Lição 3 – Vida e morte
Destaques do Pastor Eber Nunes #?lesadv
O ser humano se recusa a acreditar na fatalidade de que, após lutar para descobrir o mundo, aprender lições novas, ter paixões, procriar, perseguir metas e buscar a felicidade, seja possível que sua tão complexa existência se dissipe como um gás, assim que o coração para. Talvez seja por isso que “o Brasil foi sempre um terreno fértil para crenças baseadas na [suposta] comunicação com os espíritos e na reencarnação”, pois 8 em cada 10 brasileiros acreditam que o espírito da pessoa vai para algum lugar após a morte, e 69% creem que os mortos “bons” estão num paraíso, ao lado de Deus;
Se há tanta crença de que a morte não é um fim, por que temê-la tanto? Se as pessoas acreditam que quem morre pode ir ao paraíso, porque se desesperam, não querendo morrer? Milhares creem numa reencarnação, mas preferem não “desencarnar”. Por quê? Se existe o purgatório, por que não curtir os prazeres do pecado nesta vida, e então deixar pra decidir quando estiver lá? Se a morte faz parte da vida, por que temê-la?
• A primeira mentira do mundo (Gn 3:4) foi sobre a imortalidade da alma. E por ter sido proferida pelo autor de todas as mentiras (Jo 8:44), tornou-se um engano global;
• A única resposta para a morte é a ressurreição, quando os justos receberão a imortalidade em corpos recriados e perfeitos (Jo 5:28-29; Sl 92:7);
• Ao longo dos tempos, os patriarcas e profetas aguardaram o retorno de Jesus sem experimentar o “descanso supremo” que Cristo prometeu. Eles morreram na expectativa de um evento que viria, morreram na esperança, morreram entendendo que:
o A morte não é vida no espaço, no céu nem no inferno;
o A morte é um estado de inconsciência, semelhante ao sono;
o A morte é a cessação da vida, consequência do pecado, não um meio de salvação;
o A morte não vencerá nenhum crente, mas Cristo venceu a morte para o crente;
o A morte não é um ponto final, mas uma vírgula, que antecede a ressurreição;
o A morte não é o fim quando Deus é o primeiro.
Na epístola aos Filipenses, Paulo deixou claro que quem tem os olhos no céu não tem medo de colocar os pés na sepultura.
Cristo será engrandecido
“Porque estou certo de que isto mesmo, pela vossa súplica e pela provisão do Espírito de Jesus Cristo, me redundará em libertação, segundo a minha ardente expectativa e esperança de que em nada serei envergonhado” (Fp 1:19 e 20).
• Paulo estava preso, aguardando o seu julgamento. Sua absolvição é ansiosamente esperada por ele e pelos crentes de Filipos. Todavia, sua condenação por parte do imperador Nero é uma dolorosa possibilidade;
• O apóstolo tem duas razões básicas para crer na libertação: uma humana e outra divina;
1) Oração da igreja. Paulo foi o maior teólogo do cristianismo e o maior intérprete das verdades cristãs. De outro lado, ninguém expressa tanta confiança na oração quanto ele. Paulo ora pela igreja (Fp 1:4) e pede orações da igreja (Fp 1:19; 1Ts 5:25; 2Ts 3:1; 2Co 1:11; Fm 22; Rm 15:30). A Bíblia diz que muito pode por sua eficácia a súplica do justo (Tg 5:16). A súplica dos Filipenses é a resposta à sua súplica a favor deles (Fp 1:4);
2) Provisão do Espírito de Jesus Cristo. Essa ação do Espírito vem como resposta da oração da igreja. A provisão do Espírito sugere um revestimento, e um fortalecimento da vida do apóstolo, de tal forma que a sua coragem não lhe falhará; nem seu testemunho será prejudicado, seja qual for o resultado do processo contra ele. A ajuda do Espírito é nada menos que o poder de Cristo disponível para o Seu povo, o que também não isenta a responsabilidade humana.
