outros, como Paulo também indica em 1 Tessalonicenses 2:14: “Tanto é assim, irmãos, que vocês se tornaram imitadores das igrejas de Deus que se encontram na Judeia e que estão em Cristo Jesus”;
• Paulo era um modelo tanto na teologia quanto na vida. Seu ensino e seu caráter eram aprovados. Sua vida confirmava sua doutrina, e sua doutrina norteava a sua vida;
• Embora seja errado depositar toda a nossa confiança em qualquer homem, é hipócrita para todo cristão dizer: “Façam o que eu digo, não o que eu faço”;
• Paulo não se considerava alguém sem pecado e não pensava que era o único que poderia ser um bom modelo. Ele disse aos Filipenses para observarem aqueles que viviam assim na maneira como falam.
“Muitos andam entre nós... que são inimigos da cruz de Cristo” (Fp 3:18-19).
• Paulo mostra que devemos ser criteriosos acerca dos nossos modelos;
• Não devemos imitar os falsos mestres;
• Paulo entende que o exemplo pessoal é parte essencial do ensino. O mestre deve praticar a doutrina que professa e demonstrar em ação a verdade que expressa em palavras;
• Alguns afirmavam que Paulo estava falando para os judaizantes (Fp 3:2), que criam em uma salvação meritória. Outros pensam que as palavras do apóstolo fossem dirigidas aos libertinos, os sensualistas glutões e grosseiramente imorais, aqueles que transformaram a liberdade cristã em libertinagem (Gl 5:13; 1Pe 2:11).
“Vos digo, até chorando, que são inimigos da cruz de Cristo” (Fp 3:18-19).
• Paulo tem firmeza e doçura nas suas palavras. Ele exorta com a clareza da sua mente e com a profundidade do seu coração. Ele tem argumentos irresistíveis que emanam da sua cabeça e convencimento pelas lágrimas grossas que rolam da sua face;
• Paulo não é um apologeta ferino e frio, mas argumenta com irresistível clareza e com a eloquência das lágrimas. Paulo chora sobre aqueles a quem ele ensinou e sobre aqueles a quem repreendeu (At 20:19; 2Co 2:4);
• Em Paulo, havia uma sincera união de verdade e amor. Ele advertiu sobre o erro e chorou sobre aqueles que permaneceram nele;
• O apóstolo era não só um homem de agudo discernimento e inquebrantável decisão, mas também de emoção ardente;
• Spurgeon acreditava que Paulo chorou por 3 razões. Primeiro, ao considerar a culpa desses inimigos da cruz. Segundo, ao considerar os efeitos nocivos de sua conduta. Finalmente, ao considerar sua própria condenação;
• “Nunca li que o apóstolo chorou quando foi perseguido. Embora suas costas fossem açoitadas, creio que ele nunca derramou uma lágrima enquanto os soldados o chicoteavam. Embora tenha sido preso, lemos sobre seus cânticos, nunca sobre suas queixas. Não creio que ele jamais tenha chorado por causa de qualquer sofrimento ou perigo ao qual ele próprio tenha sido exposto por amor a Cristo. Chamo isso de tristeza extraordinária, porque o homem que chorou não era um sentimentalista frágil e raramente derramava uma lágrima, mesmo nas provações mais sérias” (Spurgeon);
• “Os mestres da religião, que entram na igreja e ainda levam vidas ímpias, são os piores inimigos da cruz de Cristo. Esses são os tipos de homens que trazem lágrimas aos olhos do ministro; esses são os que quebram seu coração; eles são os inimigos da cruz de Cristo” (Spurgeon).
“O destino deles é a perdição” (Fp 3:19).
• A palavra traduzida como “perdição” é a mesma palavra usada para destruição em outros lugares. Provavelmente, a condenação final é o que se quer dizer.
Permaneçam firmes no Senhor
“A nossa pátria está nos céus” (Fp 3:20 e 21).
