Lição 5 – Brilhando como estrelas na noite
Destaques do Pastor Eber Nunes #?lesadv
Após apresentar Jesus como o exemplo perfeito de humildade e obediência à vontade de Deus, resultando na sua morte de cruz (Fp 2:1 a ??, Paulo fez uma transição daquilo que Cristo fez para o que Deus fez para Ele e por Ele.
“Deus o exaltou sobremaneira” (Fp 2:9).
• O caminho da exaltação passa pelo vale da humilhação;
• Deus exalta aqueles que se humilham (Mt 23:13; Lc 14:11; 18:14; Tg 4:10; 1Pe 5:6). Foi por causa do sofrimento da morte que essa recompensa lhe foi dada (Hb 1:3; 2:9; 12:2);
• Jesus é a suprema ilustração de Sua própria afirmação: “Todo o que se exalta será humilhado; mas o que se humilha será exaltado” (Lc 18:14);
• Essa elevação de Jesus não foi a restituição da natureza divina porque Ele jamais a perdeu, mas foi a restituição da glória eterna que tinha com o Pai antes que houvesse mundo, da qual voluntariamente havia se despojado (Jo 17:5 e 24).
Deus exaltou a Jesus de maneira incomparável:
• A expressão “de maneira incomparável” é a tradução do verbo grego ‘hyperhypsoun’, que só aparece aqui em todo o NT;
• O significado desse versículo é: Ele foi “superexaltado”.
“Para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho” (Fp 2:9 a 11).
• A exaltação incomparável de Cristo consistiu no fato de Ele ter recebido um nome que está acima de todo nome;
• Por meio desse nome, os enfermos são curados (At 3:6), os perdidos são salvos (At 4:12), os crentes são perdoados (1Jo 2:12), os cativos são libertos (Lc 10:17), as orações são respondidas (Jo 16:23). Tudo que fazemos deve ser em nome de Jesus (Cl 3:17).
“Toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor” (Fp 2:9 a 11).
• O grande título pelo qual Jesus chegou a ser conhecido na igreja primitiva foi: Senhor (Kyrios). A palavra Kyrios tem uma história interessante:
1) Começou significando amo ou proprietário;
2) Chegou a ser o título oficial dos imperadores romanos;
3) Passou a ser o título dos deuses pagãos;
4) Kyrios era o termo grego que traduzia Jeová na versão grega das Escrituras, a Septuaginta. Dessa maneira, quando Jesus era chamado Kyrios, Senhor, significava que era o Senhor e o dono de toda vida, o Rei dos reis e Senhor de imperadores; o Senhor de uma maneira em que os deuses pagãos e os ídolos mudos jamais poderiam ser.
• A grande ênfase do NT é sobre o senhorio de Cristo. O Filho de Deus é chamado de Senhor mais de 600 vezes no NT. Somente os que confessam que Jesus é Senhor podem ser salvos. A Bíblia diz que quem tem o Filho tem a vida.
“Que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra” (Fp 2:10).
• Os conjuntos “no céu”, “na terra” e “debaixo da terra” estão baseados num idiomatismo hebraico que denota toda a criação;
• Em Seu regresso em glória, Jesus será adorado por toda a corporação de seres morais, em todos os setores do Universo. Os anjos e os seres humanos redimidos farão isso com intenso regozijo, enquanto os condenados o farão com profunda tristeza e profundo remorso (Ap 6:12-17).
“Toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai” (Fp 2:9 a 11).
• Todas as criaturas e toda a criação reconhecerão que Jesus é Senhor (Ap 5:13);
• Isso não significa, obviamente, que todas as pessoas serão salvas. Somente os que agora reconhecem que Jesus é Senhor e O confessam como tal serão salvos (Rm 10:9).
O senhorio de Cristo foi a grande ênfase da pregação apostólica (At 2:36; Rm 10:9; Ap 17:14; 19:16).
Enquanto alguns membros da igreja de Filipos queriam ser o centro das atenções, Jesus queria que o único centro da atenção fosse Deus.
Desenvolvendo o que Deus efetua em nós
“Assim, pois, amados meus” (Fp 2:12 e 13).
