Lição 2 - Razões para ação de graças e oração
Destaques do Pastor Eber Nunes #?lesadv
Paulo gostava de iniciar suas cartas com palavras de saudação e ações de graças:
o "Dou graças ao meu Deus por tudo que recordo de vós" (Fp 1:1-3);
o "Damos sempre graças a Deus" (Cl 1:2 e 3);
o "Não cesso de dar graças por vós" (Ef 1:16);
o "Dou graças a meu Deus, mediante Jesus Cristo, no tocante a todos vós" (Rm 1:8);
o "Sempre dou graças a [meu] Deus a vosso respeito" (1 Co 1:4);
o "Damos, sempre, graças a Deus por todos vós" (1 Tes 1:2);
o "Irmãos, cumpre-nos dar sempre graças a Deus no tocante a vós outros" (2 Tes 1:3);
o "Dou graças ao meu Deus, lembrando-me, sempre, de ti nas minhas orações" (Fl 1:4);
o Na Bíblia, não existe diferença maior entre ser grato a Deus e louvar a Deus. A gratidão se expressa em louvor. Por isso, louvor é um tema que casa bem com "ação de graças";
o A ação de graças também anda de mãos dadas com a súplica, como acentua muito bem o texto de Filipenses 4:6: "Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças". O texto de Colossenses 4:2 confirma isso: "Continuem a orar, vigiando em oração com ação de graças".
Normalmente, na Bíblia, a gratidão se dirige a Deus, contudo, examinando o uso do verbo "dar graças" (grego, eucharistéo), encontra-se uma passagem diferente: Romanos 16:4. Ali, Paulo afirma que ele, juntamente com todas as igrejas dos gentios, agradece a Priscila e Áquila por terem se arriscado por ele, então, podemos, sim, ser gratos aos irmãos.
o Os ingratos aparecem na Bíblia, e Deus é bondoso até para com eles. "Pois ele (o Altíssimo) é benigno até para com os ingratos e maus" (Lc 6:35);
o A ingratidão é uma marca do tempo do fim: "Os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos" (2 Tm 3:2);
o Ação de graças e oração de louvor não fazem sentido num mundo em que Deus não é reconhecido como presente e atuante, e numa realidade em que não se confia em Deus. Ser grato é o oposto de ser egocêntrico. Quem não sabe agradecer não enxerga nenhum "outro", quer seja outra pessoa quer seja Deus. Agradecer é ao mesmo tempo uma confissão. No mínimo, a confissão de que não somos autônomos nem autossuficientes. Seria o cúmulo de egoísmo alguém dizer: "Eu me agradeço".
Comunhão no evangelho
"Dou graças ao meu Deus por tudo que recordo de vós, fazendo sempre, com alegria, súplicas por todos vós, em todas as minhas orações, pela vossa cooperação no evangelho, desde o primeiro dia até agora.... Todos sois participantes da graça comigo" (Fp 1:3-8).
o É notável observar que a 1ª referência de Paulo aos seus sentimentos ou estado de espírito nesta carta é de alegria, mesmo tendo escrito da prisão e enfrentando uma possível execução iminente;
o Paulo está impedido de visitar as igrejas, mas pode orar por elas;
o Paulo não pode falar de Deus a todos os homens, mas pode falar livremente com Deus a favor dos homens;
o Paulo está impedido de viajar até Filipos, mas as suas orações sobem aos céus a favor dos crentes de Filipos. Pela oração, Paulo influencia e abençoa os crentes de Filipos;
o A oração desconhece limites geográficos, barreiras étnicas ou culturais. Um crente de joelhos pode influenciar o mundo inteiro. Na Sua soberania, Deus estabeleceu agir na história em resposta às orações do Seu povo;
o A forma mais efusiva de demonstrar amor por alguém é interceder por ele.