• Os Filipenses valorizavam muito a sua cidadania romana e assim como eles podiam se considerar cidadãos de Roma e estavam sujeitos às leis e costumes romanos (mesmo estando, na verdade, longe de Roma), os cristãos devem se considerar cidadãos do céu;
• Paulo estava dizendo: Assim como os colonos romanos nunca se esqueceram de que pertenciam a Roma, vocês nunca devem se esquecer de que são cidadãos do céu; e a sua conduta deve estar de acordo com a sua cidadania;
• Os cristãos devem ser tão marcados pela sua cidadania celestial que possam ser notados como diferentes.
“A nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, o qual transformará o nosso corpo de humilhação” (Fp 3:20 e 21). Nesses 2 versos temos as bases da nossa esperança:
1. O céu é a nossa Pátria. Paulo utiliza o substantivo “pátria, politeuma”, que não se encontra em nenhuma outra parte do NT. Assim como Filipos era uma colônia de Roma em território estrangeiro, também a Igreja é uma “colônia do céu” na terra. Somos peregrinos neste mundo. Não somos daqui. O nosso nome está arrolado no céu (Lc 10:20), está registrado no livro da vida (Fp 4:3). É isso que determina nossa entrada final no país celestial (Ap 20:15). Por causa da expectativa de habitar em uma cidade superior, Abraão contentou-se em viver em uma tenda (Hb 11:13-16). Por causa da expectativa da recompensa do céu, Moisés dispôs-se a renunciar aos tesouros do Egito (Hb 11:24-26). Por causa da esperança de vivermos com Cristo no céu, devemos buscar uma vida de santidade hoje (1Jo 3:3);
2. A 2ª vinda de Jesus é a nossa esperança.
a) Aquele que vem é o Senhor Jesus Cristo. Nele nossa salvação foi realizada e consumada. Ele venceu a morte, ressuscitou, ascendeu ao céu e voltará;
b) Aquele que vem está assentado à destra do Pai, numa posição de honra (Hb 1:3);
c) Aquele que vem é o conteúdo da nossa esperança. A Igreja é a comunidade da esperança. Somos um povo que vive com os pés no presente, mas com os olhos no futuro. Vivemos cada dia na expectativa da iminente volta de Jesus. Cada geração sucessiva da Igreja desfruta o privilégio de viver como se fosse a geração que haverá de saudar o retorno de Cristo;
3. A glorificação é a nossa certeza inequívoca. O nosso corpo será glorificado na 2ª vinda de Cristo. Quando a trombeta de Deus soar, e Cristo vier com o Seu séquito de anjos, acompanhado dos santos glorificados, os mortos em Cristo ressuscitarão com corpos imortais, incorruptíveis, gloriosos, poderosos e celestiais (1Co 15:43-56). Os vivos, nessa ocasião, serão transformados e arrebatados para encontrar o Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor (1Ts 4:13-18).
Paulo conclui o capítulo 3 de Filipenses atingindo o grau mais alto da escada. Desde a conversão, com o seu repúdio a todos os méritos humanos (Fp 3:7), a justificação e a santificação, como alvo da perfeição sempre em mira (Fp 3;8-19), atinge a grande consumação, quando alma e corpo, a pessoa por inteiro, em união com todos os santos, glorificará a Deus em Cristo nos novos céus e nova terra, pelos séculos dos séculos. E tudo isso pela soberana graça e poder de Deus e para a Sua eterna glória.
“Portanto, meus irmãos, amados e mui saudosos, minha alegria e coroa, sim, amados, permanecei, deste modo, firmes no Senhor” (Fp 4:1).
• A palavra grega que Paulo usa para “estar firmes” é stekete. Essa palavra era aplicada ao soldado que permanecia firme em seu ímpeto na batalha ante a um inimigo que queria superá-lo;
• Em vez de dar atenção aos falsos mestres ou se entregar às desavenças internas, a igreja deveria pôr a sua confiança no Senhor Jesus e permanecer firme;
• “Firmes no Senhor”. Expressão favorita de Paulo, que a utiliza cerca de 40 vezes.