A expectativa de Paulo era de não ser envergonhado. Sobre ele pesavam acusações, sua vida estava sendo devassada e vasculhada, seus inimigos eram ardilosos e implacáveis, mas ele confiava nas orações da igreja e no socorro do Espírito Santo.
“Será Cristo engrandecido no meu corpo, quer pela vida, quer pela morte” (Fp 1:19 e 20).
• Paulo diz à igreja de Filipos que a glorificação do nome de Cristo em seu corpo ocorreria independentemente do desfecho do processo, tanto no caso de soltura quanto no caso de execução, ou seja, quer pela vida, quer pela morte;
• A vida dos fiéis de Deus pode ser comparada com um telescópio e com um microscópio. Enquanto o telescópio aproxima o que está distante, o microscópio amplia o que é pequeno. Para o incrédulo, Jesus não é grande. Outras pessoas e coisas são muito mais importantes do que Ele. No entanto, ao observar o cristão passar por uma experiência de crise, o incrédulo deve ser capaz de enxergar a verdadeira grandeza de Jesus, a fidelidade do cristão diante do sofrimento é uma lente que torna o “Cristo pequeno” dos incrédulos extremamente grande, e o “Cristo distante”, extremamente próximo;
• Paulo ensinou com sua experiência que não basta viver bem, é preciso morrer bem e não morre bem quem não vive para glorificar a Cristo. Paulo deseja ardentemente glorificar a Cristo em sua morte, como o glorificou em sua vida;
• Não pode ter a morte de um justo quem viveu como um ímpio;
• Não pode glorificar a Cristo na morte quem não o glorificou na vida.
Independente do resultado do julgamento, Paulo estava sereno, e tinha motivos:
1) Ele olhava para o passado sem amargura. Ele sofreu perseguição, açoites, prisões, acusações levianas, privações, naufrágios, fome e frio, mas, ao computar todas essas coisas, disse que todas elas contribuíram para o progresso do evangelho (Fp 1:12);
2) Ele olhava para o presente com alegria. Sua prisão, longe de interromper ou limitar o seu ministério, abriu-lhe novos horizontes. A igreja de Roma foi revitalizada por suas algemas, a guarda de elite do imperador passou a conhecer a Cristo por seu intermédio, e as cartas da prisão romperam os séculos e, como sempre foram e são, ainda serão verdades consoladoras de Deus para o Seu povo (Fp 1:13);
3) Ele olhava para o futuro com gloriosa certeza. O futuro não amedrontava Paulo. O fim da linha não é o martírio, mas a glória. A última cena não é a guilhotina romana, mas o paraíso. A morte para ele não era um fim trágico, mas uma recompensa (Fp 1:21).
Por causa das cadeias de Paulo, Cristo tornou-se conhecido (Fp 1:13). Por causa de seus críticos, Cristo foi pregado (Fp 1:18), e por causa de seu sofrimento, Cristo foi engrandecido (Fp 1:20).
Morrer é lucro
“Porquanto, para mim, o viver é Cristo.” (Fp 1:21 e 22).
• Para aqueles que não crêem em Deus, a vida sobre a terra é tudo o que existe, e é natural que essas pessoas busquem o real sentido da vida no dinheiro, no prazer, no sucesso e no poder. Essa, porém, é uma busca inglória. É como buscar água em cisternas rotas. Deus pôs a eternidade no coração do homem, e as coisas temporais não podem satisfazê-lo.
“O viver é Cristo, e o morrer é lucro” (Fp 1:21 e 22).
• Martin Luther King Jr. disse: “Se um homem não descobriu algo pelo que morreria, ele não está apto a viver”. Paulo expressou um sentimento semelhante: “Para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro” (Fp 1:21). Essas não foram palavras vazias! Paulo realmente estava disposto a morrer por Cristo (Rm 14:8), e de fato morreu por Ele (2Tm 4:6). Ao citar o Salmo 44:22, Paulo declarou: “Por amor de Ti, somos entregues à morte continuamente” (Rm 8:36). Por isso, suas palavras em Gálatas 2:20 não deveriam nos surpreender: “Fui crucificado com Cristo”;
• Paulo esteve disposto a morrer por Cristo porque estava comprometido a viver para Ele. O apóstolo continuou: “Logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. E esse viver que agora tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus” (Gl 2:20);
• De fato, Paulo viveu e morreu por causa do evangelho.