• Paulo começa o verso 12 com uma expressão: “Assim, pois”. Essa é uma expressão voltada para a conclusão da sessão já mencionada, ele não está começando um novo assunto, ele está fazendo uma aplicação do assunto anterior.
“Desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade” (Fp 2:12 e 13).
• Na longa história da igreja, poucos assuntos geraram mais faíscas teológicas do que o método da salvação. Paulo, o maior escritor sobre o tema, clarificou muitas coisas, mas sua lógica sofisticada também pode parecer complexa;
• O verso 12 parece afirmar o contrário do verso 13. Paulo diz: “Desenvolvei a vossa salvação.” Em seguida, acrescenta: “Porque é Deus quem efetua em vós tanto o querer quanto como o realizar”;
• Não foi por acaso que o teólogo escocês Donald Baillie denominou a verdade expressa nesses versos de “paradoxo da graça”.
“Desenvolvei” (Fp 2:12).
• ‘Desenvolvei’ não é o mesmo que ‘conquistai’;
• ‘Desenvolvei’ traz a ideia de um esforço contínuo, vigoroso, árduo e ainda tem o sentido de “trabalhar até a consumação”, como quem trabalha em um problema de matemática até chegar ao resultado. No tempo de Paulo, esse termo também se referia a trabalhar em uma mina, extraindo dela o máximo possível de minério valioso, ou trabalhar em um campo, obtendo a melhor colheita possível;
• Mas afinal, a salvação depende de Deus ou de nós?
“Desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor” (Fp 2:12 e 13).
• O cristão deve temer que sua vontade não esteja continuamente submetida a Cristo ou que os traços carnais de caráter controlem a vida. Ele deve temer confiar em sua própria força, soltar a mão de Cristo ou tentar trilhar o caminho sozinho (PJ, 161). Tal temor conduz à vigilância contra a tentação (1Pe 1:17, 5:8). à humildade (Rm 11:20) e ao cuidado para não cair (1Co 10:12);
• Esse não é o temor de um escravo se arrastando aos pés do seu senhor. Não é o temor ante a perspectiva do castigo. Deus não é um policial ou guarda cósmico diante de quem devemos ter medo; nem, também, é um pai bonachão e complacente; ao contrário, Ele é majestoso, santo e misericordioso. Nosso grande temor deve ser em ofendê-Lo e desagradá-Lo, depois de Ele ter nos amado a ponto de nos dar Seu Filho por nós.
“Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar” (Fp 2:13).
• A palavra grega usada por Paulo aqui para o verbo “efetuar” é energein, esse verbo sempre é usado com respeito à ação de Deus; e sempre é aplicado a uma ação eficaz, desse verbo vem a palavra energia;
• Deus é a energia que torna a salvação efetiva;
• Não apenas o desejo, mas também toda obra realizada em nós é ação divina;
• O poder para a salvação vem de Deus, e este poder opera em nós para alcançar o propósito divino. Deus provê tanto o estímulo para a determinação inicial na aceitação da salvação quanto o poder para efetivar a decisão. Ele provê o estímulo que desperta em nós o desejo de ser salvos, nos capacita a tomar a decisão de alcançar a salvação e nos supre com a energia para efetivar a decisão para que a decisão seja realizada em nossa vida. É a energia de Deus que opera em nós e por meio de nós.
Salvação pela graça:
• A salvação é um dom ou uma tarefa? Resposta curta: ambos.