Na igreja de Filipos, havia perigos internos e externos. A igreja estava sendo atacada por falsos mestres e por falta de comunhão. A heresia e a desarmonia atacavam a igreja. Existiam problemas que vinham de dentro e problemas que vinham de fora; problemas doutrinários e relacionais. Diante desses perigos, Paulo exorta a igreja a permanecer firme no Senhor.
Alegrem-se sempre no Senhor
“Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos” (Fp 4:4-7).
• A repetição, “Outra vez digo”, indica que esse mandamento deve ser levado a sério;
• É importante notar que o apelo para se alegrar no Senhor não é apenas um bom conselho, mas um mandamento;
• Como sabemos por experiência, em um mundo cheio de pecado, é impossível viver sempre sob circunstâncias perfeitas. Então, como podemos nos alegrar sempre?
• Experimentar alegria em todo tempo só é possível “no Senhor”;
• A alegria foi um dos temas centrais na carta de Paulo aos Filipenses. O verbo grego chairo (“alegrar-se”) aparece 8 vezes (Fp 1:18 [duas vezes]; 2:17, 18, 28; 3:1; 4:4, 10); o verbo synchair? (“alegrar-se com”) ocorre duas vezes (Fp 2:17, 18); e o termo chara (“alegria”) aparece 5 vezes (Fp 1:4, 25; 2:2, 29; 4:1);
• O que tornou esse apelo à alegria ainda mais notável foi o fato de que quem o escreveu estava na prisão.
3 características da alegria para Paulo:
1- A alegria é uma ordenança, e não uma opção. Ser alegre é um mandamento, e não uma recomendação. Deixar de ser alegre é uma desobediência a uma expressa ordem de Deus. O evangelho trouxe alegria, o Reino de Deus é alegria, o fruto do Espírito é alegria, e a ordem de Deus é “alegrai-vos”;
2- A alegria é ultracircunstancial. Paulo diz que devemos nos alegrar sempre. Como a vida é um mosaico em que não faltam as cores escuras do sofrimento, nossa alegria não pode depender das circunstâncias. Na verdade, nossa alegria não é ausência de problemas. Não é algo que depende do que está fora de nós. Neste mundo, passamos por muitas aflições, cruzamos vales escuros, atravessamos desertos abrasados, singramos águas profundas, mas a alegria verdadeira jamais nos falta;
3- A alegria é cristocêntrica. Nossa alegria está centrada em Cristo. Quem tem Jesus, experimenta essa verdadeira alegria. Quem não tem Jesus, pode ter momentos de alegria, mas não a alegria verdadeira.
“Os cristãos devem ser as pessoas mais alegres e felizes que existem. Podem ter a consciência de que Deus é seu pai e amigo constante” (MJ, 281).
“Todos os que realmente se relacionaram, por experiência, com o amor e a terna compaixão de nosso Pai celestial transmitem luz e alegria onde quer que estejam” (MJ 282).
“Não deixe sua alegria depender de algo que você possa perder” (CS Lewis).
Alguns comentaristas da Bíblia rotularam o Filipenses como a carta da alegria;
? O tema do capítulo 1 é “Alegria nas provações”;
? O tema do capítulo 2 é “Alegria na humildade”;
? O tema do capítulo 3 é “Alegria na rendição”;
? O tema do capítulo 4 é “Alegria na gratidão”.
“Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças” (Fp 4:4-7).