“O morrer é lucro” (Fp 1:21 e 22).
• O que Paulo quis dizer com isso?
• Como alguém pode se beneficiar com a própria morte?
• Com base no desejo que Paulo expressou em Filipenses 1:23, “partir e estar com Cristo”, alguns inferiram que ele estaria afirmando que estaria na presença de Cristo imediatamente após a morte. No entanto, tal ideia contradiz os ensinamentos claros das Escrituras a respeito da mortalidade da alma e da morte como um sono;
• Para entender o que Paulo quis dizer ao se referir à morte como lucro, é importante examinar seu uso da palavra “lucro” (do grego kerdos) e do verbo cognato “lucrar” (do grego kerdain) em outros trechos de seus escritos;
• Em Filipenses 3:7 e 8, Paulo mencionou que aquilo que antes considerava como lucro (kerdos), agora considera como perda “por causa de Cristo” (Fp 3:7); isto é, “por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus” (Fp 3:8);
• Paulo explica ainda: “Por causa Dele perdi todas as coisas e as considero como lixo, para ganhar [kerdain] a Cristo” (Fp 3:8);
• Para Paulo, morrer era lucro no sentido de que, no fim, ele ganharia Cristo ao vê-Lo em Sua 2ª vinda (2Tm 4:8);
• Também é possível que o “lucro” (kerdos) em Filipenses 1:21 tenha um sentido missionário. Em 1 Coríntios 9:19 a 22, Paulo usa kerdain como um termo missionário: “Fiz-me escravo de todos, a fim de ganhar [kerdain] o maior número possível. [...] Para com os judeus, fiz-me como judeu, a fim de ganhar [kerdain] os judeus; para os que vivem sob o regime da Lei, como se eu mesmo assim vivesse, para ganhar [kerdain] os que estão debaixo da Lei, embora eu não esteja debaixo da Lei. Aos sem lei, como se eu mesmo o fosse, [...] para ganhar [kerdain] os que vivem fora do regime da lei. Fiz-me fraco para com os fracos, a fim de ganhar [kerdain] os fracos”;
• “[Paulo] está preocupado em glorificar a Cristo. Se o Senhor achava melhor que ele testemunhasse por meio da vida e do ministério, certamente ele o faria. No entanto, a morte de um justo também pode ser uma afirmação poderosa da eficácia do evangelho da graça. O contraste entre a morte dele e a de alguém que morre sem esperança seria tão marcante que sua influência seria positiva para o reino de Cristo. Os corações são tocados e abrandados pela confiança de alguém cuja esperança está em Deus, mesmo em face da morte” (CBA, vl 7, 132);
• Paulo via a morte como lucro porque, em sua próxima experiência consciente, a ressurreição, ele veria Cristo. Ao mesmo tempo, Paulo também tinha certeza de que, entre sua morte e a 2ª vinda de Cristo, estaria dormindo no túmulo;
• A morte para o cristão não é o final da linha, não é um fracasso nem uma derrota;
• Para o cristão, a morte é lucro, e isso por algumas razões: A morte é lucro porque é o descanso das fadigas (Ap 14:13). A vida está cheia de muito sofrimento. Aqui há vales sombrios e trabalhos extenuantes, e a morte é o descanso das fadigas. A morte é lucro porque a morte de um justo é algo belo aos olhos de Deus (Sl 116:15);
• O cristão não tem nada valioso para perder diante da morte, mas tem muito a ganhar. Ele perderá tentação, provação, labuta e tristeza, e ganhará, na ressurreição, a imortalidade (CBA, vl 7, 132).
Viver e morrer por Cristo
“Estou constrangido, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor. Mas, por vossa causa, é mais necessário permanecer na carne” (Fp 1:23 e 24).