• Em alemão, os teólogos até fazem um jogo de palavras, dizendo que ela é Gabe (“dom”, “presente”) e Aufgabe (“tarefa”);
• O antônimo de graça é mérito, dessa perspectiva, não temos mérito nenhum na salvação;
• A salvação é nossa não por direito de conquista, mas por dádiva imerecida;
• Salvação é pela graça, e graça que não é de graça é uma desgraça;
• A salvação não é um prêmio pelas nossas obras, mas um troféu da graça de Deus;
• Há três equívocos muito comuns acerca da salvação: o 1º deles é pensar que a salvação é o resultado do esforço humano. O segundo equívoco é pensar que a salvação é uma parceria do homem com Deus e o terceiro é pensar que porque fui salvo pela graça estou livre para viver como bem entender;
• A salvação é uma dádiva que precisa, só precisa, ser aceita, se não houvesse essa aceitação por parte do ser humano todos seriam salvos;
• A verdade bíblica insofismável é que a salvação é obra exclusiva de Deus. Contudo, o fato de Deus nos dar graciosamente a salvação não significa que ficamos passivos nesse processo. A salvação é de Deus e nos é dada por Deus, mas precisamos desenvolvê-la;
• As Escrituras ensinam que cada pessoa deve cooperar com a vontade e o poder de Deus. Devemos nos esforçar para entrar (Lc 13:24), nos despir do velho homem (Cl 3:9), nos desembaraçar de todo peso, “correr com perseverança” (Hb 12:1), resistir ao diabo (Tg 4:7) e “perseverar até o fim” (Mt 24:13);
• Paulo disse: “Esmurro o meu corpo e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado” (2 Co 9:27). A ênfase de Paulo não é que nós devemos trabalhar pela salvação, mas que a salvação deve trabalhar em nós. Precisamos encarnar a salvação e deixar que ela dirija nossa vida. É claro que a força que transforma a salvação em uma realidade dinâmica vem de Deus, não de nós. “Se juntássemos tudo que é bom e santo, nobre e belo no homem, e apresentássemos o resultado aos anjos de Deus, como algo que desempenhasse uma parte na salvação do homem ou na obtenção de mérito, a proposta seria rejeitada como traição” (FO, 24);
• O versículo 12 não diz: “trabalhai para a vossa salvação”, mas “desenvolvei a vossa salvação”. Ninguém pode desenvolver a sua salvação a não ser que Deus já tenha trabalhado nele;
• Não somos nós que trabalhamos, mas Deus trabalha em nós e por nosso intermédio.
A graça de Deus não é uma desculpa para não fazermos nada, ela é uma forte razão para fazermos tudo. Tanto na religião quanto na natureza, somos cooperadores de Deus (1Co 3).
Luz em um mundo escuro
“Fazei tudo sem murmurações nem contendas” (Fp 2:14-16).
• Paulo retorna ao problema básico descrito nos versículos 1 a 4 do capítulo 2;
• Os crentes da igreja de Filipos estavam fazendo as coisas com a motivação errada (Fp 2:3 e 4). Eles estavam trabalhando, mas sem sintonia uns com os outros. Havia partidarismo e discordância entre eles. A igreja estava dividida;
• Nesse contexto, Paulo os exorta, dando-lhes duas ordens: “Fazei tudo sem murmurações nem contendas” (Fp 2:14-16).
• “Murmuração (goggysmos)” evoca o murmúrio de rebelião e infidelidade dos filhos de Israel em sua peregrinação (1Co 10:10). Os israelitas murmuraram contra Deus e contra Moisés. Eles reclamavam reiteradamente das privações, dizendo que jamais deveriam ter deixado o Egito (Nm 11:1–6; 14:1–4; 20:2; 21:4,5);
• “Contenda (dialogismoi)” descreve as disputas e debates inúteis e até mal-intencionados que engendram dúvidas e vacilações. Essa palavra tem uma conotação legal de “dissensões”, “litígios” e indica que os Filipenses estavam apelando até para tribunais pagãos a fim de resolver as suas diferenças (1Co 6:1–11);
• Contenda refere-se a uma atitude interna, da mente e do coração, enquanto murmuração é algo externo, aquilo que manifestamos proveniente do coração e da mente;
• Essas duas atitudes são exatamente aquelas que macularam o povo judeu em sua travessia do deserto (Êx 16:7; Nm 11:1).
Essas atitudes são completamente opostas à atitude de Cristo (Fp 2:5), além disso, essas atitudes obstaculizam a causa de Cristo entre os descrentes. Se tudo o que as pessoas conhecem sobre a igreja é que seus membros vivem constantemente murmurando e contendendo, eles terão uma impressão negativa de Cristo e do evangelho. Ainda hoje, mais igrejas se dividem, por causa de contendas do que por causa de heresias.