• Estresse, depressão e ansiedade, trigêmeos que assolam o século, não respeitam mais idade, nem propriedade, rico e pobre;
• Durante a 2ª Guerra Mundial, o líder de um refúgio para crianças órfãs tinha dificuldade para fazê-las dormir. Elas se sentiam ansiosas e inseguras. Custava fazê-las pegar no sono. O medo da noite as assombrava. As dificuldades eram muitas. A escassez de alimentos as ameaçava, mas nunca lhes havia faltado o mínimo para a sobrevivência. O responsável das crianças teve uma ideia para acalmá-las. Toda noite, antes de elas dormirem, ele colocava ao lado de cada cama um prato com um pedaço de pão, garantindo-lhes que, pela manhã, elas teriam o que comer, o problema foi resolvido;
• O futuro parece ser o maior responsável por nossa ansiedade;
• Em meio à ansiedade do dia a dia, lembremo-nos: Se Deus cuida das flores do campo e as reveste com tanta beleza, o que Ele não fará por nós?
• O remédio de Deus para a ansiedade é a oração, a súplica e ações de graças.
“E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus” (Fp 4:4-7).
• Ainda que não haja paz na Terra, podemos encontrar paz em Deus (Jo 14:27);
• A paz de Deus é algo que o mundo jamais poderá oferecer, pois vem da certeza de que recebemos o dom da vida eterna por meio de Jesus, nosso Salvador (Rm 5:1; 6:23). Essa paz transforma todas as áreas da vida e “excede todo entendimento” (Fp 4:7). Ela não pode ser compreendida apenas pela razão, como indica a palavra grega nous (“mente”) usada nesse verso;
• A paz cristã, assim como a alegria, não depende das circunstâncias externas. Jesus disse: “Deixo com vocês a paz, a Minha paz lhes dou; não lhes dou a paz como o mundo a dá” (Jo 14:27). Novamente, esse tipo de paz era possível apenas no Senhor. Jesus também declarou: “Falei essas coisas para que em Mim vocês tenham paz” (Jo 16:33). Da mesma forma, ao usar a expressão “paz de Deus”, Paulo indicou que Deus é a fonte da paz. A expressão também pode significar “a paz produzida por Deus” ou “a paz que Ele concede”. Seja qual for o significado exato, os crentes podem experimentar a paz que “excede todo entendimento” (Fp 4:7) somente por meio de seu relacionamento com Deus. Paulo afirmou que a paz de Deus é possível apenas porque “o Deus da paz” estará com os cristãos (Fp 4:9).
3 verdades sobre a paz:
1- A paz que recebemos é uma paz divina, e não humana. A paz de Deus não é paz de cemitério. Não é ausência de problemas. Essa paz não é produzida por circunstâncias. O mundo não conhece essa paz nem pode dá-la (Jo 14:27). Governos humanos não podem gerar essa paz. Essa paz vem de Deus. A verdadeira paz não é encontrada no pensamento positivo, na ausência de conflito, ou em bons sentimentos; ela procede do fato de saber que Deus está no controle;
2- A paz de Deus transcende a compreensão humana. A despeito da tempestade do lado de fora, podemos desfrutar bonança do lado de dentro. A paz de Deus coexiste com a dor, com as lágrimas, com o luto e com a própria morte. Essa é a paz que os mártires sentiram diante do suplício e da morte. Essa é a paz que Paulo sentiu ao caminhar para a guilhotina, dizendo: “A hora da minha partida é chegada. Combati o bom combate, completei a carreira e guardei a fé. Agora, a coroa da justiça me está guardada” (2Tm 4:6–8);
3- A paz de Deus é uma sentinela celestial ao nosso redor. A palavra grega frurein é um termo militar para estar em guarda. Assim, “guardar” traz a ideia de uma sentinela, um soldado na torre de vigia, protegendo a cidade. A paz de Deus é como um exército protegendo-nos dos problemas externos e dos temores internos. Paulo diz que essa paz guarda os nossos corações (sentimentos errados) e nossas mentes (pensamentos errados), as nossas emoções e a nossa razão.
Como vivem os crentes conscientes de sua cidadania celestial? Vivem com alegria e paz.
Pensem nessas coisas
“Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento” (Fp 4:8 e 9).