• Paulo tinha o desejo de partir, e o desejo era forte. A palavra grega tem muita força;
• Esta parece ser uma metáfora tirada do capitão de um navio em um porto estrangeiro, que sente um forte desejo de navegar e retornar ao seu país e família; mas esse desejo é contrabalançado pela convicção de que os interesses gerais da viagem podem ter um resultado melhor se ele permanecer mais tempo no porto onde seu navio está navegando; pois ele não está no cais, não está encalhado, mas está fazendo viagens ancorado no porto, e a qualquer momento ele poderia levantar âncora e desaparecer;
• Paulo sabia que, se partisse, a jornada não seria longa, seria um piscar de olhos, não haveria mais ventos impetuosos; ele também sabia que outros ainda precisavam dele; que sua obra ainda não estava concluída;
• Paulo preferia morrer, mas por amor à Igreja estava disposto a viver. Se para ele o viver é Cristo, o motivo para continuar vivo é abençoar os irmãos (Fp 1:24 e 25). Ele não pensava em aposentadoria, em enfiar-se num pijama e comprar uma cadeira de balanço. Paulo não pensava em sair de cena e buscar um tempo de recolhimento para cuidar de si;
• Ainda que Paulo estivesse confiante e cheio de fé de se livrar do martírio, ele não tinha certeza absoluta. Sua falta de certeza absoluta é um consolo para nós. Nem mesmo o grande apóstolo tinha a certeza de um profeta sobre o futuro.
“Partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor” (Fp 1:23 e 24).
• Paulo fala da morte como uma partida;
• A palavra “partir” não deve ser interpretada como um anseio por imortalidade, a qual os gregos procuravam atingir mediante o derramamento do corpo físico, permitindo, assim, que o espírito escapasse de sua prisão;
• A metáfora do verbo poderia ter sido emprestada da terminologia militar (retirar-se do campo) ou da linguagem náutica (libertar o barco de suas amarras);
• O pano de fundo geral, mais imediato, não é o debate filosófico, grego, a respeito da imortalidade da alma, que procura libertar-se do corpo, na hora da morte;
• A palavra grega analyein é muito sugestiva. Ela tem um rico significado. Primeiro, ela significa ficar livre de um fardo. Esse era um termo usado pelos agricultores em referência ao ato de remover o jugo dos bois. Paulo havia levado o jugo de Cristo, que era suave (Mt 11:28), mas também carregou inúmeros fardos em seu ministério (1Co 11). Partir e estar com Cristo significava colocar de lado todos os fardos, pois o seu trabalho na terra estaria consumado. A morte é o alívio de toda fadiga (Hb 4);
• Não podemos viver sem pensar na eternidade perdendo de vista a nossa gloriosa morada com Cristo, nem desejar somente viver a eternidade e negligenciar a obra que Deus nos deu para fazer aqui;
• O cristão ama a vida sem ter medo da morte, ele é cidadão de 2 mundos ao mesmo tempo que luta para a implantação do Reino de Cristo na Terra sabe que sua pátria está no céu;
• Paulo comparou a morte a um sono (1Ts 4:14, 15), sugerindo um estado de inconsciência. Essa ideia está de acordo com o ensinamento de Jesus nos evangelhos (Lc 8:52, 53; Jo 11:11-13). Um exemplo claro é a história da ressurreição da filha de Jairo. Curiosamente, enquanto Mateus e Marcos mencionam apenas que as pessoas zombaram da afirmação de Jesus de que a menina estava dormindo (Mt 9:24; Mc 5:39, 40), a observação de Lucas, médico de profissão, foi mais precisa: “E riam-se dele, porque sabiam que ela estava morta” (Lc 8:53). Além disso, o livro de Atos, também escrito por Lucas, descreveu a morte de Estêvão dizendo que ele “adormeceu” (At 7:60). Isso também é dito a respeito de Davi (At 13:36);
• Ao se referir à morte dos “pais”, Pedro disse que eles “dormiram” (2Pe 3:4). Seja qual for o caso, a morte é retratada como um estado de inconsciência, semelhante ao que acontece quando adormecemos todas as noites. Também é digno de nota o fato de que “muitos corpos de santos que dormiam foram ressuscitados” na ressurreição de Jesus (Mt 27:52). Essa passagem no Evangelho de Mateus é importante não apenas por comparar a morte ao sono, mas também porque aponta claramente para a ressurreição do corpo como o remédio para a morte.