“Para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros” (Fp 2:14-16).
• “Irrepreensíveis (amemptos)” expressa o que o cristão é no mundo. Sua vida é de tal pureza que ninguém encontra algo nele que se constitua uma falta (Mt 5:13,45,48);
• “Sinceros (akeraios)” essa palavra significa literalmente “sem mescla”, “não adulterado”. Sincero era a palavra usada para referir-se ao vinho ou leite puros ou sem mistura de água, também para se referir ao ouro ou qualquer metal sem impureza. Nos tempos antigos, alguns oleiros cobriam de cera as trincas dos vasos e enganavam os compradores. Quando esses vasos eram expostos à luz do sol, a cera derretia, e logo apareciam os defeitos. Então, os compradores passaram a exigir vasos sem cera. Daí foram cunhadas as palavras: sincero e sinceridade, ou seja, sem cera;
• Jesus usou essa palavra quando disse que os Seus discípulos deveriam ser inocentes como as pombas (Mt 10:16), e Paulo a usou quando disse que devemos ser simples para o mal (Rm 16:19).
“Filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta” (Fp 2:14-16).
• “Inculpáveis (amomos)” descreve o que o cristão é na presença de Deus. O termo se vincula particularmente com os sacrifícios que deveriam ser imaculados;
• A vida cristã não é vivida em uma estufa espiritual, numa redoma de vidro, mas no meio de uma geração pervertida. Não é ser sal no saleiro nem luz debaixo do alqueire;
• Devemos viver no mundo como Daniel viveu na Babilônia sem se contaminar.
“Na qual resplandeceis como luzeiros no mundo” (Fp 2:14-16).
• “Luzeiros (phosteres)” essa palavra é utilizada quase que exclusivamente para os astros celestes, exceto quando seu uso é metafórico, como neste texto. Essa é a palavra usada na versão grega de Gênesis 1:14 a 19 para referir-se ao sol, à lua e às estrelas que o Criador espalhou pela abóbada celeste no 4º dia;
• Tais luminárias não brilham para si mesmas; brilham para prover luz ao mundo todo. Isso deveria ser verdade a respeito do crente: ele vive para os outros;
• A igreja tem sido chamada de clube que existe para o benefício dos que não são sócios;
• Toda igreja é uma casa de luz em um lugar de trevas;
• Na única outra passagem em que esta palavra aparece no NT, há a descrição da cidade santa, que reflete a glória de Deus como a luz de uma joia (Ap 21:11).
“Preservando a palavra da vida” (Fp 2:14-16).
• A Palavra de Deus é singular, ela não se assemelha aos demais livros, ela é viva (Hb 4:12), é a palavra da vida (Fp 2:16), ela é espírito e vida (Jo 6:63);
• Ela é a palavra da vida porque proclama a verdadeira vida que se encontra em Cristo;
• “Preservar (epechein)” este verbo foi usado na cultura secular para oferecer vinho a um hóspede. Os Filipenses deveriam oferecer o evangelho ao mundo moribundo, pois somente o evangelho oferece vida abundante e eterna.
Sacrifício vivo
“Entretanto, mesmo que seja eu oferecido por libação sobre o sacrifício e serviço da vossa fé, alegro-me e, com todos vós, me congratulo” (Fp 2:17).