"Dou graças ao meu Deus por tudo que recordo de vós" (Fp 1:3-8).
o Há recordações que ferem o coração, abatem o espírito e provocam grande dor. Há lembranças dolorosas e amargas. Há memórias que só trazem à tona a desesperança. No entanto, quando Paulo volta ao passado e se lembra da igreja de Filipos, seu peito enche-se de doçura, e a sua alma é inundada de grande gratidão;
o Na cidade de Filipo Paulo foi preso, açoitado ilegalmente com varas, jogado num calabouço, colocado no tronco e humilhado diante do povo. Contudo, nessa mesma cidade, Paulo plantou uma igreja que foi a coroa da sua alegria. Nessa cidade, Paulo organizou uma igreja que se tornou a maior parceira do seu ministério. A igreja de Filipos sustentou Paulo em Tessalônica (Fp 4), em Corinto (2Co 11) e em Roma (Fp 4). A igreja de Filipos trouxe a Paulo muita alegria e pouca dor;
o As lembranças de Paulo produzem uma onda de louvor. Certamente ele se lembra de como Deus abriu o coração de Lídia para ela crer e como depois abriu o seu lar para acolher os obreiros. Certamente vem à mente de Paulo como Deus abriu as portas da prisão de Filipos, onde ele e Silas estavam encarcerados, e como o carcereiro abriu as portas da sua casa para cuidar dele e de Silas;
o Enquanto os filipenses se lembraram de Paulo em suas necessidades ele se lembrou dos filipenses em suas orações.
"Fazendo sempre... súplicas" (Fp 1:3-8).
o As palavras "fazendo sempre" estão no tempo presente, significando que Paulo orava por eles continuamente.
"Súplicas por todos vós" (Fp 1:3-8).
o Paulo ora por todos os crentes da igreja. Seu carinho não é dirigido apenas a uma elite da igreja, mas ele derrama a sua alma a favor de todos os membros da igreja. Ele não faz acepção de pessoas. Paulo usa a expressão "todos vós", referindo-se diretamente a todos os seus leitores em pelo menos 9 ocasiões. Ele não deixa ninguém de fora.
"Dou graças ao meu Deus ... pela vossa cooperação no evangelho" (Fp 1:3-8).
o Embora Deus seja Aquele que realiza todas as coisas com respeito à salvação do pecador, somos os Seus cooperadores nessa obra;
o É Deus quem abre o coração, mas é a igreja que prega a Palavra;
o É Deus quem levanta os obreiros, mas é a igreja que os sustenta;
o A palavra usada por Paulo aqui é koinonia, dando a ideia de que os Filipenses eram cooperadores no evangelho por meio das generosas e importantes contribuições ao ministério de Paulo a fim de que a mensagem do evangelho fosse espalhada. Os Filipenses não apenas aplaudiram os esforços de Paulo, eles se envolveram em seu ministério por intermédio da comunhão com ele e pelo suporte financeiro.
"Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus" (Fp 1:6).
o Alguma vez Deus começou uma obra e a deixou inacabada?
o Deus é um trabalhador que completa Suas obras;
o A obra da salvação no crente não será aperfeiçoada até o dia de Jesus, que, neste contexto, se refere à 2ª vinda de Jesus.
Pedidos de oração de Paulo
"Faço esta oração: que o vosso amor aumente mais e mais" (Fp 1:9-11).
o Em nossa condição de cristãos, há algo capaz de crescer sem limites: o amor;
o Paulo não pede prosperidade, e os Filipenses eram pobres, não pede livramento, uma vez que eles eram perseguidos, pede que eles avancem na escalada do amor.
"Para aprovardes as coisas excelentes" (Fp 1:9-11).
o A palavra que Paulo usa para provar (dokimazein) é um termo para provar o metal ou a moeda, com o fim de verificar se é genuíno, puro, sem mescla nem falsificação. Esse verbo provar significa "pôr sob teste" (1Ts 5:21) e depois "aceitar quando testado", ou "aprovar". Como termo comercial, era usado para denotar o teste de moedas. As "aprovadas" eram dinheiro genuíno, não-falsificado;
o Paulo está pedindo discernimento para sua igreja, que é a capacidade de aprovar "o que é melhor" em comparação com o que é espiritualmente prejudicial;
o O discernimento deve levar os crentes a escolherem as coisas boas e a rejeitarem as más.