Imortalidade da Alma:
• Alguns que creem na imortalidade da alma, dizem que a Bíblia defende esta ideia, citando Filipenses 1, onde afirmam eles, Paulo declara que para ele o morrer é lucro, porque assim estaria imediatamente com Cristo, gozando das delícias eternas, todavia, o pensamento paulino neste sentido é bastante claro e as passagens de 1Coríntios 15, 1Tessalonicenses 4:16 a 18, 2Timóteo 4:8 e Romanos 8:23 não deixam dúvidas de que ele não cria numa recompensa incorpórea e imediatamente após a morte;
• É princípio fundamental da exegese que a Bíblia não se contradiz, e que um texto deve ser explicado através do conjunto das Escrituras e não isoladamente. Logo, sendo Filipenses 1:23 uma passagem controvertida, ela tem de harmonizar-se com outras passagens paulinas e com a doutrina geral da Bíblia concernente ao estado do homem na morte. Há muitas outras passagens bíblicas que comprovam a crença de Paulo quanto ao estado do homem na morte, e de que a recompensa só será uma realidade quando Jesus voltar (Jo 14:1 a 3; At 2:34; Hb 11:39; Ap 14:13; Ec 3:18 a 21 e 9:5 e 6);
• Paulo não está aqui apresentando uma exposição doutrinária do que acontece na morte. Está explicando o seu ‘desejo’, que é deixar a presente existência; com seus problemas, e estar com Cristo sem referir-se a um lapso de tempo que possa ocorrer entre os dois eventos, com toda a força de sua ardente natureza ansiava viver com Aquele a quem ele fielmente servira, sua esperança se centraliza num companheirismo pessoal com Jesus por toda a vida futura. Os cristãos primitivos de todas as épocas tiveram este mesmo desejo, sem necessariamente esperarem ser imediatamente introduzidos à presença do Salvador, quando seus olhos se fechassem na morte.
Paulo jamais esperava, com a morte, receber imediatamente o galardão, pois ele mesmo disse: “O tempo da minha partida é chegado. . . a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto Juiz, me dará naquele dia” (2Tm 4:6 e ??.
Permaneçam firmes na unidade
“Vivei, acima de tudo, por modo digno do evangelho de Cristo” (Fp 1:27).
• “Vivei” (modo de vida) pode ser traduzido literalmente “portar-se como cidadão”;
• Paulo escrevia de Roma, o centro do Império Romano. Foi o fato de ser cidadão Romano que o conduziu a capital do Império;
• Filipos era uma colônia romana, uma espécie de miniatura de Roma. Nas colônias romanas, os cidadãos jamais se esqueciam que eram romanos, eles falavam latim, usavam vestimentas latinas, davam a seus magistrados os títulos latinos. Desse modo, Paulo está dizendo aos crentes de Filipos que assim como eles valorizavam a cidadania romana, deveriam valorizar ainda mais a posição que ocupavam como cidadãos do céu.
“Estais firmes em um só espírito, como uma só alma, lutando juntos pela fé” (Fp 1:27).