• Depois de usar Cristo como exemplo de abnegação e autossacrifício, Paulo usou o seu exemplo, ele ainda usaria o exemplo de Timóteo e o de Epafrodito;
• Paulo estava preso em Roma, sob algemas, com esperança de ser absolvido em seu julgamento por meio das orações da igreja (Fp 1:19; Fm 22). Ele nutria a sua alma de esperança, mas estava pronto a morrer pelo evangelho;
• O apóstolo usa a figura da libação, um rito comum tanto no paganismo quanto na religião judaica (Nm 15:1–10), para expressar sua disposição de dar sua vida pelo evangelho e pela igreja (2Tm 4:6);
• Uma libação no paganismo consistia em derramar um cálice de vinho como oferenda aos deuses. Cada comida pagã começava e terminava com a dita libação como uma espécie de ação de graças;
• No judaísmo, a libação era o derramamento de vinho ou azeite sobre a oferta do holocausto (Nm 15). A vida e o trabalho dos cristãos poderiam ser descritos como um sacrifício (Rm 12:1);
• Paulo olhava para a vida em uma perspectiva espiritual. Ele não pensava numa libação dos cultos pagãos, mas na entrega fervorosa de sua vida a Deus. Ele via a prática cristã dos crentes de Filipos como um sacrifício para Deus e via sua morte a favor do evangelho como uma oferta de libação sobre o sacrifício daqueles irmãos;
• Paulo demonstra uma alegria imensa mesmo estando na antessala da morte e no corredor do martírio. Suas palavras não são de revolta nem de lamento. Ele foi perseguido, apedrejado, preso e açoitado com varas. Ele enfrentou frio, fome e passou privações. Ele enfrentou inimigos de fora e perseguidores de dentro. Ele, agora, está em Roma, sendo acusado pelos judeus diante de César, aguardando uma sentença que pode levá-lo à morte; mas, a despeito dessa situação, seu coração está exultante de alegria;
• Paulo está usando a figura da libação para mostrar que a morte dele completaria o sacrifício dos Filipenses.
Caráter provado (Timóteo)
“Espero, porém, no Senhor Jesus, mandar-vos Timóteo... Porque a ninguém tenho de igual sentimento que, sinceramente, cuide dos vossos interesses; pois todos eles buscam o que é seu próprio, não o que é de Cristo Jesus. E conheceis o seu caráter provado, pois serviu ao evangelho, junto comigo, como filho ao pai” (Fp 2:19-23).
• Timóteo era um cristão de terceira geração. Ele recebeu a maior influência espiritual de sua mãe e de sua avó (2Tm 1:5), seu pai era grego (At 16:1);
• O primeiro contato entre Timóteo e Paulo aconteceu logo após o espancamento do apóstolo em Listra, durante sua primeira viagem missionária. Timóteo viu Paulo cantando sem blasfemar nem se queixar. Isso deve ter impressionado o rapaz. Ellen White diz que Timóteo estava entre os que ajudaram Paulo;
• Timóteo era filho de Paulo na fé (1Tm 1:2), cooperador de Paulo (Rm 16:21), mensageiro de Paulo às igrejas (1Ts 3:6; 1Co 4:17; 16:10,11; Fp 2:19), e ainda esteve preso com Paulo em Roma (Fp 1:1; Hb 13:23);
• Timóteo era jovem (1Tm 4:12), tímido (2Tm 1:7,8) e doente (1Tm 5:23);
• Timóteo tinha um caráter provado (Fp 2:22) e cuidava dos interesses de Cristo (Fp 2:21) e dos interesses da Igreja de Cristo (Fp 2:20);
• Havia muitos cooperadores de Paulo, mas Timóteo ocupava um lugar especial no coração de Paulo. Ele era um homem singular pela sua obediência e submissão a Cristo e ao apóstolo como um filho a um pai;
• A palavra grega que Paulo usa para “igual sentimento” nos versos acima só aparece aqui em todo o NT. É a palavra ‘isopsychos’, que significa “da mesma alma”. Esse termo foi usado no AT como “meu igual” e “meu íntimo amigo” (LXX Sl 55:13);
• Timóteo aprendeu o princípio ensinado por Paulo de buscar os interesses dos outros, princípio esse exemplificado por Cristo e pelo próprio apóstolo;
• Timóteo vivia de forma altruísta, pois o centro da sua atenção não estava em si mesmo, mas na Igreja de Deus. Ele não buscava riqueza, nem promoção pessoal. Ele não estava no ministério em busca de vantagens, seu alvo era cuidar dos interesses da Igreja;
• Para Timóteo, como para Paulo, a causa de Cristo Jesus envolvia o bem-estar de seu povo;
• Timóteo desfrutava de um bom testemunho antes de ser missionário (At 16:1), e, agora, quando Paulo está para lhe passar o bastão, como continuador da sua obra, dá testemunho de que ele continua tendo um caráter provado;
• Infelizmente, alguns dos que estavam com Paulo não compartilhavam de seu espírito abnegado. Fica sugerido que esses recuaram da perigosa jornada a Filipos, outros não eram aprovados, e que Paulo teve de chamar Timóteo, o qual ele gostaria que permanecesse a seu lado;
• Precisamos urgentemente de homens íntegros, provados, que sejam modelo do rebanho;
• Timóteo serviu ao evangelho.