• Paulo conclui afirmando que para vivermos alegres e em paz é preciso que cuidemos dos nossos pensamentos porque eles se transformam em ações, e as ações moldam o nosso caráter, e o nosso caráter determina o nosso destino;
• O apóstolo apresenta 6 virtudes, seguidas por um breve resumo delas e um incentivo para que os crentes sigam seu exemplo. Essa exortação final se encaixa bem no contexto greco-romano de Filipos, em que havia um forte enfoque tanto na virtude quanto no exemplo. No entanto, o destaque está nas virtudes bíblicas, o que fica evidente pela ausência das 4 virtudes cardeais gregas (prudência, justiça, temperança e coragem).
1- Verdadeiro (alethe) – Não por acaso, a lista começa com a virtude central da Bíblia: a verdade, frequentemente enfatizada por Jesus (“Em verdade, em verdade lhes digo”) e em todo o NT (At 26:25; Rm 1:18; 1Co 13:6; 2Co 4:2; Ef 4:15; 1Tm 3:15; Tg 1:18; 1Pe 1:22; 1Jo 2:21). 92% de tudo aquilo que ocupa a mente das pessoas, levando-as à ansiedade, são coisas imaginárias que nunca aconteceram ou envolvem questões fora do controle delas;
2- Respeitável – O termo grego se refere a uma virtude pessoal (1Tm 3:8, 11; Tt 2:2). Os crentes devem ser dignos e sinceros tanto em suas palavras quanto em seu comportamento;
3- Justo – Essa virtude é definida pelo caráter justo de Deus (Fp 1:7). A palavra grega dikaios enfatiza aqui uma correta relação com Deus e com os homens. Tendo recebido de Deus a justiça imputada e a comunicada, os crentes pensam com retidão;
4- Puro – Os pensamentos e as ações alinhados com a justiça que vem de Deus pela fé (1Jo 3:3). A palavra grega hagnos descreve o que é moralmente puro e livre de manchas. Ritualmente descreve algo purificado de tal maneira que se faz apto para ser oferecido a Deus e usado em seu serviço;
5- Amável – Refere-se à beleza e harmonia vistas amplamente na criação de Deus. A palavra grega prosphiles traz o significado de agradável, aquilo que suscita amor. Trata-se de algo que se auto-recomenda pela atração e encanto intrínsecos. São aquelas coisas que proporcionam prazer a todos, não causando dissabor a ninguém, à semelhança de uma fragrância preciosa;
6- De boa fama – Traduzido também como “admirável” (NVT); “amável, cativante e gracioso” (Amplified Bible, Classic Edition). A palavra grega euphemos significa literalmente “falar favoravelmente”. No mundo, há demasiadas palavras torpes, falsas e impuras. Nos lábios do cristão e em sua mente, devem existir somente palavras que são adequadas para ser ouvidas por Deus.
Ao invés de continuar sua seleção, Paulo faz um resumo de tudo: “se alguma virtude há”, do grego arete, cujo significado é “virtude moral”, e “se algum louvor existe”, do grego epainos, “aquilo que merece louvor ou que inspira a aprovação divina”. Ambos os termos descrevem as qualidades que devem marcar as atitudes e ações dos crentes.
O crivo para nossas escolhas e o conteúdo do que assistimos, pensamos, escutamos:
• É verdadeiro?
• É respeitável?
• É justo?
• É puro?
• É amável?
• É de boa fama?
• É virtuoso?
• É benéfico?
“O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso praticai” (Fp 4:9).
• Há uma íntima conexão entre “Seja isso que ocupe o vosso pensamento” (Fp 4:8) e “praticai” (Fp 4:9);
• Paulo conclui esse parágrafo falando da necessidade de praticar o que se aprendeu. Acumular conhecimento sem o exercício da vida cristã não nos torna crentes maduros. Precisamos ter olhos abertos para ver, ouvidos atentos para aprender e disposição para praticar o que aprendemos;
• A dinâmica do cristianismo deriva-se da união do conhecimento e da prática.