"Serdes sinceros e inculpáveis para o Dia de Cristo" (Fp 1:9-11).
o Se sinceridade tem que ver com a vida íntima, a inculpabilidade tem que ver com a vida pública. Paulo usa um termo grego muito sugestivo aqui para descrever a palavra "sincero". A palavra 'eilikrines' usada por Paulo pode significar duas coisas. Pode provir de eile, que significa "luz solar", e de 'krinein', que significa 'julgar'. A combinação dos termos descreve o que é capaz de passar pela prova da luz solar; o que pode ser exposto ao sol, sem que apareça falta alguma. Contudo, 'eilikrines' pode derivar-se de 'eilein', que significa "girar rapidamente como quando se move uma peneira para tirar as impurezas". O ato de "girar em uma peneira" sugere a ideia de separar a palha do trigo. Se esse é o significado, então isso significa que o cristão está puro, isento de toda contaminação. O cristão sincero não tem medo de ser exposto à luz;
o "Tudo quanto os cristãos fazem deve ser tão transparente como a luz do Sol" (MDC, 49);
o A palavra que Paulo usa para "inculpáveis" é aproskopos, dando a ideia de que o cristão jamais se converte em causa de tropeço para outra pessoa.
"Para a glória e louvor de Deus" (Fp 1:9-11).
o O propósito final da vida do cristão é a glória e o louvor de Deus. Tudo vem Dele, por meio Dele e para Ele.
Discernimento espiritual aplicado
"Quero ainda, irmãos, cientificar-vos de que as coisas que me aconteceram têm, antes, contribuído para o progresso do evangelho" (Fp 1:12-18).
o Paulo faz uma leitura do passado pela ótica da soberania de Deus;
o Ele não considerou os seus sofrimentos como fruto do acaso. Paulo não acreditava em casualidade nem no determinismo. Ele sabia que a mão soberana da providência guiava o seu destino e que os seus sofrimentos estavam incluídos nos planos de Deus para o cumprimento de propósitos mais elevados;
o Ele não considerou os seus sofrimentos como expressão da fúria de Satanás. Embora Satanás tenha intentado contra ele, jamais Paulo o considerou como o agente de seus sofrimentos. Quem estava no comando de sua agenda não era o inimigo, mas Deus;
o Paulo está preso, mas o evangelho está livre e o evangelho é mais importante que o obreiro;
o Vivemos na perspectiva de Deus quando sabemos que o evangelho é o maior presente de Deus para a humanidade;
o Paulo não via o encarceramento como uma barreira, mas como uma oportunidade;
o A palavra que Paulo usa para o "progresso do evangelho" é 'prokope' que significa 'avanço pioneiro', um termo militar grego que se referia aos engenheiros do exército que avançavam à frente das tropas para abrir caminho em novos territórios. A prisão de Paulo, longe de fechar as portas, as abre ainda mais; longe de ser uma barreira, desobstrui o caminho a novos campos que não seriam alcançados de outra forma;
o Paulo viu sua prisão como a abertura de novas frentes de evangelização;
o O mesmo Deus que usou o bordão de Moisés, os jarros de Gideão e a funda de Davi usou as cadeias de Paulo.
"As minhas cadeias... se tornaram conhecidas de toda a guarda pretoriana" (Fp 1:13).
o Porque Paulo estava preso, ele pôde alcançar grupos que jamais alcançaria em liberdade;
o A perseguição jamais obstruiu o evangelho nem impediu o crescimento da Igreja;
o A Igreja sempre cresceu mais em tempos de perseguição do que em tempos de bonança;
o Os maiores avivamentos da Igreja aconteceram em tempos de dor e perseguição;
o A quem Paulo alcançou por causa de suas cadeias? A guarda pretoriana;
o A guarda pretoriana era a guarda de elite do imperador. A palavra grega 'praitorion' pode significar tanto um lugar quanto um grupo de pessoas. O termo usado por Paulo aplica-se à guarda do pretório. Essa era a guarda imperial de Roma. A guarda pretoriana era a tropa de elite instalada no palácio do imperador. Foi instituída por Augusto e compreendia um corpo de 10 mil soldados escolhidos;
o Dia e noite, durante 2 anos, Paulo era preso a um soldado dessa guarda por uma algema. Visto que cada soldado cumpria um turno de 6 horas, a prisão de Paulo abriu caminho para a pregação do evangelho no regimento mais seleto do exército romano, a guarda imperial;
o Paulo, no mínimo, podia pregar para 4 homens todos os dias;
o Assim, as cadeias de Paulo removeram as barreiras e deram a ele a oportunidade de evangelizar os mais altos escalões do exército romano;
o Paulo ainda esteve em contato com outro grupo de pessoas: os oficiais de César;
o Quando Paulo entrou em Roma, não era um prisioneiro entrando; era o evangelho entrando na capital do império.