Timóteo era um homem singular, alguém que cuidava dos interesses dos outros, que cuidava dos interesses de Cristo, um homem de caráter aprovado e disposto a servir.
Epafrodito, exemplo dos que merecem honra
“Julguei, todavia, necessário mandar até vós Epafrodito, por um lado, meu irmão, cooperador e companheiro de lutas; e, por outro, vosso mensageiro e vosso auxiliar nas minhas necessidades; visto que ele tinha saudade de todos vós e estava angustiado porque ouvistes que adoeceu. Com efeito, adoeceu mortalmente” (Fp 2:25-30).
• Paulo era um “hebreu de hebreus”; Timóteo era em parte judeu e em parte gentio (At 16:1). E, tanto quanto sabemos, Epafrodito era inteiramente gentio;
• O nome Epafrodito significa “encantador”, “amável”, e sua vida refletia o seu nome.
Epafrodito, um homem pronto a servir, mesmo correndo grandes riscos:
• Epafrodito foi o portador da oferta da igreja de Filipos a Paulo e o portador da carta de Paulo à igreja de Filipos. Ele viajou de Filipos a Roma para levar uma oferta da igreja ao apóstolo e para assistir o apóstolo na prisão.
Epafrodito era um irmão:
• Se nós estamos em Cristo, há um elo de amor fraternal que nos une uns aos outros. Essa é uma palavra que destaca a relação de família.
Epafrodito era um cooperador:
• A palavra grega usada por Paulo é ‘synergos’, denotando que Paulo e Epafrodito estão no mesmo serviço do Reino de Deus.
Epafrodito era um companheiro de milícia:
• A vida cristã não é um parque de diversões, uma colônia de férias, mas um campo de guerra. Epafrodito estava no meio desse campo de lutas com o apóstolo Paulo. O pano de fundo é o de uma metáfora geral, em que ambos são “companheiros no conflito”, na guerra contra o mal.
Epafrodito era um homem pronto a servir à Igreja de Cristo.
• Paulo descreve Epafrodito como um mensageiro da igreja. A palavra grega que Paulo usa é ‘apóstolos’, que neste verso tem o sentido daquele que é enviado com um recado. A missão de Epafrodito não foi apenas a de trazer a Paulo o donativo da igreja Filipense, mas também a de servir a Paulo de qualquer forma que fosse requerida. Portanto, Epafrodito fora enviado tanto para levar uma oferta quanto para ser uma oferta dos Filipenses a Paulo;
• Igual a Timóteo, Epafrodito colocou as necessidades dos outros acima de suas próprias.
Epafrodito, mesmo fazendo a obra de Deus, ficou doente:
• Não estamos livres como cristãos das intempéries naturais da vida. Epafrodito não apenas adoeceu, mas adoeceu para morrer. Sua enfermidade foi algo grave. Os crentes não são poupados de enfrentar as mesmas dores, as mesmas tristezas e as mesmas enfermidades. Paulo não considera a doença grave de um irmão como uma falha na vida de fé. Algumas pessoas têm ensinado que a saúde é um direito inalienável do cristão e que a doença é resultado do pecado ou da falta de uma fé robusta. Outros, como os falsos consoladores de Jó, dizem que a doença é sempre um sinal do castigo e da disciplina de Deus. Esses pensamentos não são verdadeiros, e o caso de Epafrodito os refuta. Epafrodito ficou doente por um longo período. Filipos ficava a 1.080 quilômetros de Roma. Naquele tempo, gastava-se pelo menos 6 semanas para se viajar de Roma a Filipos. Ele ficou doente o tempo suficiente para que os crentes de Filipos soubessem disso e a notícia de volta acerca da tristeza da igreja chegasse a ele em Roma. Assim, ele esteve doente pelo menos por uns 3 meses. E mais: ele estava na companhia de Paulo, porém o apóstolo não tinha indicações do Senhor para curá-lo.