• A igreja de Filipos estava sendo atacada numa área vital, a quebra da comunhão;
• Seus membros estavam fazendo a obra de Deus, mas divididos;
• Paulo os exorta a estarem firmes e unidos. A unidade da igreja deve ser expressa nos relacionamentos;
• Os Filipenses deveriam trabalhar juntos pela causa do evangelho;
• Paulo queria que a unidade deles fosse usada para um propósito produtivo, para que uma crescente confiança e crença nas boas novas de Cristo Jesus fossem promovidas entre os que já creem e entre os que ainda não creem como Jesus expressou na sua oração sacerdotal (Jo 17);
• A teologia precisa produzir vida. A doutrina precisa desembocar em ética;
• Os crentes de Filipos deviam viver como pessoas convertidas, dentro e fora da igreja;
• A fé que abraçamos precisa moldar nosso caráter e nossas relações;
• A vida do cristão é a página da Bíblia que o povo mais lê;
• Precisamos viver de modo digno para não sermos causa de tropeço para os outros;
• “À medida que orgulho e ambição mundana foram cultivados, afastou-se o espírito de Cristo e insinuaram-se rivalidade, dissensão e luta, para desviar e enfraquecer a igreja” (TPI, vl 5, 204);
• Paulo usou duas expressões-chave para destacar o tipo de conexão que deveria caracterizar o relacionamento entre os crentes: “Um só espírito” e “uma só alma” (Fp 1:27). Essa linguagem de companheirismo permeia toda a carta. Nesse contexto, Paulo afirmou que os filipenses completariam sua alegria “tendo o mesmo modo de pensar, tendo o mesmo amor e sendo unidos de alma e mente” (Fp 2:2). Em Filipenses 4:1 a 3, Paulo sugeriu que a unidade era essencial para o cumprimento da missão.
Conta-se a história de um rei que queria conquistar duas cidades. Uma tinha 80 mil habitantes e a outra, 40 mil. O rei chamou seu sábio conselheiro e lhe perguntou: “Quantos soldados devo enviar para destruir cada uma das cidades?” O sábio respondeu: “Não posso dar a resposta agora. Preciso de 15 dias de prazo. Só então terei a resposta.” O rei não teve alternativa a não ser esperar. Passados os 15 dias, o sábio se apresentou novamente ao rei e disse: “Meu rei, para a cidade de 80 mil habitantes, o senhor deverá mandar 20 mil soldados. Para a cidade de 40 mil habitantes, deverá enviar 60 mil soldados.” O rei levou um susto. “Como assim”, disse ele, “devo levar o triplo de soldados para combater uma cidade menor?!” O sábio deu um leve sorriso e replicou: “Confie em mim, majestade. O senhor saberá depois.” O exército foi enviado e não demorou muito para conquistar a cidade de 80 mil habitantes. A vitória foi rápida e com poucas baixas. Em seguida, o rei enviou as tropas para a cidade de 40 mil habitantes. Essa foi a batalha mais sangrenta do reino. Muitos soldados morreram e, por pouco, o exército não perdeu a guerra.
Após retornar para casa, o rei finalmente chamou o sábio e disse: “Preciso que você me explique o que aconteceu.” O sábio olhou para o soberano e respondeu: “Lembra que eu pedi 15 dias de prazo? Nesse período, visitei as duas cidades, gastando uma semana em cada localidade. Na cidade de 80 mil habitantes, percebi que o povo era desunido e as famílias, desajustadas. Imaginei que aquela cidade seria facilmente conquistada. Porém, na cidade menor, notei que as pessoas eram unidas e as autoridades, ordeiras e leais. Vi o quão difícil seria conquistá-la. Então, sugeri levarmos o dobro de soldados.”
Em Suas palavras de despedida, Jesus convidou os discípulos a ser unidos com Deus e uns com os outros. Essa foi a estratégia divina para abalar o mundo com o evangelho (Jo 17).
“A união é força; a divisão, fraqueza. Quando se acham unidos os que creem na verdade presente, exercem poderosa influência. Satanás compreende bem isso. Nunca se achou mais determinado do que agora para neutralizar a verdade de Deus” (CI, 291);
A unidade na igreja deve ser expressa em várias áreas:
1- Unidade de coração em mente. Como nos relacionamos com os irmãos.
2- Unidade no trabalho. Os crentes devem trabalhar como atletas de um time, todos com a mente focada no mesmo alvo, o avanço do evangelho.
3- Unidade na fé. A igreja precisa ter unidade doutrinária.
Unidos e destemidos
“E que em nada estais intimidados pelos adversários. Pois o que é para eles prova evidente de perdição é, para vós outros, de salvação, e isto da parte de Deus. Porque vos foi concedida a graça de padecerdes por Cristo e não somente de crerdes nele” (Fp 1:28 a 30).