"Alguns, efetivamente, proclamam a Cristo por inveja e porfia; outros, porém, o fazem de boa vontade... Todavia, que importa? Uma vez que Cristo, de qualquer modo, está sendo pregado, quer por pretexto, quer por verdade, também com isto me regozijo" (Fp 1:12-18).
o A preocupação de Paulo não era com o conteúdo do evangelho pregado, mas apenas com as motivações daqueles que o pregavam. Paulo se oporia se soubesse que um evangelho falso ou distorcido estava sendo pregado, mesmo que fosse pregado com as melhores intenções (Gl 1);
o A atitude de Paulo era a seguinte: Se você prega o verdadeiro evangelho, não me importo com suas motivações. Se suas motivações forem erradas, Deus lidará com você, mas pelo menos o evangelho está sendo pregado. Mas se você prega um evangelho falso, não me importo com quão boas sejam suas motivações. Você é perigoso e deve parar de pregar seu evangelho falso, e boas motivações não justificam sua mensagem falsa;
o Uns pregam o evangelho por amor ao evangelho; outros, por amor a si mesmos;
o Com a chegada de Paulo a Roma, alguns sentiram-se relegados a 2º plano e privados de sua importância anterior. Então surgiu a inveja e com ela a porfia, palavra grega que significa "contenda", "discórdia", "dissensão";
o Essas pessoas pregavam por interesses pessoais. Pregavam para aumentar a sua própria influência e prestígio. Elas pregavam para engrandecer a si mesmas;
o Essas pessoas trabalhavam para terem mais influência sobre a igreja. A glória do nome delas, e não a glória do nome de Cristo, é o que buscavam com mais fervor;
o Olhavam para Paulo como um competidor, um rival. Trabalhavam apenas para apresentar um relatório com maiores resultados. Esses pregadores interessavam-se mais em sua reputação do que em sua mensagem;
o Eles ficavam felizes quando podiam fazer mais do que os outros. As limitações dos outros lhes davam prazer mórbido. As cadeias de Paulo eram a alegria deles;
o Essas pessoas estavam fazendo a coisa certa da maneira errada;
o Paulo não está alegre com os críticos egoístas, mas com o fato de que pregavam a Cristo!
Frutos do evangelho
"Damos sempre graças a Deus... quando oramos por vós, desde que ouvimos da vossa fé em Cristo Jesus e do amor que tendes para com todos os santos; por causa da esperança que vos está preservada nos céus" (Cl 1:3-8).
o Embora Paulo não conhecesse a grande maioria dos cristãos de Colossos, eles estavam em sua lista de orações. Ele orava por eles sempre;
o Paulo reuniu 3 virtudes dos cristãos de Colossos que mencionou em outros textos: a fé, a esperança e o amor (1Co 13:13; 1Ts 1:3; 5:8). Essa tríade dominava o seu pensamento;
o A fé nos liga a Deus, o amor nos liga aos homens, a esperança nos liga ao céu;
o O cristão é salvo pela fé, vive pela fé, vence pela fé e caminha de fé em fé. A fé em Cristo fala de um relacionamento vertical correto e o amor para com todos os santos fala de um relacionamento horizontal correto. Eles tinham relacionamento certo com Deus e com os homens. Fé e amor são os 2 aspectos da vida cristã. Ninguém pode considerar-se um cristão se não crer em Cristo e se não amar os irmãos. O cristão deve manifestar lealdade a Cristo e amor aos homens;
o A esperança está preservada no céu. Ela é celestial e aponta para uma felicidade futura nos céus. Essa herança imarcescível está guardada no cofre de Deus e esse tesouro não pode ser saqueado por ladrões. A esperança cristã é a certeza de que, apesar de cruzarmos aqui os vales sombrios, os desertos esbraseantes, os pântanos lodacentos, os caminhos estreitos e juncados de espinhos, o caminho de Deus é melhor e somente nele andamos em segurança e por meio dele chegamos à bem-aventurança eterna. Escrevendo aos coríntios, Paulo declara: "Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens" (1Co 15:19). O evangelho produz na alma do cristão a doce esperança do porvir, que o anima a lutar e a renunciar às aparentes vantagens deste mundo. Que esperança é essa? Paulo responde: "… Cristo Jesus é a nossa esperança" (1Tm 1:1); "Cristo em vós, a esperança da glória" (1 Tm 1:27).