Epafrodito, mesmo fazendo a obra de Deus, sofreu profunda angústia:
• Paulo descreve a angústia de Epafrodito usando a mesma palavra que os evangelistas utilizaram para a angústia de Cristo no Getsêmani (Mt 26:36). Essa palavra no grego ‘ademonein” denota uma grande angústia mental e espiritual (Mc 14:33);
• A saudade dos irmãos, a apreensão acerca da sua condição e a impossibilidade de cumprir plenamente o seu trabalho em relação ao apóstolo Paulo afligiram-lhe a alma sobremaneira;
• A cura de Epafrodito foi um ato da misericórdia de Deus.
“Recebei-o, pois, no Senhor, com toda a alegria, e honrai sempre a homens como esse; visto que, por causa da obra de Cristo, chegou ele às portas da morte e se dispôs a dar a própria vida, para suprir a vossa carência de socorro para comigo” (Fp 2:25-30).
• Paulo estava preocupado que algumas pessoas pudessem criticar Epafrodito pela sua volta prematura à igreja sem cumprir plenamente seu papel em relação à assistência a Paulo na prisão. O apóstolo, então, com seu senso pastoral, antecipa a situação e instrui a igreja a receber esse valoroso irmão com alegria e com honra;
• O mundo honra aqueles que são inteligentes, belos, ricos e poderosos;
• Que tipo de pessoa a igreja deve honrar? Epafrodito foi chamado de irmão, cooperador, companheiro de lutas, mensageiro e auxiliar. Esses são os emblemas da honra. Paulo nos encoraja a honrar aqueles que arriscam a própria vida por amor de Cristo e o cuidado dos outros, indo onde não podemos ir por nós mesmos;
• A viagem de Filipos a Roma era uma longa e árdua jornada de mais de mil quilômetros. Associar-se a um homem acusado, preso e na iminência de ser condenado também constituía um risco sério. Entretanto, Epafrodito se dispôs a enfrentar todas essas dificuldades pela obra de Cristo a favor da assistência material e espiritual a Paulo na prisão;
• A palavra grega que Paulo usa no versículo 30 para: “… dispôs-se a dar a própria vida…” é ‘paraboleuesthai’. Essa palavra se aplica ao jogador que aposta tudo em uma jogada de dados. Paulo está dizendo é que Epafrodito jogou sua própria vida pela causa de Jesus Cristo arriscando-a temerariamente.
Paulo afirmou que Epafrodito: “tinha muita saudade de todos” (Fp 2:26). Em outras palavras, Paulo quis dizer: “Ele sente falta de vocês”. Isso sugere que, como líder cristão, Epafrodito amava profundamente as pessoas a quem servia e cuidava delas. Epafrodito foi um líder cristão tão comprometido que, “por causa da obra de Cristo, ele quase morreu, arriscando a própria vida” (Fp 2:30).
Conclusão:
Em Filipenses 2, Paulo falando sobre a submissão apresentou o exemplo de Jesus, depois apresentou o seu exemplo, e depois apresentou o de Timóteo e o de Epafrodito. Porque esses 4 exemplos? Paulo sabia que alguns dos seus eleitores poderiam dizer que Jesus e Paulo são exemplos impossíveis de seguir, afinal Jesus é o filho de Deus e Paulo é um apóstolo escolhido que vivenciou experiências espirituais extraordinárias. Por isso, Paulo apresentou 2 pessoas comuns, homens que não eram apóstolos nem realizavam grandes sinais e prodígios, para deixar claro que a atitude de submissão não é um luxo desfrutado apenas por uns poucos escolhidos é uma necessidade de todos.
Louvo a Deus pelas maravilhosas lições que podemos aprender de Sua Palavra e é por isso que sou apaixonado pela Escola Sabatina! #lesadv