• A igreja de Filipos estava enfrentando uma ameaça interna a quebra da comunhão e uma ameaça externa a perseguição. Paulo os exorta a trabalhar unidos e a enfrentarem os adversários sem temor sabendo que morrer por Cristo é uma graça;
• Paulo ensina com sua vida e palavras que as perseguições devem ser enfrentadas com confiança na promessa de salvação e como uma oportunidade de crescer na fé e participar do ministério de Cristo;
• Paulo queria que os cristãos de Filipos tivessem a mesma coragem que ele possuía;
• Quando os cristãos se mantêm firmes contra a intimidação do mundo, da carne e do maligno, eles mostram a esses inimigos espirituais que sua destruição final é certa;
• Quando nossos inimigos espirituais não conseguem nos intimidar, eles falharam completamente, porque não têm outra arma senão o medo e a intimidação;
• Quando não nos deixamos intimidar por nossos oponentes, damos a eles “esperança” e “confiança”, mesmo que seja uma esperança e confiança falsas, porque sua destruição ainda está certa;
• Quando os cristãos não se deixam intimidar por seus oponentes, isso também é evidência de sua própria salvação. No Senhor, podemos nos surpreender com nossa coragem;
• Os filipenses não precisavam temer que suas provações presentes (e as provações presentes de Paulo) significassem que Deus os havia abandonado. Suas dificuldades presentes lhes foram concedidas, não como um castigo, mas como um instrumento nas mãos de Deus;
• Se os filipenses tivessem o tipo de conflito que Paulo teve, então eles poderiam ter o mesmo tipo de alegria que Paulo teve, e poderiam dar frutos em meio a isso.
Conclusão:
Os adventistas do 7º dia são o povo da esperança. Ao longo do tempo, eles têm pregado e cantado com o coração sobre a gloriosa segunda vinda de Cristo. Um exemplo foi a assembleia da Associação Geral em San Francisco, Califórnia, cujo tema foi “Oh! Que Esperança!”. Wayne H. Hooper (1920-2007), membro do quarteto Arautos do Rei dos Estados Unidos recebeu a incumbência de escrever uma música tema para o evento. Depois de muita oração, ele compôs tanto a letra quando a melodia do hino com o mesmo título: “Oh! Que Esperança!” (Hinário Adventista do Sétimo Dia, no 464). Sua inspiradora letra diz:
Oh! que esperança vibra em nosso ser,
Pois aguardamos o Senhor!
Fé possuímos, que Jesus nos dá,
Fé na promessa que nos fez.
Eis que o tempo logo vem,
E as nações daqui e além
Bem alerta vão cantar:
Aleluia! Cristo é Rei!
Oh! que esperança vibra em nosso ser,
Pois aguardamos o Senhor.
“Oh! Que Esperança!” se transformou em um dos mais amados cânticos adventistas e foi a música tema de várias outras assembleias (1966, 1975, 1995, 2000 e parte da de 2015). Foi traduzido para vários idiomas.
Não importa a língua ou o lugar, essa canção sempre gera nas pessoas a mesma emoção. É uma sensação que nos une, que nos fortalece e nos faz sentir parte de algo maior, parte de uma comunidade unida em um só propósito. Essa unidade, no entanto, não deve ser restrita apenas aos momentos em que cantamos juntos. Devemos entender que nossa fé é valiosa demais para ser escondida atrás de disputas e diferenças. Somos um em Cristo, unidos em confiança, amor e fidelidade. E isso não significa que devemos perder nossa identidade, mas sim que devemos reconhecer que, apesar das diferenças, somos todos iguais perante Deus. Somos todos filhos amados, e a nossa fé e o nosso amor devem nos unir em um só objetivo. O que nos une é algo maior do que apenas nossa fé. É a esperança; a esperança de um futuro melhor; a esperança de uma vida eterna ao lado de Cristo.
Louvo a Deus pelas maravilhosas lições que podemos aprender de Sua Palavra e é por isso que sou apaixonado pela Escola Sabatina! #lesadv