"Da qual antes ouvistes pela palavra da verdade do evangelho" (Cl 1:3-8).
o O evangelho é a boa notícia de Deus ao homem, esta é a melhor definição de evangelho;
o Nenhuma força no mundo é mais poderosa do que o evangelho. Aonde ele chega, vidas são transformadas, famílias são salvas, cidades são reerguidas das cinzas;
o O evangelho não depende de homens; os homens é que dependem do evangelho. A igreja de Colossos não foi plantada por Paulo. O evangelho chegou ao vale do Lico sem a presença do grande apóstolo;
o O evangelho é que dá significado ao lugar, e não o lugar ao evangelho. A cidade de Colossos estava em franco declínio no tempo de Paulo. Laodicéia e Hierápolis, cidades vizinhas do vale do rio Lico, lançavam sombras nessa cidade, cujas glórias estavam plantadas num passado remoto. Não foi a cidade de Colossos que deu projeção ao evangelho, mas o evangelho que deu projeção a Colossos;
o O evangelho tem poder em si mesmo e não depende de nenhum elemento externo a ele. O evangelho é como uma semente que tem vida em si mesma (Mc 4.26-29). Aonde o evangelho chega, ele produz frutos;
o O evangelho é universal. Não está limitado a alguma raça ou nação, nem a alguma classe ou condição social;
o O evangelho está centrado na graça de Deus. O evangelho não é aquilo que o homem faz para Deus, mas aquilo que Deus fez pelo homem;
o O evangelho é produtivo. Ele tem vida em si mesmo. Aonde chega, vidas são transformadas, famílias são salvas, cidades são restauradas e nações são impactadas. O evangelho transforma o pecador recalcitrante em santo e fiel em Cristo. Seu poder é irresistível. Sua obra é eficaz. A voz média do verbo grego karpoforéo, "dar fruto, frutificar", enfatiza que o evangelho produz fruto por si mesmo;
o O método de Deus alcançar o mundo com o evangelho é a igreja;
o O propósito de Deus é o evangelho todo, a todo o mundo;
o Nós, que recebemos o privilégio do evangelho, recebemos também a responsabilidade de o transmitir a outros;
o Os cristãos de Colossos não só creram, mas cresceram na fé. Eles ouviram o evangelho. Epafras era um cidadão de Colossos que foi evangelizado por Paulo. Epafras, agora, os evangeliza. Epafras cumpriu o que Jesus disse para o gadareno: "Vai para os teus e anuncia-lhes quantas coisas o Senhor fez por ti" (Mc 5:19). Eles creram em Cristo;
o Milhões de pessoas ouvem o evangelho, mas não crêem. Os que crêem, porém, recebem a vida eterna (Jo 3:14-18). Outros crêem em outro evangelho para a sua própria perdição. Outros ainda crêem na fé. Dizem: o importante é ter fé, o importante é crer. Mas não somos salvos pela fé na fé. Também não somos salvos por crer apenas numa fé de segunda mão. Os Colosenses creram em Cristo.
"Evangelho, que chegou até vós, como também, em todo o mundo" (Cl 1:3-8).
o O evangelho saiu de Jerusalém para a Judéia e a Samaria e alcançou todo o mundo conhecido;
o A doutrina do evangelho é representada como um viajante, cujo objetivo é visitar todo o mundo habitado. Tão veloz é esse viajante em sua jornada que ele terminou de visitar todos os países sob domínio romano, e continuará viajando até que tenha proclamado sua mensagem a cada pessoa, cada tribo, cada nação e cada língua.