O segredo do contentamento
“Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece” (Fp 4:10 a 13).
• Qual era esse “segredo” do apóstolo Paulo para o contentamento?
• O termo grego que Paulo usa para a expressão “viver contente” é o adjetivo autarkes, que significa “autossuficiente, adequado, que não precisa de ajuda”. Como poderia um homem idoso, confinado em uma prisão romana, falar em “estar satisfeito”? A resposta parece estar em 2ª Coríntios 12:9, onde o apóstolo relata a ocasião em que orou 3 vezes a Deus para que o livrasse de uma dura provação (“o espinho na carne”, 2º Coríntios 12:7). Em resposta, o Senhor lhe disse: “A minha graça te basta”. Aqui, Paulo usa um termo que significa “ser suficiente, possuir força suficiente”. Esse era o segredo do apóstolo! Em meio às suas circunstâncias mais difíceis, o apóstolo aprendeu a maior das lições: que a graça de Deus é completamente suficiente para nos fortalecer em qualquer situação. E quanto maior a provação, mais imensamente maior o poder que Deus demonstra para nos ajudar, pois o Seu poder “se aperfeiçoa na fraqueza” (2º Co 12:9). Não é de admirar que Ele tenha dito: “Tudo posso naquele que me fortalece”;
• Há uma grande necessidade de encontrar contentamento no que se tem, sem buscar continuamente por mais, pelo maior e melhor. Estar satisfeito com o que se tem é o caminho para a alegria em qualquer situação em que nos encontrarmos. Como alguém já observou: “a comparação mata o contentamento;
• Infelizmente, vivemos numa época de descontentamento. Sociedades inteiras apostam no consumo como um meio para satisfazer os desejos humanos, mas na~o encontram satisfac¸a~o. Por isso, compram cada vez mais, ate´ encher suas casas e esvaziar o corac¸a~o. Por exemplo, cada fami´lia norte-americana tem, em me´dia, 13 carto~es de cre´dito. Pore´m, sera´ que esta~o felizes?
• Ha´ um poema de Jason Lehman, intitulado “Tempo Presente”, que expressa nosso descontentamento. Foi escrito quando ele tinha 14 anos e enviado pela avo´ para Abigail Van Buren, colunista do jornal Chicago Tribune:
? “Era primavera, mas era o vera~o que eu queria: os dias mornos e as brincadeiras ao ar livre. / Era vera~o, mas era o outono que eu queria: as folhas coloridas e o ar fresco e seco. / Era outono, mas era o inverno que eu queria: a neve bonita e a estac¸a~o das fe´rias. / Era inverno, mas era a primavera que eu queria: o calor e o florescer da natureza. / Eu era uma crianc¸a, mas era a maioridade que eu queria: a liberdade e o respeito. / Eu tinha 20 anos, mas era 30 que eu queria: ser maduro e sofisticado. / Eu estava na meia-idade, mas era 20 que eu queria: a mocidade e o espírito livre. / Eu estava aposentado, mas era a meia-idade que eu queria: a agilidade mental, sem limitações. / Enta~o minha vida terminou, e eu nunca consegui o que procurava”.
Conclusão:
O Dr. Thomas Lambie foi para a Etiópia como missionário médico. Depois de algum tempo, ele quis comprar um terreno para uma estação missionária. Uma lei etíope dizia que nenhum terreno podia ser vendido a estrangeiros. Como o Dr. Lambie tinha grande amor por Cristo e pelos etíopes, ele renunciou à sua cidadania americana e se tornou cidadão etíope. Então comprou as propriedades necessárias para seu trabalho. Da mesma forma, os crentes são pessoas que, por amor a Cristo, estão dispostas a renunciar à cidadania terrena em favor da celestial. Eles se veem como “estrangeiros e peregrinos na Terra” (Hb 11:13).
Louvo a Deus pelas maravilhosas lições que podemos aprender de Sua Palavra e é por isso que sou apaixonado pela Escola Sabatina! #lesadv