O poder da oração
"Não cessamos de orar por vós e de pedir que transbordeis de pleno conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual; a fim de viverdes de modo digno do Senhor" (Cl 1:9-12).
o Embora Paulo estivesse preso, algemado, no corredor da morte, na ante-sala do martírio, com o pé na sepultura e a cabeça próxima à guilhotina de Roma, ele não concentra sua oração nas urgentes necessidades físicas e materiais. Embora os cristãos de Colossos vivessem em pobreza e a escravidão estivesse em voga, Paulo não pede a Deus saúde, nem libertação nem mesmo prosperidade financeira. Ele concentra sua petição nas bênçãos espirituais, e não nas bênçãos materiais;
o A oração deve incluir aqueles que não conhecemos. As orações de Paulo não eram egoístas. Ele ora pelos cristãos de Colossos, cristãos que ele jamais vira face a face;
o Pela oração podemos tocar o mundo inteiro;
o Se as nossas orações giram apenas em torno da nossa família e da igreja que frequentamos, então nos tornamos muito limitados e o nosso mundo fica muito pequeno e egocêntrico;
o A oração deve ser regida por uma atitude perseverante;
o A oração deve ser ousada na busca de plenitude. Ele não deseja que Seu povo viva pobremente; com mesquinhez na esfera espiritual;
o Paulo queria plenitude para Colossos: "plenos de conhecimento" - "toda sabedoria" - "todo conhecimento" - "inteiro agrado" - "toda boa obra" - "todo poder" - esse é o modo com que Paulo ora;
o A vida cristã não pode ser vivida na dimensão da mediocridade. Ela fala de plenitude, de algo grande, profundo, caudaloso.
"Transbordeis de pleno conhecimento da sua vontade" (Cl 1:9-12).
o Paulo não pede apenas que os cristãos conheçam a vontade de Deus, mas que transbordem desse conhecimento;
o Conhecer a vontade de Deus é vital para o crescimento espiritual;
o A ênfase de Paulo está no conhecimento não no sentimento;
o Vivemos numa época em que as pessoas querem sentir e não pensar. Elas querem experiências e não conhecimento;
o Conhecemos a vontade geral de Deus através das Sagradas Escrituras. Tudo quanto o homem deve saber está registrado na Palavra. A vontade de Deus está nas Escrituras;
o Paulo pede a Deus o transbordamento do pleno conhecimento da vontade de Deus;
o Seu pedido é em grau superlativo;
o Na linguagem do NT cheio significa controlado por. Paulo ora para que esses cristãos sejam controlados pelo pleno conhecimento da vontade de Deus.
Como o cristão pode conhecer a plenitude da vontade de Deus?
o Crimes bárbaros têm sido praticados em nome de Deus. Por isso, o conhecimento da vontade de Deus precisa ser regido pela verdade das Escrituras;
o Paulo fala de sabedoria para conhecer a vontade de Deus. Sabedoria é usar os melhores meios para os melhores fins, é olhar para a vida com os olhos de Deus. É ver a vida como Deus a vê. É ter as prioridades que Deus tem. A sabedoria do mundo exalta o homem, em vez de glorificar a Deus. Ela conduz à perdição e não à salvação. A verdadeira sabedoria, Sophia, está em Cristo. Nele estão ocultos todos os tesouros da sabedoria. A sabedoria cristã é o conhecimento dos princípios de Deus exarados em Sua Palavra. Paulo não incentiva os colossenses a buscar visões ou vozes. Antes, ora para que eles possam aprofundar-se na Palavra de Deus e, desse modo, ter mais sabedoria e discernimento;
o Paulo pede a Deus sabedoria e entendimento espiritual para os cristãos, pede que entendam as grandes verdades do cristianismo e sejam capazes de aplicar essas verdades às tarefas e decisões da vida cotidiana. Conhecimento e prática precisam andar juntos;
o Crescendo no pleno conhecimento de Deus, que não é teórico, mas experimental. É levar Deus a sério. É ter um relacionamento íntimo com Deus em vez de especulá-lo. É andar face a face com Deus;
o O grande problema da vida não é saber o que fazer, mas fazer o que você sabe;
o Por que não fazemos o que sabemos ser certo? É porque nos falta poder! Se Deus só nos dissesse qual é a Sua vontade, ficaríamos frustrados e até esmagados; mas Deus não apenas revela a Sua vontade, mas também nos capacita com poder para a cumprirmos. Por meio da oração alcançamos não apenas conhecimento da vontade de Deus, mas também poder para realizá-la.
"Sendo fortalecidos com todo o poder, segundo a força da sua glória, em toda a perseverança e longanimidade" (Cl 1:9-12).
o A palavra grega 'hupomone', traduzida como 'perseverança', significa paciência para suportar circunstâncias difíceis. Não é sentar-se em uma cadeira de balanço e esperar que Deus faça alguma coisa. É o soldado no campo de batalha, permanecendo em combate mesmo quando as circunstâncias se mostram desfavoráveis. É o corredor na pista, recusando-se a parar, pois deseja vencer a corrida (Hb 12:1). 'Hupomone' não só significa capacidade para suportar as coisas, mas também habilidade para transformar essa situação adversa em triunfo. Para o cristão, é sempre cedo demais para desistir;
o A palavra 'makrothymia" traduzida como 'longanimidade', é o espírito que jamais perde a paciência. Se hupomone trata de paciência com as circunstâncias, makrothymia trata de paciência com as pessoas. 'Hupomone' é a paciência que não pode ser vencida por nenhuma circunstância; 'makrothymia' é a paciência que não pode ser vencida por nenhuma pessoa. 'Hupomone' é usada em relação a circunstâncias adversas, ao passo que 'makrothymia' é a virtude necessária quando pessoas difíceis de ser suportadas atentam contra nosso autocontrole, é um ânimo espichado ao máximo. É a capacidade de perdoar em vez de revidar. É a atitude de abençoar em vez de amaldiçoar. É a decisão de acolher em vez de escorraçar. É pagar o mal com o bem. É orar pelos inimigos e abençoar os que nos perseguem, é o oposto de vingança.
"Com alegria, dando graças ao Pai luz" (Cl 1:9-12).
o Aprendendo a cantar nas noites escuras. Muitas pessoas podem até suportar circunstâncias adversas e lidar com pessoas difíceis, mas perdem a alegria no meio desse mar revolto. A maneira de lidar com situações adversas e pessoas difíceis não é travando uma luta triste, mas agindo com uma atitude radiante e luminosa. A alegria cristã está presente em todas as circunstâncias e diante de todas as pessoas;
o Há um tipo de perseverança que suporta sem prazer algum. Paulo ora pedindo que os cristãos de Colossos tenham perseverança e longanimidade com alegria;
o O cristão passa pelo deserto cantando, como Paulo e Silas na prisão em Filipos.
Conclusão:
"Ao decidir sobre qualquer caminho a seguir… não devemos perguntar se isso nos causará algum prejuízo, mas se está de acordo com a vontade de Deus" (PP, 634).
o Passos para conhecermos a vontade de Deus enquanto a buscamos em oração:
1- Esteja disposto a renunciar à sua vontade sobre o assunto;
2- Tenha certeza de não estar sendo levado por meros sentimentos;
3- Consulte a Palavra de Deus e siga suas ordens;
4- Fique atento às circunstâncias providenciais que surgirem;
5- Ouça conselhos de pessoas piedosas;
6- Peça a Deus que o guie na decisão, ou seja, ore;
7- Tome uma decisão;
8- Seja sensível. Convide Deus a detê-lo se, por algum motivo, você errar o alvo.
"…O Filho de Deus era submisso à vontade de Seu Pai, e dependente de Seu poder. Tão plenamente vazio do próprio eu era Jesus, que não elaborava planos para Si mesmo. Aceitava os que Deus fazia a Seu respeito, e o Pai os desdobrava dia a dia. Assim devemos nós confiar em Deus, para que nossa vida seja uma simples operação de Sua vontade" (DTN, 139).
Louvo a Deus pelas maravilhosas lições que podemos aprender de Sua Palavra e é por isso que sou apaixonado pela Escola Sabatina! #lesadv